Queremos tecer aqui, em algumas e poucas palavras, um comentário a propósito de personalidade a quem o Cariri deve boa parte da evidência que hoje detém neste mundão imenso de Meu Deus; falar a respeito do João Lindemberg de Aquino, jornalista inteligente, possuidor de talento inquestionável já reconhecido nas letras nordestinas, e autor emérito do livro Roteiro Biográfico das Ruas do Crato, trabalho permanente para os estudos da história desta Região.
Durante décadas, anos 50, 60 e 70, pelos menos, os principais registros da movimentação social, economia e política do interior cearense da região sul ganharam notoriedade, sobretudo nas páginas dos jornais de Fortaleza, através das matérias que ele encaminhava para publicação.
Nos seus escritos, Lindemberg mostrou especial dedicação à vida social caririense, aos acontecimentos e lideranças que nortearam o progresso deste vale onde habitamos, conquanto agora mesmo apenas usufrua de uma vida recolhida e afastada deste meio que, com carinho e trabalho, ajudou a construir e onde estabeleceu numeroso círculo de amizades.
Quando, em 1953, o Instituto Cultural do Cariri encetava caminhada, dentre os seus fundadores ele ali se encontrava na função de Secretário da primeira diretoria, ao lado dos nomes expressivos de Figueiredo Filho, Irineu Pinheiro, Padre Antônio Gomes, Huberto Cabral e outros.
Desde cedo que busquei assisto de perto a trajetória intelectual deste cidadão cratense integrado ao meio, ainda de quando exercia um cargo no atendimento do INPS, em Crato, assessorava diversas administrações municipais cratenses e escrevia crônicas diárias para as Rádios Araripe e Educadora, além de testemunhar os principais acontecimentos sociais também das comunas próximas, divulgando-os na grande imprensa do Estado e do País. Nisto aplicou-se durante décadas inteiras, favorecendo o encaminhamento de temas progressista e atualizando as influências políticas e educacionais, o que marcaria bases no nosso crescimento histórico.
Dotado, pois, de paixão verdadeira pelo que realizou em termos de jornalismo sociocomunitário, Lindemberg de Aquino chamou a si a preservação da autoestima deste povo caririense, anotando para as gerações futuras efemérides e valores que eternizou com a sua pena.
Perante tais aspectos que caracterizam existência de tantos préstimos, cabe-nos reconhecer o êxito das ações que empreendeu e dedicar o melhor tributo de reconhecimento a João Lindemberg de Aquino por tudo que fez valer em prol da gente deste lugar.
Data de Fundação: 01 de junho de 2008 / Presidente: Dimas Madedo/ e-mail:academialavrensedeletras@gmail.com
domingo, 19 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
CONTO DE NATAL - Paulo Coelho.
O pinheiro de St. Martin
Na véspera de Natal, o padre da igreja no pequeno vilarejo de St. Martin, nos Pirineus franceses, se preparava para celebrar a missa, quando começou a sentir um perfume delicioso. Era inverno, há muito as flores tinham desaparecido - mas ali estava aquele aroma agradável, como se a primavera tivesse surgido fora de tempo.
Intrigado, ele saiu da igreja para buscar a origem de tal maravilha, e foi dar com um rapaz sentado na frente da porta da escola. Ao seu lado, estava uma espécie de Árvore de Natal dourada.
- Mas que beleza de Árvore! - disse o pároco. - Ela parece ter tocado o céu, já que irradia uma essência divina! E é feita de ouro puro! Onde foi que a conseguiu?
O jovem não demonstrou muita alegria com o comentário do padre.
- Na verdade, isso que carrego comigo foi ficando cada vez mais pesado e à medida que eu andava, suas folhas ficaram duras. Mas não pode ser ouro, e estou com medo da reação de meus pais.
O rapaz contou sua história:
- Tinha saído hoje de manhã para ir até a cidade de Tarbes, com o dinheiro que minha mãe havia me dado para comprar uma bela Árvore de Natal. Acontece que, ao cruzar um povoado, vi uma senhora de idade, solitária, sem nenhuma família com quem comemorar a grande festa da Cristandade. Dei-lhe algum dinheiro para a ceia, pois estava certo que poderia conseguir um desconto na minha compra.
"Ao chegar em Tarbes, passei diante da grande prisão, e havia uma série de pessoas aguardando a hora da visita. Todas estavam tristes, já que passariam a noite longe de seus entes queridos. Escutei algumas delas comentando que sequer tinham conseguido comprar um pedaço de torta. Na mesma hora, movido pelo romantismo de gente da minha idade, decidi que iria dividir meu dinheiro com aquelas pessoas, que estavam precisando mais que eu. Guardaria apenas uma ínfima quantia para o almoço; o florista é amigo de nossa família, com certeza me daria a Árvore, e eu poderia trabalhar para ele na semana seguinte, pagando assim a minha dívida".
"Entretanto, ao chegar ao mercado, soube que o florista que conhecia não tinha ido trabalhar. Tentei de todas as maneiras conseguir alguém que me emprestasse dinheiro para comprar a Árvore em outro lugar, mas foi em vão".
"Convenci a mim mesmo que conseguiria pensar melhor o que fazer se estivesse com o estômago cheio. Quando me aproximei de um bar, um menino que parecia estrangeiro, perguntou se eu podia lhe dar alguma moeda, já que não comia há dois dias. Como imaginei que certa vez o menino Jesus deva ter passado fome, entreguei-lhe o pouco dinheiro que me sobrava, e voltei para casa. No caminho de volta, quebrei um galho de um pinheiro; tentei ajeitá-lo, cortá-lo, mas ele foi ficando duro como se feito de metal, e está longe de ser a Árvore de Natal que minha mãe espera".
- Meu caro - disse o padre - o perfume desta Árvore não deixa dívidas de que ela foi tocada pelos Céus. Deixe-me contar o resto desta sua história:
"Assim que você deixou a senhora, ela imediatamente pediu à Virgem Maria, uma mãe como ela, que lhe devolvesse esta benção inesperada. Os parentes dos presos se convenceram que tinham encontrado um anjo, e rezaram agradecendo aos anjos pelas tortas que foram compradas. O menino que você encontrou, agradeceu a Jesus por ter sua fome saciada".
"A Virgem, os anjos, e Jesus escutaram a prece daqueles que tinham sido ajudados. Quando você quebrou o galho do pinheiro, a Virgem colocou nele o perfume da misericórdia. À medida que você caminhava, os anjos iam tocando suas folhas, e as transformando em ouro. Finalmente, quando tudo ficou pronto, Jesus olhou o trabalho, abençoou-o, e a partir de agora, quem tocar esta Árvore de Natal, terá seus pecados perdoados e seus desejos atendidos".
E assim foi. Conta a lenda que o pinheiro sagrado ainda se encontra em St. Martin; mas sua força é tão grande que, todos aqueles que ajudam seu próximo na véspera de Natal, não importa quão longe estejam do pequeno vilarejo dos Pirineus, são abençoados por ele.
(inspirado em uma história hassádica)
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
OS TESOUROS DESTE MUNDO - Emerson Monteiro
A importância dos objetos, sentimentos, ideias, guarda relação estreita com a prática das pessoas no decorrer da existência, a ponto de muitas perderem o juízo buscando satisfazer o instinto de querer mais uma coisa do que outra. Não poucas pessoas vendem a alma para atender aos desejos loucos, e atropelam os outros, gastam o que não têm, utilizam mecanismos sujos, a ponto de matar, roubar, destruir, no impulso desesperado de alimentar aquelas necessidades artificiais surgidas no afã da dominação dos objetivos planejados.
A fome doentia dos desejos errados existe na história desde que o homem é homem, pela ganância das guerras, dos saques, perseguições, negócios escusos, invejas e ambições desmedidas. Tudo pó e poeira da matéria em desintegração. O apetite avassalador do favorecimento a qualquer custo mostra a face melancólica dessa humanidade, o lado sem luz da epopéia das criaturas rumo aos afagos da ilusão, que só produzem miséria e respostas trágicas, nas caminhadas pelo mundo.
A traça e a ferrugem, no entanto, destroem, numa velocidade impressionante, tais equívocos, sob o comando de uma lei estudada sob o nome de ação e reação, tanto na física, quanto nas escolas religiosas. Nada fica impune fora dos ditames originais e eternos da natureza, que conduz os acontecimentos. Dia de muito é véspera de pouco. Dia de tudo é véspera de nada.
Quem quiser contrariar as normas desta sabedoria, guardada no decorrer dos séculos e milênios, que experimente, pois, mais cedo ou mais tarde, provará do desencanto. Há um tanto de exemplos de que o crime não compensa, em todo tempo e lugar. Mesmo assim, ainda impera o desejo ganancioso, que demonstra o atraso da raça teimosa e inconsequente, quando se sabe que o desengano da vista é furar os olhos, no dizer do povo.
No entanto, a dor ensina a gemer, e inúmeros escolhem estradas tortuosas do vício e do crime invés dos valores equilibrados e justos da paz e da coerência. Esse impasse nas decisões vale a todo minuto, conquanto vive-se decidindo qual dos dois caminhos escolher a fim de realizar os sonhos. Ouvi, certa vez, alguém afirmar que “o castigo do vício é o próprio vício; e o mérito da virtude é a própria virtude”. A consciência refletirá como praticar esta vida. O itinerário aonde nos leva ninguém desconhece. A estação final do processo vida espera a todos, equivocados ou prudentes. Portanto, o teorema traz consigo a solução do mistério de todas as intenções pessoais.
A fome doentia dos desejos errados existe na história desde que o homem é homem, pela ganância das guerras, dos saques, perseguições, negócios escusos, invejas e ambições desmedidas. Tudo pó e poeira da matéria em desintegração. O apetite avassalador do favorecimento a qualquer custo mostra a face melancólica dessa humanidade, o lado sem luz da epopéia das criaturas rumo aos afagos da ilusão, que só produzem miséria e respostas trágicas, nas caminhadas pelo mundo.
A traça e a ferrugem, no entanto, destroem, numa velocidade impressionante, tais equívocos, sob o comando de uma lei estudada sob o nome de ação e reação, tanto na física, quanto nas escolas religiosas. Nada fica impune fora dos ditames originais e eternos da natureza, que conduz os acontecimentos. Dia de muito é véspera de pouco. Dia de tudo é véspera de nada.
Quem quiser contrariar as normas desta sabedoria, guardada no decorrer dos séculos e milênios, que experimente, pois, mais cedo ou mais tarde, provará do desencanto. Há um tanto de exemplos de que o crime não compensa, em todo tempo e lugar. Mesmo assim, ainda impera o desejo ganancioso, que demonstra o atraso da raça teimosa e inconsequente, quando se sabe que o desengano da vista é furar os olhos, no dizer do povo.
No entanto, a dor ensina a gemer, e inúmeros escolhem estradas tortuosas do vício e do crime invés dos valores equilibrados e justos da paz e da coerência. Esse impasse nas decisões vale a todo minuto, conquanto vive-se decidindo qual dos dois caminhos escolher a fim de realizar os sonhos. Ouvi, certa vez, alguém afirmar que “o castigo do vício é o próprio vício; e o mérito da virtude é a própria virtude”. A consciência refletirá como praticar esta vida. O itinerário aonde nos leva ninguém desconhece. A estação final do processo vida espera a todos, equivocados ou prudentes. Portanto, o teorema traz consigo a solução do mistério de todas as intenções pessoais.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
O SIMPLES VIVE DA FÉ - Emerson Monteiro
Invés de sair às cegas catando mistérios e trombando caixas vazias largadas em estradas distantes, a gente simples se alimenta na fé com um propósito superior que lhe indica os passos de seres vivos pelas entranhas dos rochedos tortuosos dessa humanidade, livre de outras perguntas inventadas, braços abertos ao trabalho e aos deveres que a vida impõe.
Houvesse outro jeito de tocar o barco, os milhões de criaturas seguiriam nessa respiração bem sua, constante, ao ritmo dos elementos, nas tiradas dos mundos inevitáveis. Santos do povo falam disso, de uma força descomunal que move e agarra com persistência o seguir das criaturas aos lugares desconhecidos do universo, única alternativa do processo vida.
