quinta-feira, 19 de março de 2009

A POÉTICA DE LINHARES FILHO

Era uma vez o sal de umas águas
que em ti incrustaram –
menino –
o exercício da contemplação.

Era uma vez o rio,
cujos líquidos movimentos
a ti revelaram
a flexura das sílabas.

E, desde então,
incansável,
passaste a soletrar
o silêncio
sob a crosta das cartilhas.

Tuas mãos –
e nem o sabias –
já se estendiam
aos Sumos do Tempo, –Tempo
de Colheita –
à Voz das Coisas,
a Andanças e Marinhagens,
a Rebuscas e Reencontros,
aos Cantos de Fuga e Ancoragem,
aos frutos de árvores outras,
numa insone semeadura.

Menino,
já te impregnavam as paisagens,
o silêncio intumescido dos afogados,
o trigo ávido de mendigos,
a serpente de cedro sorrateira,
o repentino eflúvio,
a solidão do sótão.

Menino
sabias ainda
dos navios do longe,
dos farnéis
que se evolam
das tácitas navegações.


II


Vejo-te, na noite montanhosa, –
suspensa a pena –
surpreender
o voo sinuoso das palavras,
Uma infância de pássaros
em teu alpendre musical.
Tua descoberta do verso oculto
no mofo dos baús,
no esterco das andorinhas.
A salsugem da memória.
As rugas que não se desfazem
no rosto dos antepassados.
O cedro da escada. Os tísicos passos.
A noite suspensa no olhar dos morcegos.
O verde gemido do canavial.

Vejo-te, na montanha da noite,
percorrer a sede da folha de papel.
(O vento contorce a cidade,
e o mar tem redondezas incomuns.
Onde o anzol por que pescar
os peixes dos túmidos silêncios?)
Tua busca por outras essências,
por odores outros é falta
que se converte
em inesgotável alimento.
O sal de um rio te conserva o peito.
Um navio singra tuas veias.
Águas a roça de tua canção.
Girassol,
pressentes a luz.


III
Palmilhas o pó da telha-vã
da casa onde nasceste. O vento
em ti esculpe o geométrico perfume
do pé de romã. Lavras da Mangabeira,
o augúrio emplumado
das acauãs. O sino da Matriz
trincando as manhãs. O susto
ruflado das arribaçãs. O tecido
do enigma das praias
no voo das jaçanãs. O navio
anunciado na preamar
da febre terçã. O trilo dos grilos,
o mosto da sede, o pão de teu afã.
O graal de teu pai
doado às bocas malsãs. Tua mãe
coalhando as tardes
em cores louçãs. (Ainda
hoje, desvelas-lhe os pincéis: há
uma outra tela, mais alvaçã;
e o pouso daquela ave
a inscrever-te a cambraia chã.)
Posta a mesa,
do vazio de uma cadeira evola-se
o inefável tempero da marrã.
Mas ainda florescem
o branco viçoso das dálias
e as glumas das longínquas avelãs.
Um xale se derrama
por sobre a fímbria da noite
e o negror de sua lã.


IV

As águas do poema te reinventam;
e enfloras, assim, nossos caminhos:
ânfora que és de nossa inescrutável sede.
Empresta-nos a voz,
uma vez que, na noite alta,
sílaba alguma pousa sobre o nosso sono.
Onde o encanto das grandes coisas?
Onde a solidão de lânguidos silêncios?
Onde a ironia dos segredos?
Como, então, reencontrarmos a face –
não esta, mas aquela que nos foge aos retratos?
Empresta-nos a voz, há um Deus
que em ti habita, e, em seu nome,
compões salmos e hinos;
por isso, mais nada havendo,
alguma coisa sempre há, maior,
muito maior que o simples ser.
Empresta-nos a voz, se não,
como poderemos conter
o anônimo vôo do suicida,
captar a voz das coisas,
ouvir o rumor que borbulha no intocável?
Empresta-nos a voz, o teu canteiro de orvalho,
a branca cinza do cigarro,
o anzol que espreita a palavra-peixe,
o boi mastigando um sonho antigo,
as sombras que se alastram na noite.
Bem nos ensinaste: as coisas
nos assaltam e improvisam.





V

O sopro do vento tem lá seu motor;
movendo as águas da inspiração:
farol do horizonte; navio-canção,
navega sem rumo no seu estertor.
A mão que cultiva grande dissabor
é a mesma que bebe do mel do cantar,
o sono das redes lá no copiá,
nas pautas de Lavras, deixa seu enredo;
e guarda do vento seu grande segredo
cantando galope na beira do mar.


