sábado, 4 de dezembro de 2010

CADEIRA Nº 37

Cristina Maria de Almeida Couto (Acadêmica)

É natural de Lavras da Mangabeira – CE., Jornalista, Publicitária, Pós-graduada em Marketing Político, Assessoria de Comunicação e Metodologia do Ensino Superior. É Assessora Parlamentar na Câmara de Vereadores de Fortaleza, professora titular da Disciplina Realidade Socioeconômica e Política Brasileira na Faculdade Evolutivo, diretor de marketing da Academia Lavrense de Letras, interlocutora do Consulado de Portugal em Fortaleza e promotora dos Colóquios Lusófonos no Ceará. Publicou em agosto de 2010, o livro de ensaio sobre Chico Buarque de Hollanda, intitulado – As Cidades de Chico Buarque. Obra que hoje faz parte do "Acervo da Memoria Nacional", da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; da Fundação Casa de Rui Barbosa e Real Gabinete Português de Leitura. Ainda pela mesma publicação recebeu "voto de congratulação" da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, Requerimento de  autoria do deputado estadual Heitor Férrer e, da Câmara Municipal de Fortaleza, Requerimento de autoria do vereador Marcelo Mendes. Idealizadora, fundadora da Associação dos Filhos e Amigos de Lavras da Mangabeira – AFALAM - Ocupando os seguintes Cargos: 1ª Secretária,Presidente,Diretora de Cultura, Vice-presidente, 2ª Secretária, Membro do Conselho Consultivo. Membro efetivo do Conselho Fiscal do Centro Cívico e Educacional de Messejana. Representante da Paróquia de São José e da AFALAM na 1ª Coferência Nacional de Segurança Pública – ETAPA MUNICIPAL. Delegada pela sociedade civil e representante da Paróquia de São José e da AFALAM - 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública – ETAPA ESTADUAL; Representante da Paróquia de São José no Fórum de Debates Elos e Ecos dos Conflitos Socio-ambientais do Ceará; Coordenadora, organizadora e executora da Assembléia de Segurança Pública da Paróquia de São José; Conselheira  do Cariri Cangaço; Mestranda da UFC em Educação Brasileira e atual presidente da Academia; Secretária de Cultura de Lavras da Mangabeira - 2-13/2016; Construção e Manutenção das Páginas na INTERNET:  
http://paroquiadesaovicenteferrer.blogspot.com/
http://familiaaugusto.blogspot.com/
http://lavrasdamangabeirace.blospot.com/
Elaborou e Coordenou a Semana da Consciência Negra de Fortaleza/2006 - Prefeitura Municipal de Fortaleza, SEPPIR, FUNDAÇÃO PALMARES, PNUD.
Elaboração e Coordenação do Projeto “Ceará Quilombola – O Ceará que ninguém ver” - Vice-Prefeitura de Fortaleza/2006.
Fonte: Dimas Macedo






Balbina Lidia Viana Arrais (Patrono)