Os seres anônimos, heróis desconhecidos, agem assim, movidos na ânsia de manter sua respiração sob valores trazidos brutos nas cheias do presente às margens do amanhã, máquinas históricas de uma tradição que se mexe de dentro do peito da certeza, que tem de ser desse modo, e pronto. A religiosidade monumental das pessoas cala fundo o íntimo da alma dessa multidão silenciosa, produzindo certezas a todo instante, matéria prima do futuro, no fluir sem parar das eras e tradições inesquecíveis e satisfatórias da existência comum dos dias delas.
O bater do coração alimenta essa energia original que gira as engrenagens, por cima de pedra e pau, e, com isso, permite acontecer histórias pessoais a todo o momento, dadas dimensões maravilhosas e segredos de continuar a qualquer preço bom a experiência de se conduzir em frente e estabelecer as bases dos novos continentes, nas horas de toda sobrevivência, do menorzinho ao maior de todos nós. Uma ação se soma às outras ações, linha após linha, fio condutor de nomes, pessoas e objetos, fora e dentro das aparências, peças de um xadrez de luta e parto dos momentos que se sucedem.
Caminha a sociedade dos seres humanos como formigueiro de gente e produção, necessário ao calendário e aos relógios, estômago do tempo e dos lugares, luzes nessa escuridão que clareia as famílias e os destinos, até serem felizes para sempre. Santuários de orações fervorosas, eles alimentam o desejo de seguir os passos, na convicção de que existe um sentido maior que abre as portas do amor, nas intenções de quem deseja o bem para seu valor absoluto.
Desse modo, os simples vivem da fé, de olhos voltados à mesma Eternidade que os contempla e os criou, e lhes deixa soltos no ar, perante a estrada que abraça com os pés e rasga a cada passo. Um saber mais que perfeito da melhor sabedoria os orienta, pois conhecem o tecido com que tecem o manto da Eternidade. E só isso os torna suficientes ao justo querer de Deus.
Houvesse outro jeito de tocar o barco, os milhões de criaturas seguiriam nessa respiração bem sua, constante, ao ritmo dos elementos, nas tiradas dos mundos inevitáveis. Santos do povo falam disso, de uma força descomunal que move e agarra com persistência o seguir das criaturas aos lugares desconhecidos do universo, única alternativa do processo vida.
Os seres anônimos, heróis desconhecidos, agem assim, movidos na ânsia de manter sua respiração sob valores trazidos brutos nas cheias do presente às margens do amanhã, máquinas históricas de uma tradição que se mexe de dentro do peito da certeza, que tem de ser desse modo, e pronto. A religiosidade monumental das pessoas cala fundo o íntimo da alma dessa multidão silenciosa, produzindo certezas a todo instante, matéria prima do futuro, no fluir sem parar das eras e tradições inesquecíveis e satisfatórias da existência comum dos dias delas.
O bater do coração alimenta essa energia original que gira as engrenagens, por cima de pedra e pau, e, com isso, permite acontecer histórias pessoais a todo o momento, dadas dimensões maravilhosas e segredos de continuar a qualquer preço bom a experiência de se conduzir em frente e estabelecer as bases dos novos continentes, nas horas de toda sobrevivência, do menorzinho ao maior de todos nós. Uma ação se soma às outras ações, linha após linha, fio condutor de nomes, pessoas e objetos, fora e dentro das aparências, peças de um xadrez de luta e parto dos momentos que se sucedem.
Caminha a sociedade dos seres humanos como formigueiro de gente e produção, necessário ao calendário e aos relógios, estômago do tempo e dos lugares, luzes nessa escuridão que clareia as famílias e os destinos, até serem felizes para sempre. Santuários de orações fervorosas, eles alimentam o desejo de seguir os passos, na convicção de que existe um sentido maior que abre as portas do amor, nas intenções de quem deseja o bem para seu valor absoluto.
Desse modo, os simples vivem da fé, de olhos voltados à mesma Eternidade que os contempla e os criou, e lhes deixa soltos no ar, perante a estrada que abraça com os pés e rasga a cada passo. Um saber mais que perfeito da melhor sabedoria os orienta, pois conhecem o tecido com que tecem o manto da Eternidade. E só isso os torna suficientes ao justo querer de Deus.
sábado, 11 de dezembro de 2010
NOTICIA ALÉM MAR

O escritor e intelectual lavrense, Dimas Macedo está na Europa curtindo aquelas paissagens. Mas, como trabalhar é assunto preferido do poeta ele dará uma palestra no Mestrado de Assuntos Internacionais da Universidade de Le Havre, uma das mais importantes da França, sobre Eleiçóes Presidenciais no Brasil. No próximo dia 13 de dezembro.
Parabéns poetinha!
O DIREITO DE SER FELIZ - Emerson Monteiro
Em meio ao fogo cruzado de depressões e medos, nas jornadas diárias que representam o espaço individual das existências, há um território valioso a ser preenchido, no interior das pessoas, o que exige uma coragem bem maior do que para vencer o grande inimigo, nas suas maiores guerras. Essa providência, contudo, requer apenas disposição de lutar diante dos obstáculos naturais de todo momento, independente daquilo que achem os outros. Na casa das ideias e das emoções, surge, sem parar num só instante, a tela cinemascope da presença da gente na gente mesmo, projeção contínua, e o projeto disso nada mais é do que a nossa vontade e seus filmes, que nascem de dentro, esta projeção que quem primeiro assiste somos nós, depois o contexto externo, formado pelas inúmeras pessoas em volta, testemunhas das nossas ações. Quem sabe do clima que vai rolar no momento seguinte somos primeiro nós.
E esse mecanismo precisa da dominação, do pulso anterior, do agente principal das cenas em movimento, autores do argumento, diretores, atores e espectadores do cinema chamado vida, nós. Há que haver pulso para viver, por isso. Ninguém deverá, de caso pensado, entregar aos outros, ou às circunstâncias, este tamanho direito de compor os quadros constantes do estado de espírito que significa a representação de mundo e das mudanças das horas, fardo constante que carregamos desde o princípio da existência.
Mais à mão, no processo pessoal dessa determinação de si para consigo, no que podemos denominar casa das máquinas ou laboratório dessa ação de elaborar a ciência dos dias, ficam os elementos com os quais se irão produzir a película única vista a cada momento, na história individual das criaturas, trabalho particular delas próprias, estrada principal da sua caminhada. Isso com que trabalhar, pois, o filme da presença pessoal das criaturas recebe o nome de vontade, ou força do querer, elemento valioso e único, insubstituível.
Na sabedoria do tempo, ouvimos dizer que “assim é, se nos parecer”, o que, noutras palavras, resume o conceito por demais conhecido de sermos os autores, ou sujeitos, das ações do mundo. Os objetos existem, porém aqueles que dão existência aos objetos, os sujeitos, somos nós. “Quem ama o feio, bonito lhe parece”, a tal coisa dita de jeito um pouco diferente.
Portanto, simples quais todos os valores originais da vasta natureza onde habitamos, a equação da sonhada felicidade apenas reclama a atitude positiva de trocar o padrão mental sob o qual desenvolvemos o ato de viver, livre das complicações e entregas a vícios e fraquezas de perder batalhas antes de entrar no campo. Levantar o ânimo e olhar com gosto bom, estas sejam as providências que farão a difereça, para melhor, qualquer ocasião. Avalie bem, e não desista de ser feliz.
E esse mecanismo precisa da dominação, do pulso anterior, do agente principal das cenas em movimento, autores do argumento, diretores, atores e espectadores do cinema chamado vida, nós. Há que haver pulso para viver, por isso. Ninguém deverá, de caso pensado, entregar aos outros, ou às circunstâncias, este tamanho direito de compor os quadros constantes do estado de espírito que significa a representação de mundo e das mudanças das horas, fardo constante que carregamos desde o princípio da existência.
Mais à mão, no processo pessoal dessa determinação de si para consigo, no que podemos denominar casa das máquinas ou laboratório dessa ação de elaborar a ciência dos dias, ficam os elementos com os quais se irão produzir a película única vista a cada momento, na história individual das criaturas, trabalho particular delas próprias, estrada principal da sua caminhada. Isso com que trabalhar, pois, o filme da presença pessoal das criaturas recebe o nome de vontade, ou força do querer, elemento valioso e único, insubstituível.
Na sabedoria do tempo, ouvimos dizer que “assim é, se nos parecer”, o que, noutras palavras, resume o conceito por demais conhecido de sermos os autores, ou sujeitos, das ações do mundo. Os objetos existem, porém aqueles que dão existência aos objetos, os sujeitos, somos nós. “Quem ama o feio, bonito lhe parece”, a tal coisa dita de jeito um pouco diferente.
Portanto, simples quais todos os valores originais da vasta natureza onde habitamos, a equação da sonhada felicidade apenas reclama a atitude positiva de trocar o padrão mental sob o qual desenvolvemos o ato de viver, livre das complicações e entregas a vícios e fraquezas de perder batalhas antes de entrar no campo. Levantar o ânimo e olhar com gosto bom, estas sejam as providências que farão a difereça, para melhor, qualquer ocasião. Avalie bem, e não desista de ser feliz.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
VIDA A DOIS - Emerson Monteiro
Das estatísticas recentes, e estatísticas viraram instrumentos que norteiam muitas ações desses tempos complexos, alguns números sacolejam as sólidas bases de qualquer cidadão pacato e desinformado, a exemplo do que ouvi na semana que passou, que, minuto a minuto, quatro senhoras casadas são espancadas por seus esposos em um dos lares deste País continental. Isto é, de 15 em 15 segundos se comente um delito, agressões brutais, estúpidas e inconcebíveis em qualquer mundo dito civilizado.
Ainda se ouvia, de épocas românticas, que em mulher não se bate nem com uma flor, para, noutras palavras, dizer que ninguém é saco de pancada, muito menos as representantes do belo sexo, quando, de supetão, rasgaram-se as empanadas da hipocrisia machista e a realidade fria dos números explodiu qual ferida interna de um corpo doente, desse mundo social cheio de aleijões e atrasos.
O desrespeito para com os semelhantes caracteriza fases lastimáveis da vida em grupo, impondo atitudes agressivas e a repressão do próprio sistema, contudo tratar os sintomas sem curar as origens do mal apenas mascara os conflitos, escondendo causas e multiplicando riscos posteriores.
Por isso, há mesmo que se buscar, no íntimo das pessoas, as razões virulentas de tanta perversidade, que constrangem os padrões da normalidade. Não dá mais para fingir que o problema pertence aos outros. Os pactos ora existentes reclamam doses maiores de sinceridade e mudança nas práticas contínuas que parecem longe de acabar.
As ausências de comunicação entre os que se casam demonstram quase nenhum compromisso de amizade e companheirismo, talvez, quem sabe?, só interesse material, sexual; daí, carências de religiosidade e vulgarização da maldade sujeitam a levar ao seio da família, porto seguro das tradições culturais e educativas dos filhos, durante todo tempo. Viver em comunidade começa no âmbito familiar, célula-mãe das sociedades, conceito repetido e pouco exercitado.
Quando um homem e uma mulher resolvem firmar os laços puros do matrimônio, deve haver responsabilidade, existir valores mínimos para formar o lar, sonhos de paz, apoio mútuo, trabalho, satisfação pessoal, experiências profissionais somadas, união de princípios; fora disso inexistiriam justas condições de constituir um casal no sentido pleno.
Assim, face aos acontecimentos desta hora crítica, apenas persistirá a esperança de transformar este chão comum onde vivemos e trazer de volta paz aos lares, mediante o carinho autêntico e valioso de quem acredita nas bênçãos que nascem dos laços sagrados da justa felicidade entre os casais.
Ainda se ouvia, de épocas românticas, que em mulher não se bate nem com uma flor, para, noutras palavras, dizer que ninguém é saco de pancada, muito menos as representantes do belo sexo, quando, de supetão, rasgaram-se as empanadas da hipocrisia machista e a realidade fria dos números explodiu qual ferida interna de um corpo doente, desse mundo social cheio de aleijões e atrasos.
O desrespeito para com os semelhantes caracteriza fases lastimáveis da vida em grupo, impondo atitudes agressivas e a repressão do próprio sistema, contudo tratar os sintomas sem curar as origens do mal apenas mascara os conflitos, escondendo causas e multiplicando riscos posteriores.
Por isso, há mesmo que se buscar, no íntimo das pessoas, as razões virulentas de tanta perversidade, que constrangem os padrões da normalidade. Não dá mais para fingir que o problema pertence aos outros. Os pactos ora existentes reclamam doses maiores de sinceridade e mudança nas práticas contínuas que parecem longe de acabar.
