domingo, 14 de junho de 2009

Lá qualquer dia

Emerson Monteiro

A função de escrever resulta, de tempos em tempos, nalgumas providências que independem da pura vontade individual. Quando menos se espera, volta a antiga pulsão de tanger no branco da folha palavras, as quais reunidas produzem sons inteligíveis para nós e para outros. Sons e pensamentos. Algo semelhante, quero crer, à disposição dos pássaros de trinarem no alto das árvores, isto sem que recebam comandos. As flores de se abrirem no vergel. Os sapos de croaxarem nos brejos. As lesmas de deixarem rastros brilhantes nas paredes. Etc. Nisso, retornam os questionamentos do que, em essência, satisfaz o viver de cada um.
Tempos atrás, coisa de poucos anos, andei lendo a propósito de uma nova disciplina que se desenvolve no Brasil, sobretudo para as bandas do Rio Grande do Sul. A Filosofia Clínica. Trata-se de jeito nascido nos cafés filosóficos de Paris, quando o conhecimento da Filosofia torna-se veículo suficiente a tratar de situações pessoais de conflito e instrumentar os clientes para, por si, responder às grandes questões pessoais da existência. Diante desse encaminhamento, encontram as soluções necessárias a viver em paz, conciliar-se com o universo em volta.
Na realidade, há que se achar o motivo do ato de conhecer. Afinal, na busca de explicação para o existir, nos deparamos com infinitos recursos através do estudo. Não fosse a tal maneira, para que tanto furor de pensar e aprofundar pesquisas quanto a alma?
Bom, as escolas religiosas atuais, ainda que busquem na oração, no trabalho, ritual, comunidades, multidões, meios de ampliar seu público para a Salvação, dispõe, nos inícios, das justificativas filosóficas necessárias a neutralizar as correntes contrárias e os adversários materialistas. Todas dispõem das bases doutrinárias que lhes dão respaldo, no correr das formações originais.
Haja um tempo de aprofundar perguntas e as grandes questões da existência (de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos?, base primeira da Filosofia), e nuvens se condensam para chover conceitos fundamentais a estruturar o pensamento como um todo útil e necessário.
Nos mergulhos intensos das indagações, surge matéria prima às atitudes. Desde o modo niilista, do nada em troco de existir, o materialismo puro, ao misticismo extático, que justifica e conduz à perene felicidade, quando se apresenta o gosto religioso de caminhar nas trilhas deste mundo.
O importante nisso tudo representa a auto-suficiência que persistir e aceitar o veículo do pensamento qual fórmula clássica do encontro consigo próprio, com os outros e com a realidade viva da existência.

sábado, 13 de junho de 2009

HOMENAGEM A FILGUEIRAS LIMA

Convite

Acadêmicos/as da Academia Lavrense de Letras, por seu Presidente, Professor João Gonçalves de Lemos, convidam V.S.a e família para a solene homenagem ao ilustre e saudoso lavrense, poeta e educador Antônio Filgueiras Lima, Patrono da Cadeira 03, ocupada pela Escritora Neide Freire, no seu centenário de nascimento. O Presidente de Honra da Academia, Poeta e Escritor Linhares Filho fará pequena exposição, seguida de debate. O evento ocorrerá no dia 19/06/09 (sexta-feira), às 8h15min. no Auditório do Colégio Lourenço Filho, Rua Barão do Rio Branco, 2101 - Centro - Fortaleza-Ce.

João Gonçalves de Lemos

Presidente

Informações: 3226-4173 (Jeová Batista)

3219-6988 (Mário Bezerra)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

ÁLBUM DO 1º ANIVERSÁRIO DA ALL



Bandeiras: Academia Lavrense de Letras, do Brasil e de Lavras da Mangabeira.




















Vera Lúcia Fernandes e Dra. Glaura Férrer.




João de Lemos e Lúcia Maciel.



















Glauber, Fátima e Adauto de Lemos.



Gilson Maciel, Dimas Macedo e Dra. Glaura Férrer.

