Quem dera que a vida bordasse a paisagem
com as cores que jorram do mar tropical;
aspira o poeta, vislumbra um fanal;
num barco de rimas, prossegue a viagem;
Notícias de Bordo – essa marinhagem –
eis o pão e o vinho desse caminhar.
Já vejo o poeta seu sonho adubar:
criando cenários e cruzando lendas,
a tecer as fibras de suas contendas
nos dez de galope na beira do mar.

Notícias de Bordo, os ventos as levam;
faíscam nos mares as grandes centelhas;
as chuvas que lavam o pó dessas telhas,
aéreas notícias, que tudo elevam.
Notícias dissolvem, notícias selam
o verde da cana, o mel pelo ar –
estradas alumbram seu caminhar.
Às vezes lembranças, dum simples canto,
do vão calcinado – lições de espanto
nos dez de galope na beira do mar.

VI

A argila do poema te alucina:
é fôrma que se perde e que se firma;
desertos cravejados na retina
a sede de outros cântaros de vinho.

Um dia recolheste o tênue fio
com que se cose a pele desse rio
que deságua em teu peito em desatino
e devolve-te ao alpendre tão menino.

Mas o fulgor das dunas precipita
a fuga dos mistérios que se agitam
nas crinas do cavalo de arco-íris.

Nessa escassa colheita, o meu limite
não consegue alcançar, Linhares Filho,
o que em teu canto é tão claro convite.

Carlos Augusto Viana

segunda-feira, 2 de março de 2009

C o n v i t e



A escritora e poetisa Lavrense, Hilnê Costa Lima lança na próxima quinta-feira, 05 de março, às 17h30, no Auditório Paulo Petrola, no Campus do Itaperi da Universidade Estadual do Ceará – UECE mais uma obra de sua autoria ”NOS BASTIDORES DE UM MESTRADO ACADÊMICO”. A autora e seu livro serão apresentados pelo Magnífico Reitor da UECE, Professor Francisco de Assis Moura Araripe, de quem recebemos o convite e transmitimos aqui aos prezados confrades e demais conterrâneos.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Quem Somos?

O Brasil não tem problemas,
Só soluções adiadas

Câmara Cascudo.




O Brasil foi o último país do mundo a libertar os escravos, e, 13 de maio de 1888, retirando das fétidas senzalas e lançando nas periféricas favelas quase um milhão de afrodescendentes.
Assim, depois de Gana, floresceu a segunda maior nação negra do globo, amalgamada no cadinho da miscigenação racial, enfeixando negros, brancos, indígenas, conformando o que denominamos de raça brasileira, falando uma língua – o brasileiro.
Quem somos? Quantos somos? Quantos éramos? Negros, escravos, arrancados da África, vilipendiados por aqueles que falavam a LÍNGUA PORTUGUESA, sob a égide de um homem que falava aramaico.
Estimam em doze milhões de negros e falavam português! Todavia, 25% desta cifra, mortos nos tumbeiros, repousam nas profundezas atlânticas.
Genocídio? A cruz e o poder bélico sempre andaram entrelaçado.
Quantos foram os negros escravizados é uma indagação que nasce e morre em 1890!
Rui Barbosa, então Ministro da Fazenda, em 1890, baixou polêmico ato, que muitos consideram verdadeira supressão da história escravista brasileira.
Decreto de 14 de dezembro de 1890, regulado pela Circular nº 29, de 13.05.1891:

“Rui Barbosa, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e Presidente do tribunal do Tesouro Nacional: considerando que a nação brasileira, pelo mais sublime lance da sua evolução histórica, eliminou do solo da pátria a escravidão – a instituição funestíssima que por tantos anos paralisou o desenvolvimento da sociedade, inficionou-lhe a atmosfera moral;
Considerando que a República está obrigada a destruir esses vestígios por honra da pátria, e em homenagem aos nossos deveres de fraternidade e solidariedade para com a grande massa de cidadãos que pela abolição do elemento servil entraram na comunhão brasileira;
Resolve:
1º - Serão requisitados de todas as tesourarias da fazenda todos os papéis, livros e documentos existentes nas repartições do Ministério da Fazenda, relativos ao elemento servil, matrícula dos escravos, dos ingênuos, filhos livres de mulher escrava e libertos sexagenários, que deveram ser sem demora remetidos a esta capital e reunidos em lugar apropriado da Recebedoria.
2º - Uma comissão composta do senhor João Fernandes Clapp, Presidente da Confederação Abolicionista, e do administrador da Recebedoria desta capital, dirigirá a arrecadação dos referidos livros e papéis e procederá a queima e destruição imediata, que se fará na casa da máquina da Alfândega desta capital, pelo modo que mais conveniente à comissão.”