As ausências de comunicação entre os que se casam demonstram quase nenhum compromisso de amizade e companheirismo, talvez, quem sabe?, só interesse material, sexual; daí, carências de religiosidade e vulgarização da maldade sujeitam a levar ao seio da família, porto seguro das tradições culturais e educativas dos filhos, durante todo tempo. Viver em comunidade começa no âmbito familiar, célula-mãe das sociedades, conceito repetido e pouco exercitado.
Quando um homem e uma mulher resolvem firmar os laços puros do matrimônio, deve haver responsabilidade, existir valores mínimos para formar o lar, sonhos de paz, apoio mútuo, trabalho, satisfação pessoal, experiências profissionais somadas, união de princípios; fora disso inexistiriam justas condições de constituir um casal no sentido pleno.
Assim, face aos acontecimentos desta hora crítica, apenas persistirá a esperança de transformar este chão comum onde vivemos e trazer de volta paz aos lares, mediante o carinho autêntico e valioso de quem acredita nas bênçãos que nascem dos laços sagrados da justa felicidade entre os casais.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
A INTELIGÊNCIA ALIMENTAR - Emerson Monteiro
Nós humanos buscamos um jeito bom para equilibrar os elementos da natureza, para achar nisso as fórmulas ideais de viver em harmonia, no mínimo face ao mundo que nos rodeia. Arrumamos defesas que facilitem passar os dias longe dos conflitos que engolem as pessoas. Aqueles mais sabidos rompem obstáculos intransponíveis, exercitando a capacidade que possuem de cruzar as situações e abrir margens e alternativas. E os alimentos que ingerimos também se enquadram nessa ginástica, nestes tempos industriais que desafiam pela propaganda, marcas oferecidas em cada esquina, por meios ardilosos de pouco critério. A luta é fugir das regras químicas de comer o que aparece na nossa tela sem qualquer chance de pensar de outro modo.
O resultado desse totalitarismo alimentar em que se transformaram as ofertas do que sobrou para comer implica, agora, numa aventura radical de saúde fragilizada, corredor lotado nas entradas de um sistema único de saúde assoberbado e filas intermináveis à porta dos consultórios médicos.
Há países de seculares tradições que mantêm a rigidez dos hábitos de alimentação como quem cultiva verdadeiras religiões de sobrevivência. São povos educados nas linhas rígidas e familiares impostas pelos ancestrais e pela comunidade. Veem os costumes quais peças-chave de preservação da natureza a partir da criança e do jovem, impondo respeito às leis das origens milenares, na intenção de uma medicina preventiva. Acreditam serem doenças os sintomas do desequilíbrio imposto ao sistema orgânico através de hábitos errados, guardando, com isso, a conservação da ordem química do corpo à medida que evitam cair em transformações equivocadas e fora de fundamentos conhecidos, inteligentes.
Na fase ocidental dos modos industriais, no entanto, o lucro prevalece acima de tudo, a todo custo, comer casca e nó, levando de eito o que surgir pela frente. As florestas que o digam, após a febre destruidora das reservas a pretexto de exercitar práticas de mercado da madeira e produção de carne, depois seguida dos agronegócios, da soja que domina a colonização amazônica.
Comer e beber hoje se tornam, a cada ano, em atividades de risco jamais imaginado pelos pessimistas. A mesa virou campo de prova de sobrevivência; os pratos, bombas-relógios de que não conhecemos os termos de finais para na saúde. Nossos avôs, às refeições, adotavam a expressão “peixe é que morre pela boca”. No entanto a humanidade parece haver se transformado num rumoroso cardume de variados peixes expostos aos caprichos das bolsas de mercadorias, vagando tontos na maré dos acontecimentos imprevisíveis da civilização.
O resultado desse totalitarismo alimentar em que se transformaram as ofertas do que sobrou para comer implica, agora, numa aventura radical de saúde fragilizada, corredor lotado nas entradas de um sistema único de saúde assoberbado e filas intermináveis à porta dos consultórios médicos.
Há países de seculares tradições que mantêm a rigidez dos hábitos de alimentação como quem cultiva verdadeiras religiões de sobrevivência. São povos educados nas linhas rígidas e familiares impostas pelos ancestrais e pela comunidade. Veem os costumes quais peças-chave de preservação da natureza a partir da criança e do jovem, impondo respeito às leis das origens milenares, na intenção de uma medicina preventiva. Acreditam serem doenças os sintomas do desequilíbrio imposto ao sistema orgânico através de hábitos errados, guardando, com isso, a conservação da ordem química do corpo à medida que evitam cair em transformações equivocadas e fora de fundamentos conhecidos, inteligentes.
Na fase ocidental dos modos industriais, no entanto, o lucro prevalece acima de tudo, a todo custo, comer casca e nó, levando de eito o que surgir pela frente. As florestas que o digam, após a febre destruidora das reservas a pretexto de exercitar práticas de mercado da madeira e produção de carne, depois seguida dos agronegócios, da soja que domina a colonização amazônica.
Comer e beber hoje se tornam, a cada ano, em atividades de risco jamais imaginado pelos pessimistas. A mesa virou campo de prova de sobrevivência; os pratos, bombas-relógios de que não conhecemos os termos de finais para na saúde. Nossos avôs, às refeições, adotavam a expressão “peixe é que morre pela boca”. No entanto a humanidade parece haver se transformado num rumoroso cardume de variados peixes expostos aos caprichos das bolsas de mercadorias, vagando tontos na maré dos acontecimentos imprevisíveis da civilização.
sábado, 4 de dezembro de 2010
CADEIRA Nº 40
Vicente Bezerra Neto (Patrono)Filho de Raimundo Nonato Bezerra (Bidu) e de Maria da Costa Bezerra (Mariquinha), nasceu Vicente Bezerra Neto em Lavras da Mangabeira, aos 12 de setembro de 1910. Ali iniciou os estudos primários, prosseguindo-os em Fortaleza, para onde se transferiu, aqui ingressando na Faculdade de Direito do Ceará, por onde saiu Bacharel em Ciência Jurídicas e Sociais em 1935.
Em Fortaleza, ainda como estudante, revelou-se um dos maiores jornalistas do nosso meio, fazendo àquela época, quase que sozinho, o Correio do Ceará. Quando formado, depois de breve estada no Rio de Janeiro, onde igualmente desempenhou as funções de jornalista, a convite do então Senador Felinto Müller, que via no moço taciturno e solidário grandes perspectivas de progresso, transferiu-se para o Estado do Mato Grosso, onde fixou residência definitiva.
Ali continuou as atividades jornalísticas e, por concurso, ingressou na carreira de Promotor Público, servindo a várias comarcas do interior daquele Estado. O contato com o povo através da militância na imprensa e da promotoria, levou-o a ingressar na carreira política, de que foi uma das maiores expressões, tanto no plano estadual, quanto no plano federal, onde representou o Estado, inclusive como Senador da República.
Em Mato Grosso, em duas legislaturas, desempenhou as funções de Deputado Estadual, tendo sido também Deputado Federal, vice-governador e governador interino daquele importante Estado do Federação.
Filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e registrado pela legenda Aliança Democrática Social Trabalhista, em 07 de setembro de 1962, com 69.396 votos, foi eleito Senador da República, para o exercício no período de 01 de fevereiro de 1963 a 31 de janeiro de 1971.
No Senado Federal, como integrante da bancada do PTB, foi escolhido Vice-líder da Maioria, tendo ali integrado, como titular, as comissões de Transporte, Comunicações e Obras Públicas, Constituição e Justiça e Economia e Saúde, e, como suplente, as comissões do Direito Federal, Indústria e Comércio e Relações Exteriores.
Em junho de 1963 foi indicado pelo PTB para representar o Senado na Delegação do Brasil à Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra, Suíça, sob o patrocínio da Organização Internacional do Trabalho. Em outubro de 1966, integrou a Missão Diplomática à República Argentina, Chile, Bolívia e Uruguai. Da mesma forma, representou o Brasil na Conferência Interparlamentar da Haia.
Jurista notável e escritor de grandes recursos, é autor, entre outros, dos seguintes livros: Missão em Nova Dhel (1968), O Estrangeiro nas Leis do Brasil (1971 e A Política no Brasil. Faleceu em Cuiabá, aos 25 de maio de 1999.
Fonte: (DIMAS MACEDO)
Rembrandt de Matos Esmeraldo (Primeiro Acadêmico)
Nasceu em 1951. Na cidade de Senador Pompeu. Viveu parte da infância em
Pedra Branca. Formou-se pela Faculdade de Direito da UFC. Foi professor de
diversos cursinhos e colégios em Fortaleza. Figura proeminente do Clube dos
Poetas Cearenses, destacou-se como poeta pela publicação do seu livro Pedras em
Branco. Poeta de vanguarda. Ativista e militante político de esquerda. Teve
atuação destacada na luta contra a Ditadura Militar e, após a abertura
política, foi eleito suplente de Deputado Estadual pela esquerda democrática.
Atuou em Fortaleza e no interior do Ceará como Advogado criminal, sempre em
defesa dos mais necessitados. Ser humano, líder político e advogado destemido.
Conhecido pela sua erudição, ingressou no Ministério Público como Promotor de
Justiça, destacando-se na sua classe pela correção e a coragem das suas
decisões. Poeta e jurista respeitado. Além do livro de poema referido, deixou
poemas publicados em diversos jornais e revistas cearense. Escreveu e publicou
diversos ensaios de natureza jurídica e seus arrazoados forenses tornaram-se
bastantes conhecidos. Publicou livros, opúsculos e folhetos versando temas da
sua especialidade, destacando-se, entre eles, O Crime de Chico Pinheiro e o
Dicionário Poético dos Cornos Brasileiros. Foi maçom e figura de proa da
Maçonaria no Ceará. Ocupante da Cadeira de Nº 40, era o vice-presidente da ALL, eleito em 20 de maio de 2016. Faleceu em Lavras da Mangabeira, aos 21 de março de 2017 e foi
sepultado em Fortaleza.
João Tavares Calixto Júnior (Acadêmico atual).
Nasceu em Aurora
CADEIRA Nº 39
Vicente Paulo Lemos (Acadêmico)Vicente Paulo Lemos nasceu aos 12 de outubro de 1951, no Sitio Taquari, distrito de Mangabeira, município de Lavras, sendo filho de Joaquim Gonçalves Neto e Cândida Gonçalves de Lemos.
Foram seus avós paternos: Agostinho Félix Vieira e Inácia Maria da Conceição, e maternos: Manoel de Oliveira Lemos e Maria Cândida Amorim de Souza.
Aprendeu as primeiras letras em sua terra natal, com as professoras Maria Luiza Oliveira e Maria Socorro Oliveira, entre 1964 a 1966, realizando o quarto ano primário e admissão ao ginásio no Seminário Salesiano de Jaboatão (Pernambuco), entre 1967 e 1968.
Prosseguiu os seus estudos na Congregação Salesiana de Carpina, no mesmo Estado, onde cursou a primeira e a segunda series ginasiais, entre 1969 e 1970, concluindo o ginásio em 1972, na Escola Industrial de Pernambuco, localizada nas cidades de Escada e Serra Talhada.
No final de 1972, mudou-se definitivamente para Fortaleza, aqui realizando o curso científico, no Liceu do Ceará, entre 1973 e 1975. Ainda em Fortaleza, cursou o terceiro e o quarto pedagógicos no Colégio João Pontes (1991) e no Instituto de Educação do Ceará (1993).
Graduou-se em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em 2002, e realizou a sua pós-graduação em Administração Escolar, na mesma Universidade, nos anos de 2003/2004.
Fez diversos cursos de formação profissional na área do turismo, tais o de Guia de Turismo Regional, no SENAC de Fortaleza, em 1997, e Guia de Turismo Nacional, na Escola de Turismo do Ceará, em 2003.
Co-fundador das seguintes centros ensino: Centro de Educação Juvenil Eça de Queirós, Centro de Educação Juvenil Maria Auxiliadora, Centro de Educação Juvenil Dom Bosco e Colégio São Domingos Sávio, tendo, por conta dessas atividades, se dedicado às atividades de educação fundamental, entre 1975 e 2003.
