quinta-feira, 1 de abril de 2010

MERCADORES DE ILUSÕES - Emerson Monteiro

A política acontece para suprir as carências da sociedade naquilo que diz respeito à administração dos bens coletivos, buscando o equilíbrio das desigualdades sociais e limitações individuais. No entanto, pouco acontece de tais previsões. Trabalhar, os políticos trabalham, uns, a grande maioria, em favor deles próprios, de seus grupos, corporações, familiares. Outros, número bem mais reduzido, esticam o pescoço na ânsia de cumprir os mandamentos dos ideais, alimentados anos a fio, sem, contudo, realizar o que desejam, por conta das restrições do quadro histórico e suas instituições carcomidas.
Quando se aproximam os turnos eleitorais, o formigueiro se assanha, viajam que uma beleza as vedetes políticas, na procura desenfreada de reeleições, preservação de mandatos, garantia de sinecuras, um deus nos acuda.
O povo, que preserva a sabedoria fruto da experiência, afirma que gato escaldado tem medo de água fria, acredita descrendo, alimenta garantindo o seu, e exige contrapartida perante os discursos apresentados. O panorama do voto, portanto, torna-se negócio esquisito, sujos falando de mal-lavados, raposa cuidando de galinheiro, enquanto o sonho dos dias melhores fervilha no seio das gerações em largos pedidos de ética e esforços de modificação dessa roda pensa.
Este ano de 2010 abre suas portas aos mercadores de ilusões da política nacional cheio de festa, em ano de Copa do Mundo. Ninguém traz estrela na testa, mas a responsabilidade cada dia aumenta mais diante das escolhas e das crises, sobretudo da moralidade pública. Caprichemos, pois, na mira ao selecionar os candidatos para sufragar, que tempo haverá para isto. Exercitemos a consciência dos tempos de transformação há tanto esperado por todos.

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