“Dona de uma beleza helênica, alta, esbelta e fisicamente perfeita”, segundo o historiador Otacílio Anselmo, Balbina Lídia Viana Arraes nasceu na Vila de São Ferrer das Lavras, aos 05 de dezembro de 1862, sendo filha de João Casemiro Viana Arraes e Mariana Infante Lima.
Ainda para o mesmo historiador, “é possível que tenha feito os seus primeiros estudos no próprio lar, tendo como professores seus pais, pois à época não havia estabelecimentos públicos e nem particular de ensino”, o que deve ser tomado como um grande equívoco, pois a partir de 1856 já existia, na Vila de Lavras, segundo a historiadora Rejane Augusto, uma cadeira pública de ensino para o sexo feminino, regida pela professora Generoza Cândida de Albuquerque.
É possível, sim, que a menina Balbina Lídia tenha sido aluna da professora Francisca de Mendonça Albuquerque Moraes, e deve ter tido uma juventude fulgurante, porque efetivamente bela e amplamente culta e erudita foi essa ilustre lavrense nascida no século dezenove.
Em 1884, aos 22 anos, foi levada a Fortaleza, onde submeteu-se a concurso para o Magistério Público, no antigo Liceu do Ceará, sendo aprovada com altivez. No ano seguinte, mais precisamente a 16 de janeiro de 1985, ingressou como professora da Instrução Pública do Estado, por nomeação do Presidente da Província, Honório Benedito Ottoni, o mesmo que elevou a sua terra natal à categoria de cidade, aos 20 de agosto de 1884.
Na qualidade de uma das primeiras professoras públicas do Ceará, Balbina começou sua carreira no magistério público cearense com bastante ânimo e determinação, primeiramente em Caririaçu, dali iniciando uma verdadeira maratona pelas vilas e cidades da região sul do Ceará.
Em 21 de novembro de 1887, foi transferida para a vila de Várzea Alegre, onde casou-se com Lydio Dias Pedroso, farmacêutico, natural do Crato e cidadão cujas convicções políticas eram opostas à situação dominante. Esse acontecimento mudou a vida da professora Balbina, pois determinou as sucessivas remoções da mesma para localidades as mais variadas.
Em 04 de setembro de 1890, no governo de Luiz Antônio Ferraz, foi designada professora pública da sua terra natal, segundo Otacílio Anselmo, mas para Rejane Augusto ela teria entrado no exercício do cargo a 16 de janeiro de 1888, ali permanecendo até 17 de março de 1892.
Com efeito, nesta última data, na gestão Benjamim Liberato Barroso, foi removida para Barbalha. E dessa cidade, em 09 de setembro de 1893, foi transferida para o ensino misto da cidade de Iguatu, onde se demorou menos de um ano, pois a 27 de junho de 1894, pelo mesmo governante acima referido, foi deslocada para Várzea Alegre.
Finalmente, a dia 25 de junho de 1898, foi transferida para a vila de Brejo Santo, pelo presidente Antônio Pinto Nogueira Acióli. Mas com o falecimento do seu esposo, a 20 de agosto de 1898, a vida nômade de Dona Balbina chegou a um fim, iniciando-se aí a sua fase de maturidade como civilizadora social maior de Brejo Santo.
A primeira escola pública daquele município, dirigida por Dona Balbina, foi instalada na Rua da Taboqueira, numa sala de propriedade do Coronel Basílio Gomes da Silva, chefe do executivo municipal entre 1893 e 1909, sendo depois transferida para o centro da cidade.
Após o falecimento do seu esposo, que lhe deixou apenas uma filha, Balbina Lídia passou a ter a companhia do seu irmão, o Padre João Casimiro Viana Arrais, que chegou a Brejo Santo, como vigário, em 1903, impulsionado por uma ânsia de progresso e desenvolvimento que ainda chama a atenção dos historiadores daquele município.
A 20 de abril de 1911, no entanto, dá-se a morte do Padre João Casemiro, com a idade de apenas 36 anos, e Dona Balbina Arrais, ainda que sozinha, resolve levar adiante a sua bandeira de lutas e de ações nos campos da vida social, educacional e religiosa daquele lugarejo, não parando mais de trabalhar, mesmo diante da sua aposentadoria, ocorrida a 16 de setembro de 1919.
No posto de professora pública de Brejo Santo foi sucedida pela sua própria filha, Balbina Pedrosa Viana Arrais (Dona Pedrosinha), diplomada também em Fortaleza e que fez fortuna na educação daquele município.
Jamais se aposentando da sua condição de Mestra e viveu até os últimos anos da sua proveitosa existência sempre rodeada de alunos, especialmente de crianças, que buscavam extrair dela as suas histórias e lições e o seu fulgor educacional.
No plano da vida religiosa, fez-se igualmente notória a sua atuação. Foi presidente do Apostolado da Oração, desde a sua criação pelo Padre Viana até o seu falecimento, dirigindo também naquela localidade a Confraria de Nossa Senhora do Carmo, fundada pelo Padre Monteiro.
Não se conformando, contudo, com a religiosidade do povo de Brejo Santo, afixou, em um dos cerros que ladeiam a cidade, um majestoso Cruzeiro, que ainda hoje ainda hoje ali permanece, e que se transformou, com o tempo, em símbolo de fé e de peregrinação.
Faleceu Dona Balbina Lídia aos 28 de fevereiro de 1951, aos oitenta e nove anos de idade, na mesma residência que edificou juntamente com o seu irmão, o Padre João Casemiro Viana Arraes, e que passou para a história do Cariri como o nome de Solar dos Arrais, uma das mais belas edificações do Ceará.
Era uma criatura de raríssimo valor. Caráter sem jaça e espírito cristão por excelência, possuía um equilíbrio moral a toda prova, era portadora de uma social impressionante e a todos cativava com a sua postura de senhora altiva e sempre decidida diante das coisas do saber.
Conhecendo o resplendor da sua trajetória e a sua luta persistente em favor da causa da cultura e da educação, em 2010 propus o seu nome para a condição de Patrona da cadeira nº 36 da Academia Lavrense de Letras, destacando, por igual, no meu livro Literatura Lavrense – Notas Para a Sua História (Fortaleza, Edições Poetaria, 2010), que Balbina Lídia foi “a mais ilustrada e erudita lavrense nascida no século dezenove, com ressonância em todo o Ceará”.
Recortes da sua biografia edificante foram tracejados por Otacílio Anselmo em dois excelentes artigos estampados na revista Itaytera, do Instituto Cultural do Cariri, e outros depoimentos sobre a sua vida e a sua obra de educadora podem ser consultados em vários sites da internet.
Dona Balbina Lídia, de forma induvidosa, é um dos orgulhos do município de Lavras, ao lado do seu irmão, João Casimiro Viana Arrais, que se encontra biografado no meu livro Lavrenses Ilustres, e que foi um dos grandes intelectuais do Cariri, no início do século precedente.
Fortaleza, março de 2011
Dimas Macedo

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