Em 1996, fundou a Agência Terra da Luz Turismo e Consultoria Educacional, através da qual presta serviços a Escolas públicas e particulares, organizando e executando aulas de campo e pesquisa com alunos de diversas escolas cearenses.
Poeta popular e cordelista, pertence à Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel, sediada en Salvador, e ao Centro Cultural dos Cordelistas do Ceará, sendo, em setembro de 2010, eleito para a cadeira número 38 da Academia Lavrense de Letras.
É autor, entre outros, dos seguintes folhetos de cordel: Irmã Dulce – Sua Vida e Morte em Versos, Chegada de Irmã Dulce ao Céu, Retrato do Sertão, Brasil Menor – A Realidade da Criança Brasileira, Um Grito Contra a Miséria, Apologias Políticas, Jubileu de Ouro do Padre Manoel Lemos de Amorim e Jubileu de Ouro da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. (DIMAS MACEDO).
Raimundo Nonato Dias (Patrono)
Filho de Maria José de Lima e de Cândido Salvador Dias, nasceu Raimundo Nonato Dias no Sítio Sapé, distrito de Mangabeira, município de Lavras, aos 25 de dezembro de 1910, sendo batizados aos 11 de janeiro de 1911 pelo Padre Joaquim Manoel de Sampaio.
Aprendeu as primeiras letras na Vila de Mangabeira com a professora Vicência Mota e com o Mestre-escola Paulo Moreira. Posteriormente, na cidade de Lavras, freqüentou as aulas do professor João Augusto Banhos, um dos luminares da educação do município.
Em 06 de fevereiro de 1929, ingressou no Seminário São José do Crato, então dirigido pelo Monsenhor Joviniano Barreto, e no mesmo permaneceu até 1934. Em fevereiro de 1935, ingressou no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, onde realizou seus estudos teológicos, ordenando-se sacerdote a 01 de dezembro de 1940.
Cantou a primeira missa no adro da Capela de São Sebastião do antigo distrito de São José, hoje Mangabeira, sua terra natal, aos 13 de dezembro do mesmo ano da ordenação sacerdotal, solenidade a que se fizeram presentes as bandas de música das cidades de Várzea Alegre e Lavras da Mangabeira, além de grande ajuntamento de pessoas do povo, autoridades e mais de uma dezena de sacerdotes da região.
Paroquiou Bom Jesus de Quixelô de 17 de junho de 1941 a 22 de fevereiro de 1945. Posteriormente, foi Lente do Seminário do Crato, ali lecionando história sagrada, português e geografia. Em seguida, foi nomeado vigário de Araripe onde esteve nos anos de 1946 a 1947, quando foi designado coadjutor de Missão Velha, ali permanecendo por um período de oito meses.
Desde 1948, e por um espaço de 11 anos, funcionou como Pró-pároco de Santo Antônio de Quixará, depois Farias Brito, oportunidade em que foi coadjutor do Padre Agio Moreira.
Em 31 de dezembro de 1959 transferiu-se para Fortaleza. Sem provisão, funcionou avulso até ser designado vigário cooperador da Paróquia de Santa Luzia, regida esta pelo Monsenhor Francisco de Assis Pita.
Retornando ao Cariri, a chamado de Dom Vicente de Araújo Matos, foi nomeado então coadjutor de Campos Sales, na época paroquiada pelo Padre Baldomiro Rodrigues de Sousa. Ao deixar aquela cidade, conseguiu junto ao Bispo da Diocese de Crato a criação da paróquia de São Sebastião de Mangabeira, da qual foi nomeado seu primeiro vigário e a qual regeu por um período de aproximadamente dois anos.
Transportando-se finalmente para a capital cearense, foi primeiramente coadjutor da Paróquia de Nossa Senhora das Graças do Pirambu e, por último, tem sido vigário cooperador da Paróquia de São Gerardo, que tem à frente dos seus destinos o Monsenhor Abelardo Farias Lima.
Como sacerdote, tem devotado seu sacrifício existencial ao mais fiel desempenho do seu apostolado, colocando-se sempre ao lado dos necessitados e em franca oposição ao domínio dos prepotentes. Em verdade, tem elevado vida dedicada à pobreza e à despreocupação com as coisas terrenas, não obstante irônico diante das provações da existência.
Nas suas andanças, sertão adentro, realizou peripécias memoráveis, descendo das suas alturas de pastor da Igreja para viver a aventura dos humildes, satirizando sempre que possível os piores e os melhores momentos que lhe têm sido dado experimentar, inclusive as ironias vividas pelo próprio clero.
Ademais, foi o Padre Raimundo Nonato Dias cronista de O Povo e do jornal O Nordeste. Como poeta popular conduziu o folheto A Chegada do Papa ao Castelão. Cronologicamente, foi o primeiro mangabeirense a ordenar-se sacerdote e o segundo a graduar-se em curso superior.
ºSobre esta controvertida figura do clero cearense, veja-se o poema “As Proezas do Padre Nonato”, da autoria de Patativa do Assaré, bem como o seu retrato biográfico pintado por Dias da Silva no livro Um Padre e Muitas Proezas, trabalho no qual estão fotografadas as melhores e mais vibrantes passagens da sua existência de homem e de sacerdote Faleceu em Fortaleza, a 1º de fevereiro de 1988. (DIMAS MACEDO
CADEIRA Nº 38
Ernandes Pereira (Acadêmico)
Ernandes Pereira é o nome de um excelente cordelista, poeta popular e cantador de viola cearense. A sua erudição de poeta sertanejo e o seu amor à cultura popular do Nordeste são os atributos maiores que fazem de Ernandes um homem imprescindível.
Não pertence ao extrato da elite, nem à classe média, nem à burguesia lavrense de outrora, mas é certo que nasceu na Fazenda Cachoeira, muito próxima da cidade de Lavras, a 14 de outubro de 1944, sendo filho da professora Maria Ribeiro da Silva e do feirante Deoclécio Pereira da Silva, conhecido popularmente por Seu Deoclécio.
O seu genitor, que tanto encantou a minha infância com a textura e o cheiro das suas frutas saborosas, era um dos bons amigos do meu pai e a sua retidão transcendia e era propalada como se fosse um bem muito precioso.
Ernandes, desde cedo, revelou sua inquietação de andarilho e de poeta, atravessou o sertão do Ceará, mas quando o veneno do amor se infiltrou na sua alma, rendeu-se aos encantos de Francisca Pereira Sales e se estabeleceu em Camocim, onde se fez radialista e cantador, jornalista e poeta de bancada e quiçá o cordelista maior da zona norte do Estado.
Nunca teve paciência para seguir a escolaridade de curso regular, mas é certo que muito cedo ainda diplomou-se na universidade da poesia, na escola do gorjeio dos pássaros e no conservatório de música do cordel, com incursões, também, pela métrica do repente.
Do seu não-casamento com uma noiva que o abandonou, ou que ele teria abandonado em troca da poesia, nasceu sua primeira filha: Irla Nunes Pereira. E da sua união com Francisca Pereira Sales, em 1977, nasceu o outro mimo do seu coração: Petrília Paulinni Pereira Sales.
Mas o que conta mesmo na trajetória de Ernandes Pereira, é a sua condição de poeta popular, autor que é de uma obra literária quilométrica, composta de folhetos de cordel e de CDs e de composições musicais e de poemas que atraem de plano a atenção.
Nunca se desvinculou das suas raízes lavrenses, nunca renegou a sua infância de menino pobre, vivida nas margens do Salgado, e nunca fez do seu bacamarte literário uma linha de fuga para fora do seu universo pessoal.
A sua fidelidade à poesia de gosto popular e o seu amor às águas do Salgado e à brisa sem par do Boqueirão constituem um dado auspicioso da sua integridade humana e da sua alma sombria e enlevada, de quem vive e nasceu para sonhar.
Consta, na sua rica biografia, que iniciou seus estudos com a sua mãe, professora da rede pública municipal. E que, ainda menino, a família passou a residir definitivamente na cidade de Lavras, onde Ernandes prosseguiu a sua faina, dedicando-se à prestação de pequenos serviços, inclusive na área da agricultura.
Mas sabe-se, por igual, que sentindo vocação para a comunicação radiofônica e bem cedo percebendo-se poeta, iniciou-se como repentista, considerando que essa condição lhe permitiria, com mais facilidade, o ingresso na carreira de radialista.
Após realizar alguns cursos práticos no campo da radiofonia, passou a trabalhar como redator de notícias e, posteriormente, como locutor, a partir de 1968, profissionalizando-se na primeira metade da década de1970.
Sempre nutriu grande amor pelo repente e, como repentista, participou de dezenas de festivais do gênero, em quase todos os estados do Nordeste, recebendo, pelas suas vitórias, mais de 60 troféus, sendo 41 deles atribuídos a classificações em primeiro lugar.
Amante incondicional da insônia, como todo poeta que se preza, sempre aproveitou a ausência de ecos e dos zumbidos noturnos para ler e escrever poemas, sonetos e as mais diversas modalidades da poesia popular, o que lhe rendeu parceria com Dideus Sales, em cinco livros publicados por esse grande poeta cearense.
São suas as composições e todas as obras autorais constantes do LP Universo dos Versos e do CD Roteiros da Vida, nos quais Zé Eufrázio é companheiro de gravação e arquiteto de som.
Autor de mais de trezentos poemas populares, alguns venerados pela crítica e outros consagrados pelo público, porque transformados em folhetos de cordel, Ernandes divulgou também, para os seus leitores e ouvintes, dezenas de canções amorosas, boa parte delas já gravadas por diversos músicos e intérpretes.
No rádio, sempre trabalhou no jornalismo, gerenciando, há três anos, a Rádio Sant’Ana de Tianguá, pertencente à Diocese daquela região, onde desfruta de popularidade e reconhecimento, honrando, desta forma, e mercê do seu talento de poeta, o município que o viu nascer. (Dimas Macedo)

Antônio Fiúza de Pontes (Patrono)
Em Lavras da Mangabeira nasceu Antônio Fiúza de Pontes, aos 14 de junho de 1876. Filho do Coronel Antônio de Pontes Fiúza Lima e D. Umbelina de Carvalho Pontes.
Na cidade de Aracati fez os estudos primários com o Padre João Francisco Pinheiro, sendo que em 1892 transferiu-se para Fortaleza, aqui ingressando no Instituto de Humanidades, dirigido pelo Monsenhor Vicente Salazar da Cunha, concluindo o referido curso no Liceu do Ceará, onde iniciou os preparatórios, terminado-os em Recife, no Curso Anexo, em 1898, quando ingressou na Faculdade de Direito, para sair bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, aos 7 de dezembro de 1902.
Depois de formado, foi nomeado Promotor de Justiça de Monte Alegre, no Pará e, em 1903, promovido a Juiz Municipal Substituto da Comarca de São Miguel do Guará, no mesmo Estado.
Criada a Faculdade Livre de Direito do Ceará, em 1903, para a mesma foi nomeado Secretário, por ato de 14 de março de 1904, passando, a 14 de agosto de 1906, a ocupar o cargo de lente substituto de Direito Penal, sobressaindo-se como professor emérito e competente. Em 2 de abril de 1907, ainda integrando o corpo docente da Faculdade, recebeu do diretor da Instituição o grau de Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais e no mesmo ano escreveu Memória Histórica da Faculdade Livre de Direito do Ceará e dirigiu o curso complementar de praxe forense.
Envolvendo-se com as idéias políticas da época, foi feito Deputado à Assembléia Legislativa do Ceará, nas legislaturas de 1905 a 1908 e de 1909 a 1912.
Contudo, foi na literatura que Antônio Fiúza de Pontes veio a se consagrar. Participou ativamente dos movimentos literários de vanguarda de sua época. Pertenceu ao Centro Literário, fundado em Fortaleza aos 27 de setembro de 1894, em cujas sessões leu os versos do seu livro Myosotis, que não chegou a publicar. Contado entre os criadores do grupo literário Plêiade, fundado na capital cearense aos 15 de setembro de 1908, do qual foi presidente.
Poeta de elevada inspiração, “foi um perfeito temperamento de artista e um dos nossos melhores líricos”, na opinião abalizada de Mário Linhares. Publicou poesias esparsas na imprensa daqui e de outros Estados, especialmente no jornal A Repúbliuca e na revista Iracema, esta última, órgão do Centro Literário. Seu nome continua presença obrigatória em quase todos, senão em todos os compêndios que até agora tem focalizado a nossa evolução literária.