Registros de um genocídio, que devastou a população do continente africano, foram incinerados nos fornos do Império.
Quem somos hoje?
Hoje, somos um país de vastidão continental com imensas dificuldades, pós-colonialistas, recuperando níveis educacionais, culturais, econômicos, atingindo cerca de 200.000.000 habitantes, procurando-se resgatar os seculares prejuízos ocasionados pela infâmia da escravidão negra e indígena. Quase meio milênio de exploração sistemática, recebendo a escória européia!
As gerações atuais estão desenvolvendo um país do futuro com linguajar próprio, participativo no contexto desta Aldeia Global, único no entrelaçamento racial, capaz de encontrar permanente equilíbrio vivencial.
E que idioma falamos?
As línguas dos países sofrem permanentes mutações e muitas delas desaparecem no curso do processo civilizatório com a queda dos impérios.
Analisaremos algumas realidades:

PAÍS POPULAÇÃO ÁREA/Km
Brasil 200.000.000 8.530.000
Moçambique 19.000.000 800.000
Angola 13.000.000 1.246.700
Portugal 10.000.000 92.000
Guiné-Bissau 1.300.000 36.000
Timor Leste 750.000 14.000
Macau 445.000 25,4
São Tomé e Príncipe 181.000 1.000


Vejamos, que somos cerca de 200 milhões de almas, falando e escrevendo o brasileiro com seus modismo e idiossincrasias.
Estamos construindo nossa modernidade, reunindo valores extraídos dessa miscelânea de povos e gentes, que estratificam esta Torre de Babel, que se chama Brasil.
Lusofonia é uma palavra restritiva, que concerne exclusivamente a Portugal, ao contrário da Commonwealth, que se projeta além Inglaterra, relembrando-se a tentativa da França com sua Francofonia, se debruçando nas ex-colônias.
Vislumbra-se que Portugal procura ligar-se as ex-colônias pelos laços da portuguesa saudade, da história e de um Passado, que passou!
Se Pombal vivesse hoje e quisesse impor uma unidade lingüística, via clero, abraçando o latim, suprimindo as línguas nativas, seria um personagem quixotesco da comunicação globalizante.
O português é a resultante do latim vulgar, outrora falado na Lusitânia durante a ocupação romana, revigorante no interregno de oito séculos da dominação árabe.
O Brasil não é uma elite branca!
É um universo negro, mestiço, mameluco, indigena, cafuso, jogado nos sertões ínvios da pobreza e alienados nas favelas, realidade que nós temos que resgatar, convidando-os a mesa de cidadania.
Não basta fazer intransponíveis acordos e desacordos ortográficos, que se circunscrevem a retórica das vaidades!
O Chile detém dois prêmios Nobel de Literatura – Gabriela Mistral e Pablo Neruda, que desenvolveram suas obras na unidade da língua hispânica.
O que será da Língua Portuguesa se não nos reunirmos em torno da realidade, examinando-a sob o foco da dialética da diferença?

Fortaleza, 15 de abril de 2008.

Dr. José Carlos Gentili.
Presidente da Academia de Letras de Brasília.

PARABÉNS AO NOSSO PRESIDENTE DE HONRA

Hoje, 28 de fevereiro, a Academia Lavrense de Letras teve a honra de comemorar o aniversário do acadêmico mais ilustre e querido por todos. O grande poeta e mestre Linhares Filho. O evento foi uma iniciativa do presidente da Academia Dimas Macedo. A comemoração teve como palco o Pianos Bar do Ideal Clube e contou com a presença de grande parte da ALL, do presidente da Academia Cearense de Letras, os familiares do aniversariante e alguns intelectuias cearense. Queremos parabenizar o nosso conterrâneo, desejando-lhe muitos anos de vida com muita saúde e muita lucidez.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Neide Freire toma posse na Academia Lavrense de Letras


João de Lemos, Jeová Batista e Dimas Macedo empossando Neide Freire como acadêmica.




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Palavras na Instalação da Academia Lavrense de Letras






* Discurso proferido pelo
Acadêmico Linhares Filho
(Presidente de Honra da Academia)
por ocasião da Instalação da ALL
em Lavras no dia 13 - dez - 2008.

Agradeço intensamente a gentileza de meus pares de conceder-me a palavra nesta solenidade, quando outros mais aquinhoados de eloqüência, mais sabedores da História de nossa Terra e mais próximos dos fatos da modernidade lavrense melhor se desincumbiriam da presente tarefa. Atribuo a concessão, como outras dos meus consócios a mim, a uma gentil deferência à idade, que poucos como eu atingiram em nossa Academia, e ao amor que indiscutivelmente cantei mais que outros a Lavras.