Dimas Macedo entregando o medalhão ao Pe. Clairton






Padre Clairton exibindo a bandeira da Academia Lavrense de Letras


















Acadêmicos: Linhares Filho, João de Lemos, Pe. Clairton, Jeová Batista, Dimas Macedo e Jeová Batista.





João de Lemos, Pe. Clairton, Dimas Macedo e Dra. Glaura Férer.






















Padre Clairton ministrando palestra.

Jeová Batista explicando aos presentes o significado da bandeira da Academia.


















Aplausos no encerramento da solenidade.


Presidente João de Lemos e o presidente de honra Linhares Filho.

















João de Lemos, Linhares Filho e Mariazinha.


Acadêmicos: Mário, Pe. Clairton, Jeová Batista, João de Lemos, Carmosa, Dra. Glaura, Dimas e Gilson Maciel.
















Os presidentes: Linhares Filho, João de Lemos e Dimas Macedo no momento de partir o bolo.


Jeová Batista, Linhares Filho, João de Lemos, Carmosa, Dimas Macedo e Mário Bezerra.


















João de Lemos, Dimas Macedo, Raimundo Pinto e esposa.

Nena e Padre Clairton.

terça-feira, 9 de junho de 2009

ANIVERSÁRIO DA ACADEMIA LAVRENSE DE LETRAS


No dia 1º de junho último a Academia Lavrense de Letras comemorou seu primeiro aniversário de existência. O evento ocorreu no tradicional Seminário da Prainha e, na oportunidade, o acadêmico Padre Clairton Alexandrino de Oliveira pronunciou brilhante conferência alusiva ao centenário de nascimento de Dom Hélder Pessoa Câmara, seguindo-se proveitoso debate entre os presentes. A Professora Lucili Grangeiro Cortez, membro da Academia de Ciências Sociais do Ceará, ocupante da Cadeira 33, cujo Patrono é o ilustre prelado, contribuiu com importante participação no debate, além da participação de acadêmicos/as e convidados/as, entre as quais Linhares Filho e Dimas Macedo, respectivamente, Presidente de Honra e Primeiro Presidente da ALL. Após a solenidade foi servido coquetel de confraternização, não faltando um Bolo preparado pelas senhoras esposas dos acadêmicos. O Secretario Geral, acadêmico Jeová Batista de Moura, registrou esse importante acontecimento cultural, fotografando vários momentos da solenidade que, certamente, exibirá as fotos através das páginas que a ALL mantem na internet.
Estamos de parabéns, os lavrenses, por essa primeira etapa vencida, mas, por outro lado, assumimos, com a nossa boa gente lavrense, o compromisso, como ficou expresso nas palavras de Dimas Macedo na Ata de Fundação, de cultivar "a tradição oracular lavrense, o valor intríncico dos seus filhos ilustres, o potencial intelectual que o municipio de Lavras da Mangabeira deu ao Brasil e ao Mundo e a necessidade de que a Entidade seja promotora da preservação da tradição literária, artística, educacional, intelectual, filosófica e cientifica dos lavrenses e do seu patrimônio histórico, social e cultural".

João Gonçalves de Lemos
Presidente em Exercicio da ALL

quarta-feira, 3 de junho de 2009

POSSE DA ACADEMICA MARIA CARMOSA SOARES




















Carmosa depois da posse.


João de Lemos cumprimentando a nova acadêmica.















Carmosa recebendo de sua filha o medalhão.


Carmosa recebendo o diploma das mãos de sua filha.















Rosa Firmo, João de Lemos, Carmosa e Jeová Batista

Rosa Firmo, João de Lemos, Carmosa e filho.















Carmosa e genro.

João de Lemos dando posse a nova acadêmica - Maria Carmosa.















Gilson Maciel, Rosa Firmo, João de Lemos, Carmosa e Jeová Batista.


Gilson Maciel, Rosa Firmo, Carmosa, Jeová Batista, João de Lemos e Cristina Couto.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Em Torno de Joaryvar Macedo


Falar da personalidade e, principalmente, da obra literária e historiográfica de Joaryvar Macedo constitui tarefa que dignifica e ao mesmo tempo põe em desafio a argúcia do intérprete, uma vez que se intenta tratar da projeção de um homem de letras que “notabilizou-se como um dos mais autênticos pesquisadores da história do seu Estado”.