Além de Myosotis, deixou mais dois livros inéditos: Flores e Dos Tempos Idos, tendo falecido na capital alencarina aos 19 de fevereiro de 1909. Entre as homenagens que lhe foram prestadas, é hoje nome de rua em Fortaleza.(DIMAS MACEDO).
Ernandes Pereira é o nome de um excelente cordelista, poeta popular e cantador de viola cearense. A sua erudição de poeta sertanejo e o seu amor à cultura popular do Nordeste são os atributos maiores que fazem de Ernandes um homem imprescindível.
Não pertence ao extrato da elite, nem à classe média, nem à burguesia lavrense de outrora, mas é certo que nasceu na Fazenda Cachoeira, muito próxima da cidade de Lavras, a 14 de outubro de 1944, sendo filho da professora Maria Ribeiro da Silva e do feirante Deoclécio Pereira da Silva, conhecido popularmente por Seu Deoclécio.
O seu genitor, que tanto encantou a minha infância com a textura e o cheiro das suas frutas saborosas, era um dos bons amigos do meu pai e a sua retidão transcendia e era propalada como se fosse um bem muito precioso.
Ernandes, desde cedo, revelou sua inquietação de andarilho e de poeta, atravessou o sertão do Ceará, mas quando o veneno do amor se infiltrou na sua alma, rendeu-se aos encantos de Francisca Pereira Sales e se estabeleceu em Camocim, onde se fez radialista e cantador, jornalista e poeta de bancada e quiçá o cordelista maior da zona norte do Estado.
Nunca teve paciência para seguir a escolaridade de curso regular, mas é certo que muito cedo ainda diplomou-se na universidade da poesia, na escola do gorjeio dos pássaros e no conservatório de música do cordel, com incursões, também, pela métrica do repente.
Do seu não-casamento com uma noiva que o abandonou, ou que ele teria abandonado em troca da poesia, nasceu sua primeira filha: Irla Nunes Pereira. E da sua união com Francisca Pereira Sales, em 1977, nasceu o outro mimo do seu coração: Petrília Paulinni Pereira Sales.
Mas o que conta mesmo na trajetória de Ernandes Pereira, é a sua condição de poeta popular, autor que é de uma obra literária quilométrica, composta de folhetos de cordel e de CDs e de composições musicais e de poemas que atraem de plano a atenção.
Nunca se desvinculou das suas raízes lavrenses, nunca renegou a sua infância de menino pobre, vivida nas margens do Salgado, e nunca fez do seu bacamarte literário uma linha de fuga para fora do seu universo pessoal.
A sua fidelidade à poesia de gosto popular e o seu amor às águas do Salgado e à brisa sem par do Boqueirão constituem um dado auspicioso da sua integridade humana e da sua alma sombria e enlevada, de quem vive e nasceu para sonhar.
Consta, na sua rica biografia, que iniciou seus estudos com a sua mãe, professora da rede pública municipal. E que, ainda menino, a família passou a residir definitivamente na cidade de Lavras, onde Ernandes prosseguiu a sua faina, dedicando-se à prestação de pequenos serviços, inclusive na área da agricultura.
Mas sabe-se, por igual, que sentindo vocação para a comunicação radiofônica e bem cedo percebendo-se poeta, iniciou-se como repentista, considerando que essa condição lhe permitiria, com mais facilidade, o ingresso na carreira de radialista.
Após realizar alguns cursos práticos no campo da radiofonia, passou a trabalhar como redator de notícias e, posteriormente, como locutor, a partir de 1968, profissionalizando-se na primeira metade da década de1970.
Sempre nutriu grande amor pelo repente e, como repentista, participou de dezenas de festivais do gênero, em quase todos os estados do Nordeste, recebendo, pelas suas vitórias, mais de 60 troféus, sendo 41 deles atribuídos a classificações em primeiro lugar.
Amante incondicional da insônia, como todo poeta que se preza, sempre aproveitou a ausência de ecos e dos zumbidos noturnos para ler e escrever poemas, sonetos e as mais diversas modalidades da poesia popular, o que lhe rendeu parceria com Dideus Sales, em cinco livros publicados por esse grande poeta cearense.
São suas as composições e todas as obras autorais constantes do LP Universo dos Versos e do CD Roteiros da Vida, nos quais Zé Eufrázio é companheiro de gravação e arquiteto de som.
Autor de mais de trezentos poemas populares, alguns venerados pela crítica e outros consagrados pelo público, porque transformados em folhetos de cordel, Ernandes divulgou também, para os seus leitores e ouvintes, dezenas de canções amorosas, boa parte delas já gravadas por diversos músicos e intérpretes.
No rádio, sempre trabalhou no jornalismo, gerenciando, há três anos, a Rádio Sant’Ana de Tianguá, pertencente à Diocese daquela região, onde desfruta de popularidade e reconhecimento, honrando, desta forma, e mercê do seu talento de poeta, o município que o viu nascer. (Dimas Macedo)
Antônio Fiúza de Pontes (Patrono)
Em Lavras da Mangabeira nasceu Antônio Fiúza de Pontes, aos 14 de junho de 1876. Filho do Coronel Antônio de Pontes Fiúza Lima e D. Umbelina de Carvalho Pontes.
Na cidade de Aracati fez os estudos primários com o Padre João Francisco Pinheiro, sendo que em 1892 transferiu-se para Fortaleza, aqui ingressando no Instituto de Humanidades, dirigido pelo Monsenhor Vicente Salazar da Cunha, concluindo o referido curso no Liceu do Ceará, onde iniciou os preparatórios, terminado-os em Recife, no Curso Anexo, em 1898, quando ingressou na Faculdade de Direito, para sair bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, aos 7 de dezembro de 1902.
Depois de formado, foi nomeado Promotor de Justiça de Monte Alegre, no Pará e, em 1903, promovido a Juiz Municipal Substituto da Comarca de São Miguel do Guará, no mesmo Estado.
Criada a Faculdade Livre de Direito do Ceará, em 1903, para a mesma foi nomeado Secretário, por ato de 14 de março de 1904, passando, a 14 de agosto de 1906, a ocupar o cargo de lente substituto de Direito Penal, sobressaindo-se como professor emérito e competente. Em 2 de abril de 1907, ainda integrando o corpo docente da Faculdade, recebeu do diretor da Instituição o grau de Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais e no mesmo ano escreveu Memória Histórica da Faculdade Livre de Direito do Ceará e dirigiu o curso complementar de praxe forense.
Envolvendo-se com as idéias políticas da época, foi feito Deputado à Assembléia Legislativa do Ceará, nas legislaturas de 1905 a 1908 e de 1909 a 1912.
Contudo, foi na literatura que Antônio Fiúza de Pontes veio a se consagrar. Participou ativamente dos movimentos literários de vanguarda de sua época. Pertenceu ao Centro Literário, fundado em Fortaleza aos 27 de setembro de 1894, em cujas sessões leu os versos do seu livro Myosotis, que não chegou a publicar. Contado entre os criadores do grupo literário Plêiade, fundado na capital cearense aos 15 de setembro de 1908, do qual foi presidente.
Poeta de elevada inspiração, “foi um perfeito temperamento de artista e um dos nossos melhores líricos”, na opinião abalizada de Mário Linhares. Publicou poesias esparsas na imprensa daqui e de outros Estados, especialmente no jornal A Repúbliuca e na revista Iracema, esta última, órgão do Centro Literário. Seu nome continua presença obrigatória em quase todos, senão em todos os compêndios que até agora tem focalizado a nossa evolução literária.
Além de Myosotis, deixou mais dois livros inéditos: Flores e Dos Tempos Idos, tendo falecido na capital alencarina aos 19 de fevereiro de 1909. Entre as homenagens que lhe foram prestadas, é hoje nome de rua em Fortaleza.(DIMAS MACEDO).
CADEIRA Nº 37
Cristina Maria de Almeida Couto (Acadêmica)É natural de Lavras da Mangabeira – CE., Jornalista, Publicitária, Pós-graduada em Marketing Político, Assessoria de Comunicação e Metodologia do Ensino Superior. É Assessora Parlamentar na Câmara de Vereadores de Fortaleza, professora titular da Disciplina Realidade Socioeconômica e Política Brasileira na Faculdade Evolutivo, diretor de marketing da Academia Lavrense de Letras, interlocutora do Consulado de Portugal em Fortaleza e promotora dos Colóquios Lusófonos no Ceará. Publicou em agosto de 2010, o livro de ensaio sobre Chico Buarque de Hollanda, intitulado – As Cidades de Chico Buarque. Obra que hoje faz parte do "Acervo da Memoria Nacional", da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; da Fundação Casa de Rui Barbosa e Real Gabinete Português de Leitura. Ainda pela mesma publicação recebeu "voto de congratulação" da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, Requerimento de autoria do deputado estadual Heitor Férrer e, da Câmara Municipal de Fortaleza, Requerimento de autoria do vereador Marcelo Mendes. Idealizadora, fundadora da Associação dos Filhos e Amigos de Lavras da Mangabeira – AFALAM - Ocupando os seguintes Cargos: 1ª Secretária,Presidente,Diretora de Cultura, Vice-presidente, 2ª Secretária, Membro do Conselho Consultivo. Membro efetivo do Conselho Fiscal do Centro Cívico e Educacional de Messejana. Representante da Paróquia de São José e da AFALAM na 1ª Coferência Nacional de Segurança Pública – ETAPA MUNICIPAL. Delegada pela sociedade civil e representante da Paróquia de São José e da AFALAM - 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública – ETAPA ESTADUAL; Representante da Paróquia de São José no Fórum de Debates Elos e Ecos dos Conflitos Socio-ambientais do Ceará; Coordenadora, organizadora e executora da Assembléia de Segurança Pública da Paróquia de São José; Conselheira do Cariri Cangaço; Mestranda da UFC em Educação Brasileira e atual presidente da Academia; Secretária de Cultura de Lavras da Mangabeira - 2-13/2016; Construção e Manutenção das Páginas na INTERNET:
http://paroquiadesaovicenteferrer.blogspot.com/
http://familiaaugusto.blogspot.com/
http://lavrasdamangabeirace.blospot.com/
Elaborou e Coordenou a Semana da Consciência Negra de Fortaleza/2006 - Prefeitura Municipal de Fortaleza, SEPPIR, FUNDAÇÃO PALMARES, PNUD.
http://familiaaugusto.blogspot.com/
http://lavrasdamangabeirace.blospot.com/
Elaborou e Coordenou a Semana da Consciência Negra de Fortaleza/2006 - Prefeitura Municipal de Fortaleza, SEPPIR, FUNDAÇÃO PALMARES, PNUD.
Elaboração e Coordenação do Projeto “Ceará Quilombola – O Ceará que ninguém ver” - Vice-Prefeitura de Fortaleza/2006.
Fonte: Dimas Macedo
Fonte: Dimas Macedo
“Dona de uma beleza helênica, alta, esbelta e fisicamente perfeita”, segundo o historiador Otacílio Anselmo, Balbina Lídia Viana Arraes nasceu na Vila de São Ferrer das Lavras, aos 05 de dezembro de 1862, sendo filha de João Casemiro Viana Arraes e Mariana Infante Lima.
Ainda para o mesmo historiador, “é possível que tenha feito os seus primeiros estudos no próprio lar, tendo como professores seus pais, pois à época não havia estabelecimentos públicos e nem particular de ensino”, o que deve ser tomado como um grande equívoco, pois a partir de 1856 já existia, na Vila de Lavras, segundo a historiadora Rejane Augusto, uma cadeira pública de ensino para o sexo feminino, regida pela professora Generoza Cândida de Albuquerque.
É possível, sim, que a menina Balbina Lídia tenha sido aluna da professora Francisca de Mendonça Albuquerque Moraes, e deve ter tido uma juventude fulgurante, porque efetivamente bela e amplamente culta e erudita foi essa ilustre lavrense nascida no século dezenove.
Em 1884, aos 22 anos, foi levada a Fortaleza, onde submeteu-se a concurso para o Magistério Público, no antigo Liceu do Ceará, sendo aprovada com altivez. No ano seguinte, mais precisamente a 16 de janeiro de 1985, ingressou como professora da Instrução Pública do Estado, por nomeação do Presidente da Província, Honório Benedito Ottoni, o mesmo que elevou a sua terra natal à categoria de cidade, aos 20 de agosto de 1884.