[......] ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Esses versos neossimbolistas, catárticos e algo obscuros de Fernando Pessoa, ouvidos agora, quando nos deparamos com a simplicidade, o bucolismo, a leveza do ambiente sertanejo de nossa Lavras, vindos que somos de um meio pesado de especulações e recursos civilizacionais, soam, de algum modo, adequados para traduzir, em sua opacidade, os nossos sentimentos, diante de certa inefabilidade destes, entre os quais está o complexo enlevo de nossa alma que, reencontrada com o chão nativo de nossa saudade, tende a levitar e, entre apóstrofes afetivas, transcender, para, depois de beijar o nosso torrão e abraçar o nosso povo, tentar livrar-se, por um instante, da ciência que nos encanta mas nos inquieta, e reviver a insciência do éden de nossa infância, quando éramos felizes e não sabíamos que o éramos.
Escreveu o poeta português, antes dos citados versos, dirigindo-se à ceifeira: “Ah, poder ser tu sendo eu! / Ter a tua alegre inconsciência, / E a consciência disso!” Impossível, embora legítima, a realização desses desejos do eu lírico, por implicarem uma complexidade paradoxal, se bem que expressiva. Por isso é que ele apela para a remediadora solução do onírico poético, que se encontra no bucólico primeiro trecho citado. E, assim, Pessoa abre caminho para o milagre criativo da conciliação do saber com o não-saber, da ciência da capital, onde residimos, com a relativa inocência deste ambiente da antiga infância, a fim de conseguir-se a realização humana, a felicidade, a plenitude do Ser, as quais o espírito de nossa Academia perenemente buscará, pois queremos unir o litoral ao sertão, a metrópole ao interior, o desenvolvimento da grande urbe à simplicidade do campo e da pequena cidade, não obstante desejarmos esta sempre mais desenvolvida.
Tudo se deve à inquietação fecunda e à coragem empreendedora do poeta conterrâneo Dimas Macedo, que concebeu a idéia da Academia Lavrense de Letras, conseguiu convencer um pugilo de intelectuais da necessidade da criação desta entidade, fez a idéia transmitir-se aos demais integrantes do sodalício, e eis-nos aqui, inaugurando-o em nossa Terra, sob as bênçãos de Deus, do Padroeiro São Vicente Ferrer e sob os auspícios da Exma. Sra. Prefeita Edenilda Lopes de Oliveira Souza, da Câmara dos Vereadores do Município, e contando com o apoio de políticos influentes e conterrâneos como Eunício Oliveira e Heitor Férrer. Era preciso que uma personalidade como a do poeta, crítico literário e historiador Dimas Macedo, homem cheio de amor a esta Terra, movesse, com a sua sensibilidade, o seu idealismo e a sua ação dinâmica, os seus pares, para que esta Academia se tornasse realidade, confirmando-se, desse modo, a herança recebida da veia poética de seu pai, José Lobo de Macedo (Zito Lobo), da têmpera e do talento de seu avô, Antônio Lobo de Macedo (Lobo Manso) e da competência e erudição do seu tio Joaquim Lobo de Macedo (Joaryvar Macedo).
Lembremos que não só a poesia de Dimas Macedo revela o seu amoroso culto a esta gleba, mas também o livro Lavras da Mangabeira: roteiros e evocações, um verdadeiro cancioneiro de nossa cidade, acrescido de pensamentos de autores insignes sobre ela, e ainda o volume Lavrenses Ilustres, repositório histórico-biográfico, que justifica sobejamente a criação de uma Academia de Letras como esta, com patronos e membros ilustres, que fazem desta Terra uma Atenas cearense. Faça-se justiça aos ilustres nomes dos assessores diretos do Presidente, João Gonçalves de Lemos, Gilson Batista Maciel, Mário Bezerra Fernandes e Jeová Batista de Moura, integrantes da Diretoria da entidade, que contribuíram decisivamente para que ela se criasse.
Os participantes deste sodalício queremos conciliar o erudito com o popular, a teoria acadêmica com o “saber de experiência feito”, abrigando em nosso quadro de sócios tanto o graduado como o pós-graduado universitários, tanto o artista das diversas belas artes como o autodidata e o formado na escola empírica da vida. “E o pensar que a Terra formou”, conforme canto no nosso hino valorizado com a bela música do compositor Nonato Luiz, foi aventurar-se pelos meandros da civilização e ilustrar-se nos campos de Minerva (ou Palas-Atena). Esse pensar é o de todos nós, que abrigamos na pele e no sangue a luz e o calor de Apolo, colhidos nesta Terra tropical, calcinada e sofrida, mas lutadora e tenaz, para que brilhássemos longe dos nossos pagos, dos campos de cujos produtos Ceres e Diana nos alimentaram. Mas também nos banhamos com a água abençoada e fecunda do Rio Salgado, que mais parece haver nascido de uma patada do Pégaso, atualizando entre nós o feito praticado no monte Hélicon, da Beócia, para dar-nos a força do estro que nos torna criadores na Ciência, nas Letras e na Arte. Aliás, podemos também encarar o nosso rio segundo a ótica do poeta Francisco Carvalho, que escreveu:

Lavras é um mito que o Salgado banha
com seu rumor de pífaro e realejo.
[...]
Rio que embala um pégaso na entranha
fecundada de esperma benfazejo.

A chama olímpica e apolínea que daqui levamos a meios adiantados, progressistas, para que mais luzisse em nós e iluminasse outros ambientes, aqui trazemos hoje para, transfigurada, ser alçada bem alto na pira do nosso devotamento à Terra do nosso berço. De fato ofertamos a esta o grande clarão em que se transformou aquela chama, formada em nós com o sol e a energia de Lavras, cada vez mais em nós potencializados. Por isso é que rogamos:

Ó sol de Lavras, já desde a infância
por ti queimados, nos fertilizes,
para que a força de nossa ânsia
de criar nos faça sempre felizes.

Alguns se lembram, como eu, de que os rapazes do tiro de guerra daqui e de antanho, comandados pelo Sargento Valdemar, cantavam e assoviavam, pelas ruas da cidade, no alvorecer do dia, saudando o sol nascente com estes versos: “Viva o Sol do céu de nossa Terra! / Vem surgindo por trás da linda serra!” Essa evocação mistura-se a uma outra, a das alvoradas das festas do Padroeiro, e uma e outra lembrança, surgidas de ocorrências que embalaram musicalmente o despertar do nosso sono de meninos, unem, de modo sinestésico, sons e imagens, para, neste momento em que cantamos o sol que nos encanta, se transformarem em vislumbres ensolarados de uma nova era para a Cultura e a vida desta cidade.
Se ao Rio Salgado podemos confidenciar as nossas mágoas pela paradoxal doçura de suas águas salobras, quase da mesma natureza das lágrimas, ao sol de Lavras podemos contar as nossas vitórias, por ele ser, quase constantemente, pelo seu brilho, uma apoteose.
Um comportamento solidário e ontológico é o que adotamos, inspirados na concepção cristã Ut omnes unum sint (“Para que todos sejam um”) e na categoria existencial-ontológica de Heidegger: o Mitsein (“Ser-com-alguém”; por extensão, “Ser-com-os-outros”). Por isso é que se afirma em nosso hino: “Ser um com os outros é o nosso lema.” E entrevemos a transmissão de valores dos maiores aos mais novos na tridimensionalidade do tempo, rio que se confunde com o Salgado, fluindo em nós, lavrenses, do ontem para o hoje e do hoje para o amanhã:

Se em nosso peito corre o Salgado,
é bela a herança dos que virão.
E sob as bênçãos do antepassado
há de surgir perfeita a criação.