Considerado por Raimundo Girão como sendo “o mais abalizado historiador do sul do Ceará”, Joaryvar Macedo nasceu no Sítio Calabaço, a oito quilômetros da cidade de Lavras da Mangabeira, aos 20 de maio de 1937, sendo filho de Antônio Lobo de Macedo, poeta popular e político influente em seu município de origem, e de Maria Torquato Gonçalves de Macedo.

Na terra natal estudou as primeiras letras com as professoras Teresita Bezerra, Irony Gonçalves, Adelice Macedo e Nícia Augusto Gonçalves, entre outras. Posteriormente, foi aluno do Seminário Diocesano do Crato e do Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, cursando inclusive Teologia nos Seminários Arquiepiscopais de Olinda, Recife e João Pessoa. Em 1965, ingressou na Faculdade de Filosofia do Crato, por onde licenciou-se em Letras, colocando grau aos 7 de dezembro de 1968, sendo na oportunidade orador oficial da turma, possuindo ainda curso de Pós-Graduação em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Católica de Salvador.

Depois de formado, abraçou a carreira do magistério, que exerceu com proficiência e afinco, principalmente como professor da Faculdade de Filosofia de Crato e de vários estabelecimentos de Ensino de Juazeiro do Norte. Ensaísta e historiador, em 1974 fundou o Instituto Cultural do Vale Caririense, que dirigiu por mais de uma década e do qual foi aclamado presidente perpétuo, dedicando-se como pesquisador aos estudos da formação étnica, histórica e cultural da Região do Cariri.

Sendo admirável “a extensão de sua cultura e a perseverança de suas linhas de pesquisa, qualidades que escondia atrás de uma personalidade simples e de aparência tímida”, como bem acentuou o escritor Murilo Martins, o certo é que Joaryvar Macedo, “revelando uma excepcional tendência para a pesquisa histórica, sua atuação nessa área logo se mostrou tão ampla e profunda, que se passou a ver na projeção do seu trabalho um desdobramento da escola instaurada por Irineu Pinheiro e padre Antônio Gomes de Araújo, fixando-se neste último a sua linha de ação”, consoante o ponto de vista do ensaísta e crítico literário F. S. Nascimento.

Sobre a evidência de ser Joaryvar Macedo o representante mais legítimo e o mais profundo continuador da escola histórica do Cariri, em 1984, no meu livro Leitura e Conjuntura, eu já havia afirmado o seguinte com relação à sua envergadura de intelectual: “Joaryvar Macedo é um escritor inquieto, porém um homem polidamente tratável. É valor maior das letras sul-cearenses no momento atual, porque, quem começar a leitura da história da Região Caririense pelas obras de Irineu Pinheiro, e resvalar pelos ensinamentos do padre Antônio Gomes de Araújo, terá que fatalmente que ancorar nos seus trabalhos históricos sobre a conquista, o povoamento e formação étnica e social do ubertoso vale”.

Além de farta produção esparsa em jornais e revistas do Ceará e de outros Estados, publicou Joaryvar Macedo os seguintes trabalhos: Caderno de Loucuras – 1965; Discurso de Orador Oficial da Turma – 1968; Apresentação de Fagundes Varela – 1971; Os Augustos – 1971; Otacílio Macedo – 1970; Um Bravo Caririense – 1974; O Poeta Lobo Manso – 1975; Templos, Engenhos, Fazendas, Sítios e Lugares – 1975; A Estirpe da Santa Teresa – 1976; Pedro Bandeira, Príncipe dos Poetas Populares – 1976; Fagundes Varela e Outros Rabiscos – 1978; Influência de Portugal na Formação Étnica e Social do Cariri – 1978; Origens de Juazeiro do Norte – 1978; Presença Inconcurssa de Norte-Rio-Grandenses na Colonização do Cariri – 1979; Composições Poéticas de Hermes Carleial – 1979; O Contigente Paraibano na Colonização do Cariri – 1980; Autores Caririenses – 1981; Lavras da Mangabeira – dos Primórdios a Vila – 1981; Alencar Peixoto, Um Clássico – 1981; Pernambuco nas Origens do Cariri – 1981; Orações Acadêmicas – 1983; O Talento Poético de Alencar e Outros Estudos – 1984; São Vicente das Lavras – 1984; Um Vernaculista e um Poeta – 1985; Povoamento e Povoadores do Cariri Cearense – 1985; Discursos Acadêmicos – 1986; Lavras da Mangabeira – 1986; Temas Históricos Regionais – 1986; Ocorrências e Personagens – 1987; Antônio Lobo de Macedo: o Homem e o Poeta – 1988; Império do Bacamarte – 1990; Ensaios e Perfis – 2001; e Na Esfera das Letras – 2009.