Na qualidade de uma das primeiras professoras públicas do Ceará, Balbina começou sua carreira no magistério público cearense com bastante ânimo e determinação, primeiramente em Caririaçu, dali iniciando uma verdadeira maratona pelas vilas e cidades da região sul do Ceará.
Em 21 de novembro de 1887, foi transferida para a vila de Várzea Alegre, onde casou-se com Lydio Dias Pedroso, farmacêutico, natural do Crato e cidadão cujas convicções políticas eram opostas à situação dominante. Esse acontecimento mudou a vida da professora Balbina, pois determinou as sucessivas remoções da mesma para localidades as mais variadas.
Em 04 de setembro de 1890, no governo de Luiz Antônio Ferraz, foi designada professora pública da sua terra natal, segundo Otacílio Anselmo, mas para Rejane Augusto ela teria entrado no exercício do cargo a 16 de janeiro de 1888, ali permanecendo até 17 de março de 1892.
Com efeito, nesta última data, na gestão Benjamim Liberato Barroso, foi removida para Barbalha. E dessa cidade, em 09 de setembro de 1893, foi transferida para o ensino misto da cidade de Iguatu, onde se demorou menos de um ano, pois a 27 de junho de 1894, pelo mesmo governante acima referido, foi deslocada para Várzea Alegre.
Finalmente, a dia 25 de junho de 1898, foi transferida para a vila de Brejo Santo, pelo presidente Antônio Pinto Nogueira Acióli. Mas com o falecimento do seu esposo, a 20 de agosto de 1898, a vida nômade de Dona Balbina chegou a um fim, iniciando-se aí a sua fase de maturidade como civilizadora social maior de Brejo Santo.
A primeira escola pública daquele município, dirigida por Dona Balbina, foi instalada na Rua da Taboqueira, numa sala de propriedade do Coronel Basílio Gomes da Silva, chefe do executivo municipal entre 1893 e 1909, sendo depois transferida para o centro da cidade.
Após o falecimento do seu esposo, que lhe deixou apenas uma filha, Balbina Lídia passou a ter a companhia do seu irmão, o Padre João Casimiro Viana Arrais, que chegou a Brejo Santo, como vigário, em 1903, impulsionado por uma ânsia de progresso e desenvolvimento que ainda chama a atenção dos historiadores daquele município.
A 20 de abril de 1911, no entanto, dá-se a morte do Padre João Casemiro, com a idade de apenas 36 anos, e Dona Balbina Arrais, ainda que sozinha, resolve levar adiante a sua bandeira de lutas e de ações nos campos da vida social, educacional e religiosa daquele lugarejo, não parando mais de trabalhar, mesmo diante da sua aposentadoria, ocorrida a 16 de setembro de 1919.
No posto de professora pública de Brejo Santo foi sucedida pela sua própria filha, Balbina Pedrosa Viana Arrais (Dona Pedrosinha), diplomada também em Fortaleza e que fez fortuna na educação daquele município.
Jamais se aposentando da sua condição de Mestra e viveu até os últimos anos da sua proveitosa existência sempre rodeada de alunos, especialmente de crianças, que buscavam extrair dela as suas histórias e lições e o seu fulgor educacional.
No plano da vida religiosa, fez-se igualmente notória a sua atuação. Foi presidente do Apostolado da Oração, desde a sua criação pelo Padre Viana até o seu falecimento, dirigindo também naquela localidade a Confraria de Nossa Senhora do Carmo, fundada pelo Padre Monteiro.
Não se conformando, contudo, com a religiosidade do povo de Brejo Santo, afixou, em um dos cerros que ladeiam a cidade, um majestoso Cruzeiro, que ainda hoje ainda hoje ali permanece, e que se transformou, com o tempo, em símbolo de fé e de peregrinação.
Faleceu Dona Balbina Lídia aos 28 de fevereiro de 1951, aos oitenta e nove anos de idade, na mesma residência que edificou juntamente com o seu irmão, o Padre João Casemiro Viana Arraes, e que passou para a história do Cariri como o nome de Solar dos Arrais, uma das mais belas edificações do Ceará.
Era uma criatura de raríssimo valor. Caráter sem jaça e espírito cristão por excelência, possuía um equilíbrio moral a toda prova, era portadora de uma social impressionante e a todos cativava com a sua postura de senhora altiva e sempre decidida diante das coisas do saber.
Conhecendo o resplendor da sua trajetória e a sua luta persistente em favor da causa da cultura e da educação, em 2010 propus o seu nome para a condição de Patrona da cadeira nº 36 da Academia Lavrense de Letras, destacando, por igual, no meu livro Literatura Lavrense – Notas Para a Sua História (Fortaleza, Edições Poetaria, 2010), que Balbina Lídia foi “a mais ilustrada e erudita lavrense nascida no século dezenove, com ressonância em todo o Ceará”.
Recortes da sua biografia edificante foram tracejados por Otacílio Anselmo em dois excelentes artigos estampados na revista Itaytera, do Instituto Cultural do Cariri, e outros depoimentos sobre a sua vida e a sua obra de educadora podem ser consultados em vários sites da internet.
Dona Balbina Lídia, de forma induvidosa, é um dos orgulhos do município de Lavras, ao lado do seu irmão, João Casimiro Viana Arrais, que se encontra biografado no meu livro Lavrenses Ilustres, e que foi um dos grandes intelectuais do Cariri, no início do século precedente.
Fortaleza, março de 2011Dimas Macedo
CADEIRA Nº 36
Aury de Araújo Correia, conhecido, no mundo artístico brasileiro, como Aury Porto, face à sua atuação como ator e produtor teatral, é natural do sítio Cantinho, município de Lavras da Mangabeira-Ceará (27/06/1964), sendo filho de João Manoel Correia e de Maria Gessy de Araújo Correia, conhecida, carinhosamente, no seio da família, pelo nome de Jessé.
Realizou seus estudos primários em Lavras da Mangabeira, Senador Pompeu e Aracoiaba, localidades para onde sua família se transferiu, mas o seu aprendizado humanístico foi realizado em Fortaleza, onde concluiu o curso de Administração de Empresas, na Universidade Estadual do Ceará, depois de incursões pelos cursos de Química Industrial e Psicologia na UFC.
Paralelamente aos estudos universitários, freqüentou o Curso Básico de Teatro, no Curso de Arte Dramática da UFC, emigrando depois para São Paulo, almejando à carreira de teatrólogo e de ator, face aos apelos da sua vocação.
Em outubro de 1987, depois de duas semanas residindo em São Paulo, estreou na peça Leonce e Lena, juntamente com outros novos atores que, assim como ele, concretizavam sua primeira experiência no campo do teatro, isto com a montagem do texto do grande dramaturgo alemão Georg Büchner.
Entre 1988 e 1990, Aury Porto foi aluno especial e ouvinte em vários cursos de graduação e pós-graduação oferecidos pelo Departamento de Teatro da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Durante a década de 1990, desenvolveu, ainda mais, a sua aptidão para o teatro, estudando diversas técnicas de dança moderna e contemporânea, e assimilando aulas de canto popular e percepção musical, na Universidade Livre de Música de São Paulo.
Todos esses estudos, associados com técnicas de meditação, compõem hoje a qualidade da interpretação e dos recursos cênicos apresentados por esse grande artista brasileiro.
Nesses mais de vinte anos de trabalho com as artes cênicas, Aury exerceu as funções de diretor, produtor, professor de teatro, dramaturgo e adaptador, tendo feito performances de teatro-dança, montagens de peças de teatro e atuações no campo do cinema e da televisão.
Entre as suas realizações como ator e teatrólogo, podemos enumerar as seguintes: participação na peça As Matronas (dirigida por Paulo Faria, em 1992) e no monólogo Preso Entre Ferragens (dirigido por Eliana Fonseca e apresentado no Teatro Ruth Escobar, em 2000).
A sua participação na peça Boca de Ouro, sob a direção de Zé Celso Martinez Corrêa e exibida no Teatro Oficina de São Paulo, em 2000/2001, lhe deu o passaporte para a sua memorável atuação na peça Os Sertões, apresentada inicialmente na Alemanha e depois em diversas cidades brasileira, contando-se entre elas Canudos, na Bahia, e Quixeramobim, no Ceará.
Ainda no campo do teatro, atuou na peça Os Bandidos, de Friedrich Schiller, dirigida por Zé Celso Martinez Corrêa e apresentada em Mannheim, na Alemanha, em 2007, e no Teatro Oficina de São Paulo, em 2008.
Em 1998, roteirizou o espetáculo, na área do teatro-dança, Um Homem Comum, a partir do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa, com direção de David Schumaker e de Ary Porto; e em 2006 realizou a montagem da peça intitulada Cinzas, apresentada no Teatro Sesc - Pinheiros, a qual igualmente dirigiu, ao lado da dançarina Renée Gumiel, precursora da dança moderna no Brasil.
Durante os anos de 2008 e 2009, tendo por referência teatral a Mundana Companhia, trabalhou na adaptação e montagem do romance O Idiota, de Fiódor Dostoiévski, juntamente com a atriz Luah Guimarãez e a encenadora Cibele Forjaz, com apresentação entre março e maio de 2010, no Teatro Sesc - Pompéia, em São Paulo.
Adaptou e dirigiu, também, a novela intitulada A Queda, de Albert Camus, que foi exibida no Teatro Sesc - Consolação, em 2007, e no Teatro Oficina, em 2008, como primeira realização da Mundana Companhia, fundada por Aury, em pareceria com a atriz e diretora Luah Guimarãez.
Apesar de ser o teatro o seu campo privilegiado de atuação, participou como ator do filme de José Araújo, As Tentações do Irmão Sebastião, realizado no Ceará, em 2000, e apresentado no Cine Ceará, em 2006.
Na televisão, entre outros eventos, atuou nos seriados Carga Pesada, dirigido por Ary Coslov, e Carandiru – Outras Histórias, dirigido por Walter Carvalho, e bem assim na novela A Favorita, de João Emanuel Carneiro, todos exibidos pela Rede Globo de Televisão.
Aury, com o seu talento de ator, roteirista, produtor de teatro e diretor é um dos nomes do moderno teatro brasileiro que melhor se firmam no contexto das artes cênicas do Brasil, sendo orgulho do Ceará e das águas do Salgado e do município de Lavras que o viu nascer.( DIMAS MACEDO).

VICENTE DE PAROCA (Patrono)
Neto do poeta Fausto Correia de Araújo Lima e da sua primeira mulher, Olímpia de Araújo Lima (Lolô), Vicente Ferrer Lima ou Vicente de Paroca, como se tornou conhecido, na sua juventude, nasceu em Lavras da Mangabeira-Ceará, aos 07 de março de 1921.
Foram seus pais: Artur Correia Lima (filho de Lolô e de Fausto) e Maria Augusto Lima (Paroca), filha de Ana de Araújo Lima (Nanu) e de Antônio Carlos Augusto, conhecido por Boboi ou Caboclo Carlos.
Contam que a sua mãe era uma mulher de religiosidade exacerbada e que muito se orgulhava dos seus antepassados, especialmente do seu avô paterno, João Carlos Augusto, antigo Deputado Provincial e fundador da oligarquia-mor do Vale do Salgado.
O avô paterno de Vicente foi um dos maiores cantadores de viola do Ceará, na segunda metade do século dezenove. Estudou com o Padre Cícero Romão de Juazeiro, no Colégio do Padre Rolim, em Cajazeiras, na Paraíba, e depois se tornou amigo e compadre desse grande taumaturgo do Nordeste.
Vicente cresceu ao abrigo dessas influências, estudou com professores públicos em sua terra, participou do cotidiano da velha Princesa do Salgado, mas a sua vocação de artista sempre falou muito alto em sua alma, levando-o inicialmente para Fortaleza, onde foi aluno do tradicional Liceu do Ceará.
Um dos seus colegas de aventura juvenil, na época, Paulo Bonavides, fala, ainda hoje, com entusiasmo, da sensibilidade cultural de Vicente, destacando os encontros em sua residência, na Rua do Imperador, a sua intuição de artista e o cuidado especial do poeta com a sua cabeleira.
A era do rádio e os eflúvios culturais do pós-guerra pegaram o destino de Vicente Lima pela mão. Começou como cantor e locutor da Rádio Iracema de Fortaleza, passou depois por João Pessoa, pela Rádio Industrial de Juiz de Fora (MG), Rádio Guarani e Rádio Capital, de Belo Horizonte, e por diversas rádios dos Diários Associados, inclusive no Rio de Janeiro.