Cada um de nós, acadêmicos, cultua o patrono de sua Cadeira, mas também, na vibração do sangue que corre em nossas veias, reverencia o ícone, o oráculo de sua família, aquele que, pelo exemplo do caráter ilibado, se apresenta como paradigma de conduta de seus descendentes. No meu caso, evoco a figura do filólogo, orador e poeta Joel de Lima Linhares, patrono de minha Cadeira, como valor intelectual; e a personalidade ímpar de meu pai, o farmacêutico Dr. José Gonçalves Linhares, antigo prefeito desta cidade, político, humanista, mas sobretudo homem de ciência, que soube distribuir aos concidadãos uma assistência responsável no exercício criterioso da profissão, e impôs-se no seio da família como um chefe honrado e cheio de virtude, por isso mantendo em meu peito uma herma de luz, que a cidade não lhe erigiu de bronze, como o merecia.
Escreveu José Saramago no seu Memorial do Convento: “Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas.” Exma. Sra. Prefeita, para que o tempo das perguntas não demore mais, a V. Exa. que conseguiu reeleger-se devido à destacada administração do seu mandato anterior, ouso inquirir: por que não se construir um balneário junto ao Boqueirão que representa todo o anseio da terra: o dar, o florescer, como concebi num poema e, “aberto inteiro ao céu” coloca-se, junto com São Vicente, junto a nós, constantemente “pregando um amor candente”? E por que não construir na cidade um hotel municipal, empreendimento que, como o balneário, iria desenvolver o turismo aqui, reafirmando a nossa vocação telúrica para a hospitalidade? Sabemos que essas sugestões, Sra. Prefeita, desde há muito se encontram no consciente ou no inconsciente de lavrenses...
Esta Academia não é uma entidade político-partidária, mas nos atribuímos o exercício de uma política construtiva de vigilância, a favor da preservação e do fomento da cultura, dos princípios humanísticos e democráticos de nossa Terra, que aqui e alhures é tão decantada pela voz dos seus poetas, imaginada e reinventada pela verve dos seus ficcionistas, documentada pela acurada pesquisa dos seus historiadores, abençoada e catequizada pela missão evangelizadora dos seus religiosos, celebrizada pelo trabalho competente dos seus homens de ciência. Por isso é que “De nossa Lavras o crivo / levamos a toda parte”, e “espalhamos uns resplendores / no litoral e pelos sertões.”
Senhoras e senhores, falo em nome dos integrantes da Academia Lavrense de Letras. A nossa sensibilidade de filhos amorosos de Lavras, território que sintetiza para nós o Ceará e o Brasil, pressente, neste momento histórico de nossa vida, que a terra, a água, o fogo e o ar desta Natureza agreste mas por outro lado dadivosa, e que está em nós, querem falar-nos mas não acham palavras. No entanto lemos, na inefabilidade revelada pelo silêncio dos elementos naturais e de todas as coisas de nossa Terra, que ela nos acolhe, nos ama, nos perdoa e nos glorifica como mãe extremosa, que de nós só merece defesa, saudade, amor e veneração agora e para todo o sempre.


sábado, 31 de janeiro de 2009

Silhueta do dia - Por Emerson Monteiro


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Academia Lavrense de Letras entrega Diploma e Medalha a Dona Argentina.

Emoções as experimentamos na Casa da novel acadêmica Argentina Gomes de Morais...que ali estivemos (18.01.2009) para a agradável missão de entregar-lhe o Diploma e o Medalhão Acadêmico, declarando-a empossada na Cadeira 30 que tem como Patrono outra veneranda senhora, Julieta de Macedo Filgueiras. João, Gilson, Mário e Jeová presenteamos a Escritora Argentina, no aniversário de seus 95 anos, além desses simbolos acadêmicos, com flores, significando benquerença, e com um abraço, expressando o propósito de todos nós em reconhecermos Lavras da Mangabeira como potencial intelectual oferecido ao Brasil e ao Mundo, produto da inteligencia gerada no Vale do Salgado, "sob a inspiração e liderança do poeta Dimas Macedo". Elegante, Dona Argentina recebeu o Diploma das mãos de seu filho mais velho, Osvaldo Gomes de Holanda, e o Medalhão Acadêmico de seu bisneto mais novo, Carlos Eduardo de Macedo Gomes, gestos que envolveram todos os familiares, significando que esse máximo e esse minimo deixam todos iguais no amor! Um ambiente verdadeiramente acolhedor e que nos permitiu sentir da familia! Parabens!
Texto: João Gonçalves de Lemos.






Foto para história: Dona Argentina, filhos, noras, netos, bisnetos e confrades.








Dona Argentina, Gilson Maciel, João de Lemos, Mário Bezerra, Jeová Batista, Carlinhos, Osvaldo, Carlos Eduardo, Carlos Henrique.










O vice-presidente da ALL, João de Lemos, falando em nome dos acadêmicos.






O neto, Carlinhos Gomes, agradecendo em nome da família tão importante homenagem.







O secretário geral da Academia, Jeová Batista, entregando a D. Argentina um bouquet de rosas. Presente da Academia Lavrense de Letras.







Dona Argentina e o neto Carlinhos orgulhosos exibem o diploma da Academia.





Momento de apagar as velinhas toda família reunida. Filhos, noras, netose bisnetos.




Dona Argentina com os filhos: José Holanda, Antônio Gomes, Osvaldo e o confrade João de Lemos.





Aniversário de 96 anos da acadêmica Argentina Holanda, uma comemoração em família e com alguns confrades.