Da bibliografia acima, dois livros tão-somente seriam suficientes para dignificar a reputação de Joaryvar Macedo como um dos mais eruditos historiadores do Ceará. Trata-se de A Estirpe da Santa Teresa e de Império do Bacamarte, sem a necessidade de outros comentários, bastando apenas mencionar que, com essa última obra, Joaryvar Macedo “estabeleceria um novo marco na historiografia política no nosso Estado, oferecendo aos cientistas dessa área e aos estudiosos dessa temática sociológica, o mais completo ensaio do gênero até hoje escrito no Nordeste brasileiro”, segundo a opinião abalizada do escritor F. S. Nascimento, com a qual inteiramente concordamos.

Joaryvar Macedo consolidou sua formação cultural estabelecido numa região e tratando quase que exclusivamente da temática histórica do Cariri, o que não o impediu de ter “uma visão histórica do Brasil através da região em que viveu”. Em 1983 transferiu-se para Fortaleza, indo inicialmente ocupar as funções de assessor especial do Presidente do Conselho de Educação do Ceará. Em seguida, viria a exercer as funções de Secretário de Cultura e Desporto do Estado do Ceará e as de Presidente do Conselho Estadual de Cultura, tendo em 1986 sido eleito para a Academia Cearense de Letras e posteriormente para o quadro dos sócios efetivos do Instituto do Ceará.

Professor da Universidade Regional do Cariri/URCA e chefe do seu Escritório em Fortaleza, Joaryvar Macedo foi ainda membro do Conselho Estadual de Educação. Foi, outrossim, um dos raros escritores cearenses a ser agraciado, pelo Governo do Estado, com a Medalha José de Alencar, honraria máxima a que um intelectual pode aspirar na Terra de Iracema.

Sócio efetivo, correspondente ou honorário de várias instituições culturais, nacionais e internacionais, e detentor de vários tributos e comendas, Jorayvar Macedo faleceu em Fortaleza, aos 29 de janeiro de 1991, constituindo a sua morte prematura, uma das maiores tragédias que se abateram sobre o desenvolvimento da historiografia cearense.

Em vida, foi Joaryvar Macedo a própria história do Cariri se movimentando, se expressando em gestos e palavras, se dimensionando nas páginas dos livros e opúsculos que nos legou e nos trabalhos esparsos respingados na imprensa caririense e na Revista do Instituto do Ceará, cujas páginas enriqueceu com a originalidade e a percuciência das suas muitas observações.

“Homem calmo, de sólida cultura, não sabe fazer alarde pessoal dos seus conhecimentos. É valor autêntico da cultura caririense que começa a espraiar-se por aí afora”. Dele disse o saudoso escritor J.de Figueiredo Filho quando, em data solene para a história das letras sul-cearenses, o recebeu como membro efetivo do Instituto Cultural do Cariri.

Sem nenhuma dúvida foi Joaryvar Macedo uma das personalidades mais ilustres das letras cearenses e um dos mais eruditos historiadores do Ceará, cuja formação histórica pesquisou com a argúcia e o devotamento de um beneditino.

Em todos os seus trabalhos de pesquisa Joaryvar Macedo primou por um estilo eloqüente. E sempre que expendiu juízos em torno de fatos históricos o fez com a melhor clareza de raciocínio. A sua linguagem literária revela-se, em todo o seu percurso, recheada de filamentos retóricos, demonstrando-nos o seu autor possuir a dotação de um clássico, sendo ele um moderno.

Dimas Macedo