Além de radialista, atuou Vicente Lima como teatrólogo, ator, encenador, roteirista e diretor de musicais na agitada Belo Horizonte das décadas de 1950 e 1960, onde tornou-se figura popular, recebendo, inclusive, homenagem da Câmara Municipal daquela importante capital, em 09 de maio de 1996, mercê da sua militância cultural e do seu talento de artista.
Escreveu e encenou diversas peças de teatro, entre elas Jacanã (burleta em dois atos), Retalhos do Nordeste e O Espetáculo é Assim, nas quais coloca em discussão a bravura do vaqueiro, a alvorada no Nordeste, a hilaridade do cotidiano e a força indomável das nossas raízes populares.
Vicente Ferrer Lima ou ainda Vicente de Paroca, como carinhosamente a ele se referem os seus conterrâneos, sempre se deixou envolver pelo mais puro enlevo da poesia e pelas notas musicais que arrancou da sua alma de tenor e seresteiro, de compositor e de boêmio, e de intérprete maior de Vicente Celestino.
Em 1953 a sua marchinha de carnaval, Rosalina, alcançou primeiro lugar em concorrido certame musical em Juiz de Fora, realizando Vicente, por igual, diversas apresentações como cantor, destacando-se entre elas o Festival de Vicente Lima, a temporada na Boite Acaiaca, em Belo Horizonte, e a turnê ao lado de Oswaldina Siqueira, então cognominada a Princesa do Rádio.
O seu sucesso de compositor, cantor, tenor e seresteiro invadiu a década de 1960, e o resultado desse êxito expressou-se na gravação de discos e compactos, destacando-se entre todos aquele intitulado Baú da Saudade, que foi apresentado em forma de CD.
O conjunto dos seus poemas inéditos ou publicados em jornais e revistas foram por ele reunidos no livro Sertão Diferente e Outros Poemas, e outras tantas criações de sua autoria, no campo literário, estão sendo compiladas no volume Poemas e Canções, graças à atuação dos seus filhos Vicente Ferrer Lima Júnior e Geralda Soares Lima.
Em ambos, o traço indelével do seu jeito de ser, da sua alma romântica e enlevada, do seu amor ao Nordeste, ao Ceará e ao Brasil, não faltando a marca registrada do profundo amor à sua terra.
Lavras da Mangabeira e a brisa do Salgado, o Boqueirão de Lavras e o fervor de todos os seus conterrâneos e amigos orgulham-se desse grande poeta, cantor e seresteiro, falecido aos 09 de setembro de 2001.
A Academia Lavrense Letras, ciente do seu valor no plano cultural, o elegeu patrono de uma das suas Cadeiras, e o elegeu também para brilhar, entre os lavrenses que mais distinguiram a sua terra. (
(DIMAS MACEDO). Fortaleza, 05 de março de 2010
CADEIRA Nº 35
Madre Marieta Moura (Acadêmica)Entre as mais virtuosas filhas do município de Lavras da Mangabeira, destaca-se a Madre Marieta Moura, nascida no Sítio Melancias, localizado entre o Calabaço e a Várzea do Saco, nas proximidades da cidade de Lavras, a 29 de janeiro de 1929.
Na sua residência, povoada das necessidades próprias dos pequenos proprietários de terra, situados à margem esquerda do Riacho do Rosário, Deus ungiu ao seu chamado não apenas o seu nome e o seu fervor de amante de Cristo e da Igreja, mas também tocou o coração do seu irmão, o Cônego Horório de Moura, uma das mais expressivas figuras na Igreja Católica do Brasil, no século precedente.
Sua mãe, Vicência Maria das Virgens, era natural de Quitaius e descendia dos Amaros de Barros daquela importante região do município; seu pai, Joaquim Honório de Moura, provinha dos Gomes de Moura, que se estabeleceram, como ribeirinhos, nas margens do Salgado, em terras de baixios e de pequenas lavouras, onde se cultivavam o feijão-de-corda e o melão, a rapadura e outros produtos da roça e da vazante.
Sentindo-se, desde cedo, vocacionada para o serviço da fé, iniciou os seus estudos em sua cidade natal, no Grupo Escolar José Martins Rodrigues, e os prosseguiu no colégio Santa Teresa de Jesus, na cidade do Crato, isto até 1947, quando fez opção definitiva pela Congregação da Ordem de Santa Teresa, em princípio como aspirante e depois como postulante e Noviça.
Na mesma instituição, fez os seus primeiros votos de religiosa e votos de Consagração Perpétua, sagrando-se inicialmente freira e realizando depois o Curso Superior de Teologia, requisitos que a elevaram, como muita persistência, ao posto de Superiora Greral da Ordem de Santa Teresa de Jesus.
Como religiosa, trabalhou em diversos lugares do Brasil, distinguindo-se, mercê da sua vocação, em Estados como o Piaui, Maranhão, Paraiba, Ceará, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro, exercendo as funções de Conselheira, Ecônoma, Superiora e Supervisora da Ordem religiosa que a acolheu como postulante.
A serviço da comunidade a que pertence, visitou mais de uma dezena de países. Em Portugal, esteve na Basílica de Nossa Senhora de Fátima e na Capela das Aparições e, em Israel, peregrinou pelos lugares sagrados, visitando a Galiléia, Cesaréia, o Monte Carmelo, Cafarnaum, o Monte das Bemaventuranças, a Igreja da Multiplicação dos Pães e a Igreja do Primado, o que muito robusteceu a sua fé e a sua experiência de religiosa.
Viajou pelo Mar de Tiberíades e, no rio Jordão, teve confirmado o seu batismo, visitando, inclusive, Caná, Nazaré, a Basílica da Anunciação, Jerusalém, o Monte das Oliveiras, o Horto da Agonia, o Muro das Lamentações, a Piscina de Betesda e a Via Dolorosa, banhando-se por igual nas águas do Mar Morto.
Sentindo-se fascinada pela cultura dos antepassados, a Madre Marieta Moura deslumbrou-se, em suas viagens pelo mundo, com as Pirâmides do Egito, mas é certo que se sentiu também fascinada por Atenas, tendo marcado também a sua alma a sua passagem pelo Vaticano, pela Igreja de São Pedro e pela Capela Sixtina, tocando-lhe o coração de freira a bêncão que recebeu de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, em Castel Gandolfo.
Educadora, cultora do vernáculo, professora e humanista das mais qualificadas, a Madre Marieta Moura presta serviços atualmente na casa capitular da sua Congregação, localizada na rua José Honório Pequeno, s/n, Estrada do Lameiro, na cidade do Crato, onde atende a seus devotados seguidores.
Em agosto de 2009, aos oitenta anos de idade, tomou posse na Cadeira nº 35 da Academia Lavrense de Letras, cujo patrono é o seu irmão, o Cônego Honório Joaquim de Moura, tratando-se, como se pode observar facilmente, de um dos maiores nomes que o Ceará deu à Igreja Católica do Brasil.
A Madre Marieta Moura, pela vastidão de seus conhecimentos e em face da sua vocação, instiga-nos a pensar na abenegação de outras grandes mulheres lavrenses que se dedicaram à causa de Deus e da Igreja, tais os nomes de Inês Férrer Augusto Lima, Paula Senhorinha Alves Bezerra, Aurélia Teixeira Férrer e Divina Olindina Leite.
Não é exagero, portanto, dizer que Lavras da Mangabeira é um celeiro de filhos ilustres, e que não fui longe, no início da minha carreira, ao tracejar os perfis de uma centena de lavrenses, que muito alto se houveram no remate de suas trajetórias. (DIMAS MACEDO).
Honório Joaquim de Moura (Patrono)O município de Lavras da Mangabeira e a brisa serena do Salgado deram, à constituição do clero cearense, um total de quarenta sacerdotres, sendo que oito, entre eles, se fizeram prelados. Miguel Antônio de Souza, Sandoval Teixeira Férrer e Honório Joaquim de Moura foram distinguidos com o título de Cônego. Já Manuel Roberto Sobreira, Vicente Pinto Teixeira, Manuel Carlos de Moraes, Alonso Benício Leite e José Edmilson de Macedo foram elevados, pelo Vaticano, à condição de Monsenhores.
Honório Joaquim de Moura, filho de Vicência Maria das Virgens e de Joaquim Honório de Moura, descende de imigrantes paraibanos que se fixaram nas margens do Riacho do Rosário, próximo à confluência deste com o Rio Salgado. Nasceu no Sítio Melancias, em trecho de terra também conhecido por Melancia dos Honórios, aos 06 de dezembro de 1927, tendo falecido no Rio de Janeirio, aos 28 de outubro de 2005.
Pertence a uma prole de oito irmãos, a seguir nominados: José Joaquim, Francisca de Assis, Maria de Jesus (residente em Juazeiro do Norte), Júlia Vicência (moradora no Rio de Janeiro), Paulo Joaquim (residente em Brasília), Luiz Joaquim (falecido) e Madre Marieta Moura, Superiora da Congregração das Filhas de Santa Teresa, titular da Cadeira 35 da Academia Lavrense de Letras e orgulho máximo do seu município de origem.
O seu genitor, Joaquim Honório de Moura, era parente, por sinal muito próximo, de Dom Zacarias Rolim de Moura, Bispo Emérito de Cajazeiras, no Estado da Paraiba, confirmando, assim, a trajetória dos Mouras que, originários de Portugual, povoaram diversas faixas de terra do Nordeste.
Iniciou o seu aprendizado em sua cidade natal, entre 1937 e 1942, prosseguindo os seus estudos, entre 1942 e 1948, no Seminário do Crato (onde sua irmã, Madre Marieta Moura, foi aluna do Colégio Santa Teresa até 1947, quando fez opção pela Congregação a que hoje pertence).
A sua vocação ao sacerdócio foi despertada aos dez anos de idade, sendo influenciada pelos Frades Capuchinhos e especialmente por Frei Damião de Bozzano, o célebre missionário do Nordeste, cujas prédicas e sermões acompanhava com entusiasmo, quando das passagens das santas missões em sua terra.
Em Fortaleza, foi aluno do tradicional Seminário da Prainha, onde iniciou e concluiu o seu Curso de Filosofia, nos anos letivos de 1949 e 1950. Já o Curso de Teologia foi todo ele realizado no Seminário São José do Rio Comprido, Estado do Rio de Janeiro, entre 1952 e 1956.
Ordenou-se na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca, sendo ungido sacerdote por Dom Jaime de Barros Câmara, em 29 de junho de 1956. A sua primeira missa foi celebrada na Igreja da Imaculada Conceição, na Praia de Botafogo, e a sua primeira missa cantada se fez na Igreja de Santa Teresinha do Túnel Novo, igualmente no Rio de Janeiro.
Entre 1957 e 1963, foi Professor, Prefeito e Diretor Espiritual do Seminário São José, no Rio de Janeiro, onde lecionou Português, História do Brasil e História Geral. Em seguida, se fez vigário da Paróquia de São Francisco Xavier (1964) e pároco da Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Tijuca, entre 1965 e 1986.
Foi Capelão da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro (1986-1993), vigário da Paróquia de São Pedro e São Paulo, no sul de Bronx, em Nova York, Estados Unidos (1993-1996) e vigário, por igual, da Paróquia de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, de 1996 até a data do seu falecimento, tendo, nesta última função, se distinguido, de forma soberana, no exercício do seu apostolado.
Ainda quando residente em Nova York, alí publicou o seu primeiro livro - Retrato do Vovô Quincas (1995), inventário de recordações e de afetos do seu pai, Joaquim Honório de Moura, e dos seus irmãos. O livro é dedicado à sua mãe, Vicência Maria das Virgens, e traz apresentações em inglês, do Padre Vicente A. Resta, e em respanhol, de Ruben Dario Rivera Figueroa, representante da Comunidade Hispânica da Paróquia de São Pedro e São Paulo.
Nos Estados Unidos, como registra num dos seus livros, fez Estágio de Pastoral Hospitalar (Withier-Los Angeles); e na Alemanha foi Assistente da Capelania no Convento de Wittibsmuhle (em Moosburg), tendo sido também Capelão de Bordo do Navio Português Vera Cruz, numa das viagens Rio-Lisboa-Rio.