Carlos Eduardo (bisneto) na companhia do pai e neto de D. Argentina, Carlinhos, entregando o medalhão.





sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Neutrocovardia, um outro nome para conivência - Por Emerson Monteiro

Quase nunca as bases decidem mudanças e ficam perplexas diante dos acontecimentos. Salsas. Tangos. Rumbas. Cumbias. Rocks. Merengues. Teatros. Cinemas. Shows de sangria nas calçadas. Povo correndo. Sirenes gritando. Pavor. Desengonço. Trepidação de carros em disparada. Canhões. Movimentos de tropas. Torturas. Escamoteios. Foguetes. Violência. Violência em vários graus. Ignorância dos subúrbios em xeque. Esgotos a céu aberto. Crianças catando lixo envelhecido nas colinas de urubus em festa. Portas fechadas e dramas repetitivos nas telas de ricaços embrutecidos pela gorda indiferença. Os homens. As mulheres. Seres humanos que descem e sobem nos elevadores do poder, indiferentes aos apelos ensurdecidos de anúncios espalhados aos quatro ventos. Tortas recheadas de fel em doses duplas. Noites amarelecidas em lençóis mornos. Amargor na boca do estômago. Existências vazias. Tortos caminhos de iguais existências amorfas, melancólicas, ausentes de atitude. O calor das muriçocas em forma de ventiladores zoadentos. Luares românticos, ineficientes, suores de cólica. Impotência visceral. Apenas fatais e sujos magros heróis de fancaria. Vilões de si mesmos. Fantoches do destino. Profetas da carência de sentido em tudo no carrossel ensandecido. Poetas derrotistas da desesperança. Uma doença antiga, tão antiga quanto presente em todas as épocas da humanidade. A inútil dor alheia que não consome os outros, porém que mata sem pedir a conta dos circunstantes em volta, indecisos, covalentes de chanchada, adiposos asmáticos em turmas pecaminosas. Autores de bombardeios que assassinam crianças. Monstros noturnos que jogam nas mesmas máquinas eletrônicas que espalham a droga nos puteiros e nos salões ilustrados da burguesia subserviente. Valores espumosos das canastras das ruas descalças. Pruridos vãos dos traços cruéis nas superpotências e suas atitudes pecaminosas. Diante de tanto amargor, as traças carcomem os seus filhotes, exemplos de uma raça que se vitima, na fila dos amargurados torpores, hemoptises, flatulências, incólumes, no entanto, sintomas do mal dos milênios. Solidariedade vadia, leviandade doentia, justificativa injusta, toneladas de gastos e os pacientes alarmados batendo palmas ao espetáculo de pão azedo e circo silencioso, que repete a história das almas que se locupletam, os neutrocovardes decantados antigamente, criaturas esdrúxulas e nefastas, alimentadas de lama podre, resistentes aos instintos de conservação e sobrevivência da espécie.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Mensagem uma Rosa.

Carissima Rosa Firmo,

Chego depois do tempo...que não o controlei...mas ainda em tempo para desejar-lhe muitos e muitos anos de vida, realizando seus projetos e vivendo plena felicidade pessoal...com seus familiares e amigos, pois ninguém é feliz sozinho. A esta mensagem alguns colegas da ALL, em reunião pela manhã, também a Cristina Maria, associaram-se no regozijo pela sua data natalicia com votos para que se repita muitas e muitas vezes e estou certo de que, se outros colegas estivessem presentes, expressariam o mesmo sentimento.
Um cordial abraço acadêmico.
João G. de Lemos

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

ANIVERSARIANTE DO MÊS

Uma das grandes bênçãos da vida é experimentar da sua amizade.
Aniversariar é uma amostra das oportunidades que temos de aprender com você o verdadeiro sentido de amizade.
Hoje, mais um a janela se abre diante dos nossos olhos, mais um espinho foi retirado da flor, restando apenas a beleza de tão bela data. O dia do seu aniversário.
Continue firme pelos caminhos da virilidade e suas verdades.
Continue trilhando pelos vales da vida, espalhando rosas pelo seu caminho, pois um dia encontrarás o mais belo jardim, o jardim que certamente trará seu nome. Você é Rosa e é firme. Você é a Rosa Firmo.
Desejamos um caminhão de rosas para você.
Que Deus te ilumine, todos os dias de sua vida.

Feliz Aniversário!

PALESTRA.

Avisamos aos amigos, conterrâneos e acadêmicos que no dia 10 de janeiro, às 19 horas, na TV Ceará canal 5, se apresentará o cientista, escritor, historiador e a maior autoridade brasileira sobre o cangaço, o lavrense, DR MELQUIADES PINTO PAIVA, que recentemente lançou um livro sobre Fideralina Augusto Lima. Não deixem de assistir.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Fotos da confraternização da Academia Lavrense de Letras em Lavras da Mangabeira.

Egídio Barreto, Fábio Sampaio, Marcondes Pinheiro e Gilson Maciel.