Em suas viagens pelo mundo, afirma que conheceu templos e lugares sagrados os mais variados, e assim também os Santuários de Fátima (Portugal), Lourdes (França), Guadalupe (México), Nossa Señora de Lujan (Argentina);os da Misericórdia (New Jersey) e de NossaSenhora (Massachesetts), nos Estados Unidos.
O que marcou, contudo, a sua rica e brilhante trajetória de servo de Deus e da Igreja, parece ter sido a sua condição de Cônego da Irmandade de São Pedro Apóstolo, junto à Arquidiocese do Rio de Janeiro, onde realizou trabalho memorável e de ampla repercussão social e pastoral.
Além da Filosofia e da Teologia, graduou-se também em Direito, no Rio de Janerio, e se houve, perante os seus superiores, como autoridade em diversas línguas estrangeiras, destacando-se entre elas o inglês e o latim, desfrutando, com justo merecimento, a reputação de erudito, circunstância que muito concorreu para ser titulado como um dos Patronos da Academia Lavrense de Letras.
No Ceara, celebrou sua primeira missa em Iguatu, e a segunda foi realizada na Igreja Matriz de Acopiara, localidades para as quais se transferiram, respectivamente, os seus irmãos José Joaquim e Francisca de Assis.
Ao falecer, deixou um manuscrito inédito – História de Um Levita - , publicado em 2006, no cinquentenário da sua ordenação e distribuído entre os seus paroquianos. Trata-se de um auto de fé e esperança, onde narra os desafios da sua caminhada e os apelos da sua vocação, tendo os seus restos mortais sepultados no Cemitério São Francisco de Xavier, no Rio de Janeiro, também conhecido por Cemitério do Caju.
Entre todos os sacerdotes nascidos no município de Lavras, o Cônego Joaquim Honório de Moura reluz, pelas suas virtudes e saberes, no diadema da primeira constelação, ao lado de Raimundo Ricardo Sobrinho, Alonso Benício Leite, Argemiro Rolim de Oliveira, Manoel Lemos de Amorim, Clairton Alexandrino de Oliveira e José Edmilson de Macedo, sem desmerecimento dos demais.
Segundo o Padre Aureliano Diamantino Silveira, no seu livro Ungidos do Senhor na Evangelização do Ceará (Fortaleza, Editora Premius, 2004), tinha o Cônego Honório de Moura por lema o seguinte pensamento: “Creio na Igreja de Jesus Cristo, na sua face humana e divina, onde me alegro profundamente em exercer o ministério como dispensador dos mistérios de Deus”.
Orgulho-me de ter proposto o seu nome para Patrono da Academia Lavrense de Letras e de nunca ter desistido de pesquisar a sua rica trajetória, desde a publicação do meu livro Lavrenses Ilustres, em 1981.
A sua irmã, a Madre Marieta Moura, nascida aos 27 de janeiro de 1929, destacou-se, assim como ele, por conta do seu fervor religioso e humanista, tendo sido, assim no Ceará como no Piauí, e em diversos Estados do Brasil, Superiora Geral da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus. (DIMAS MACEDO).
CADEIRA Nº 34
Maria Lúcia Macedo Maciel (Acadêmica)
Filha de José Zito de Macêdo (Zito Lôbo)
e Maria Eliete de Macêdo, nasceu Maria Lúcia de Macêdo Maciel, aos 21 de
setembro de 1949, no Sítio Calabaço, município de Lavras da Mangabeira-Ce.
Estudou as primeiras letras com as professoras Adelice Macêdo e Juliêta Filgueiras, ingressando
posteriormente no Patronato São Vicente Ferrer, na sua terra natal.
Prestou “Exame de Admissão ao
Ginásio” no ano de 1961, realizando o curso na Escola Normal Rural de Lavras da
Mangabeira, recebendo o diploma de
Regente do Ensino Primário, em 13 de dezembro de 1964.
Diplomou-se Professora Normalista em 1967, pela Escola Normal Rural de
Juazeiro do Norte-Ce.
Em 1968 prestou exame vestibular para a Faculdade de Filosofia do Crato,
em Crato-Ce, onde cursou 02(dois) anos, transferindo-se para a Faculdade de
Filosofia do Ceará, em Fortaleza, onde concluiu seu curso superior em Pedagogia
com habilitação em
Orientação Educacional , em dezembro de 1972.
Na Faculdade de Filosofia do
Ceará cursou, concomitantemente, as Habilitações Pedagógicas Superiores em
Supervisão do Ensino e Administração Escolar (1973 e 1974).
Na Universidade Estadual do Ceará realizou o curso de Habilitação
Superior em Inspeção de Ensino, nos anos 1990/1991.
É pós-graduada em “Metodologia do Ensino Superior” pela Universidade
Estadual do Ceará, defendendo monografia intitulada : “INTERIORIZAÇÃO DA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEAR5Á UMA TENTATIVA DE ANÁLISE ”.
Iniciou sua vida profissional
como professora primária no Colégio Pio X, em Crato-Ce, onde atuou nos anos de
1968 e 1969.
Em Fortaleza-Ce, na área da educação, exerceu as funções a seguir
elencadas: Professora do Curso Normal do
Colégio Agapito dos Santos (1971-1976); Professora do Curso Normal do Instituto
de Educação do Ceará(1974-1978); Orientadora Educacional do Colégio Estadual
Joaquim Nogueira (1973-1979); Supervisora Pedagógica da Televisão Educativa do
Ceará (1975-1979); Diretora Pedagógica do Colégio Joaquim Nabuco(1981-1982);
Orientadora Educacional integrante da Seção Técnica de Orientação Educacional
da 1ª Delegacia Regional de Educação (1979-1983); Inspetora de Ensino da 1ª
Delegacia Regional de Educação (1988-1993); Professor Assistente da Fundação
Educacional do Estado do Ceará Ceará (1976-1977); Professor Assistente da Universidade
Estadual do Ceará (1978-1987);Professor Adjunto da Universidade Estadual do
Ceará (1987-1996); Diretora do Núcleo de Auxílio Institucional da Fundação Cearense
de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FUNCAP (1996-2004).
Afora as atividades acima relatadas
desempenhou ainda as atribuições : Chefe da Seção Técnica de Orientação
Educacional da 1ª Delegacia Regional de Educação (1982); Membro da Comissão
Paritária Permanente do Pessoal do Magistério da Rede Oficial de Ensino do
Estado do Ceará, de 1984 a
1987, por nomeação do Governador do
Estado, publicada no D.O de 29/05/84;
Chefe do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual do
Ceará (1988-1989), sob Portaria nº 362/88 do Magnífico Reitor da UECE;
Assessora da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Estadual do Ceará
(1983-1987); Diretora do Departamento de Programas Especiais da Pró-Reitoria de
Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Estadual do Ceará (1993-1996) por
designação do Reitor da UECE – Portaria 1674/93; exerceu as funções de
Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Estadual do Ceará, em
substituição ao seu titular, sob Portarias
nº 00297/95 e 00684/95 do Magnífico Reitor da UECE; Chefe de Gabinete da
Reitoria da Universidade Estadual do Ceará
de 2004 a
2008, sob Portaria nº 1117/2004 do Magnífico Reitor da UECE, publicada no
Diário Oficial do Estado em 01/09/2004.
É co-autora nas seguintes publicações:
“Projeto Integração Escolar” –
Secretaria de Educação do Ceará, 1983; “Manual de Orientação Básica para o
Inspetor de Campo” – Secretaria de Educação do Ceará, 1989; “Diretrizes
Normativas para Concessão de Autorização Temporária ao Exercício do Magistério
de Primeiro e Segundo Graus “ – Secretaria de Educação do Ceará, 1992;
“Manual de Instruções Básicas para Aplicação da Legislação do Ensino” –
Secretaria de Educação do Ceará; “Pesquisa e Pós-Graduação na UECE – Uma
Retrospectiva” – Universidade Estadual do Ceará, 1996; “Plano de Capacitação
Docente” – Universidade Estadual do Ceará, 1996.
Sócia do Rotary Club de Fortaleza Praia,
onde já exerceu as funções de Presidente da Comissão de Relações Públicas,
Presidente da Comissão de Administração ,
Oficial de Intercâmbio, Diretor
de Protocolo, Diretor de Boletim, dentre outros.
Nessa instituição , no ano rotário
2009/2010 foi eleita “COMPANHEIRA DO ANO’’, reconhecimento pelas contribuições
oferecidas ao ROTARY e pela defesa dos ideais dessa organização reconhecida
mundialmente e em 2016, recebeu o título de “Mulher do Ano”, recebendo o troféu
“HORTULANA LINHARES’’que , anualmente, homenageia mulheres que se destacam na
sua trajetória de vida nos vários papéis que desempenha. Comendas outorgadas
pelo Conselho Diretor do Rotary Clube de Fortaleza – Praia.
Fonte: Lúcia Macedo.
MARIA AUGUSTO FÉRRER LIMA (Patrona)
Moreninha Augusto, como era conhecida, nasceu na Fazenda São Domingos, Município de Lavras da Mangabeira, aos 07 de maio de 1910, sendo filha do Coronel Raimundo Augusto Lima e Maria Cira Férrer Lima.
Aprendeu as primeiras letras no Grupo Escolar da sua terra natal, então dirigida pela professora Amélia Braga de Morais. Posteriormente, freqüentou o Colégio das Irmãs de Santa Dorotéia, em Cajazeiras, na Paraíba, e em Fortaleza, concluindo os seu estudos secundários no Colégio Santa Teresa de Jesus, do Crato, onde diplomou-se Professora, aos 27 de novembro de 1932.
No ano imediatamente posterior, ingressou no magistério público estadual, mediante ato do então Interventor do Governo do Ceará, Coronel Roberto Carneiro de Mendonça, que a nomeou para exercer o cargo de Professora do Grupo Escolar de Lavras da Mangabeira.
Pouco tempo depois, foi investida na função de Diretora do mesmo estabelecimento de ensino, em cujo desempenho permaneceu até 1947, quando, por designação do Governo do Estado, viajou para o Rio de Janeiro, para ali realizar cursos de especialização no Ministério da Educação e Cultura.
Na Capital da República, depois de realizados diversos estágios de aperfeiçoamento, ingressou na Escola de Serviço Social do Instituto Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, por onde diplomou-se em Serviço Social em dezembro de 1952, obtendo o Grau de Assistente Social mediante tese intitulada “Uma Experiência de Serviço Social de Grupo”, dissertação constante de livro de 140 páginas, impressa pela Gráfica Olímpica Editora, do Rio de Janeiro, em 1952.
Foi uma das primeiras mulheres a se graduarem em Serviço Social, no Brasil, e talvez a primeira cearense a se diplomar nesta profissão em curso de nível superior.
Formada, regressou ao Ceará, onde, por alguns anos, desenvolveu atividades profissionais como Assistente Social do Conselho de Contas dos Municípios, anteriormente denominado Conselho de Assistência Técnica aos Município.
Entretanto, o que realmente marcou a sua vida profissional foi a sua brilhante atuação, no decurso de vários anos, como Assistente Social do Serviço Social da Indústria, no Rio de Janeiro, onde, entre outras atribuições, exerceu as elevadas funções de Chefe do Setor Social do Departamento Nacional do SESI.
A Dra. Morenhinha Augusto faleceu no Rio de Janeiro, aos 22 de novembro de 1981, sendo porém sepultada no Cemitério de sua terra de berço, como bem relata notícia veiculada no jornal O Povo, de Fortaleza, edição de 29 de novembro do mesmo ano.
O seu livro Manual da Mulher, cujos originais, ao morrer, deixara encaminhados ao prelo, foi publicado em 1982. Trata-se de trabalho todo ele resultado de profundas reflexões em torno da participação da mulher no processo de construção do edifício familiar. É o testemunho maior da sua experiência profissional e da sua atividade de escritora e humanista.
A Dra. Moreninha Augusto, sendo “inteligente e perspicaz, destacou-se sempre pelo admirável descortino demonstrado no desempenho de suas atividades, imprimindo cunho eminentemente humano à solução dos problemas submetidos ao seu exame, preocupada sobretudo em conciliar a rigidez fria da lei com a realidade palpitante da vida”. É o que sobre si sentencia o seu irmão Dr. Vicente Férrer Augusto Lima no prefácio que escreveu para o seu póstumo Manual da Mulher.
Fonte: Dimas Macedo
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