João de Lemos, Mirtes Bitu de Lemos, seu irmão Maninho, esposa e sogra.







Alfonsina e Nonato Luiz, Mariazinha Linhares e Nazareno Luiz.









Fátima Lemos, Batista de Lima e esposa, Rubens de Lemos, Luiz Pereira de Lemos, João de Oliveira Lemos.



Em pé: Jeová Batista, José Maria Souza, Ednilda Lopes, Nonato Luiz, Ivo Teles.
Sentados: Enilda Lopes, Anchieta Augusto, Carlos Sobreira e Socorro.







Acadêmicos Egídio Barreto, Marcondes Pinheiro e Gilson Maciel, e o convidado Fábio Sampaio (filho de Marcondes Pinheiro).







Linhares Filho, Ednardo, Dra. Rosália, Dr. Mirialdo, José Linhares Neto e Mirian Linhares.








Nonato Luiz, Zé Teles e Dimas Macedo.










Marilê Almeida, Ismária Leite, Nonato Luiz, Jeová Batista, Cristina Couto e Emerson Monteiro.









Linhares Filho e sobrinhos.








Presidente de Honra da Academia, Linhares Filhos, Mariazinha, sobrinhos e Nonato Luiz.







Acadêmico José Teles e família.








Luísa Correia, Sandoval Freire, Fátima Lemos, Batista de Lima e esposa, Rubens de Lemos e João de Oliveira Lemos.




sábado, 3 de janeiro de 2009

Imbecilidade, a madrasta de todas as guerras

Emerson Monteiro

Vá lá que não se pretenda explodir os próprios sonhos, dadas razões autodestrutivas da patologia clássica. Contudo querer incluir os sonhos dos demais no processo de punição das culpas acumuladas pela perdição das horas de vida, que jogada fora a cada inútil atitude, isso merece reavaliação desde o princípio das ações, nos campos de batalha.
Daí a notação de ser imbecilidade pura desmanchar os artefatos letais em volta de si, na máquina da guerra, e espezinhar multidões de outros seres, inclusive o espaço do Planeta, fustigado nas unhas de horríveis monstros animais humanos.
Chegar à madrugada do novo ano falando essas coisas de alemães filosofias deixa transparecer, sem repressão, os sentimentos de indignidade que invadem as salas em face dos entreveros televisados, no returno do calendário.
Sem mais nem menos, acendraram ânimos e tomem bombas israelenses em represália a foguetes explosivos dos palestinos, na Faixa de Gaza. Fruto disso, juntem-se as mortes da população civil, produzida nos conflitos anteriores das mesmas gentes.
Acima de conceitos morais, há os ditames da ética para demonstrar a inutilidade da razão perante as providências dos guerreiros.
“Não importam os motivos da guerra, a paz é mais importante do que eles”, disse com absoluta propriedade Roberto Carlos. Mas a quem dizer isso? (há a quem?), conquanto existam tantos interesses por trás das agressões, os antivalores econômicos, religiosos, políticos, culturais, territoriais, desconhecidos, etc.
Perguntar a quem, ao vento, Dylan? Quantos canhões ainda explodirão até que o homem compreenda o condão da verdadeira fraternidade?
Uma mistura de desencanto com impossibilidade, somados alentos de compaixão pela dor alheia, nos pagos adversários que se embebem de sangue no chão comum a todos os conflito.
Prece e sonho flutuam nas mentes pelos ares, neste começo de tempo... Amar, enfim.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

LAVRAS DA MANGABEIRA E SUAS RIQUEZAS

                                                         Fotografia: Francisco Veloso.

O Boqueirão, como o próprio nome indica, é a garganta aberta, na serra homônima, a cinco quilômetros da sede do município de Lavras da Mangabeira, pelo Rio Salgado que, segundo o escritor e sociólogo Joaquim Alves, a cortou nos tempos das formações geográficas, com o volume das águas.
Formada por duas partes descomunais, aberta, na própria rocha, a referida garganta, que dá vazão, através do Salgado, a todas as águas fluentes do sul do Estado, Tem uma altura de noventa e três metros e uma largura de quarenta, com poço permanente á época da estação seca, constituindo uma das mais bonitas e fascinantes paisagens que o olho humano possa contemplar.
É célebre a chamada Caverna do Boqueirão. Originária da desagregação da rocha, e com avultado comprimento, se bem que ignorado, demora essa gruta a cerca de cem palmos acima do nível do poço, apresentando a configuração de uma cúpula achatada e servindo de morada a morcegos.
No século XIX, o Governo Imperial projetou a construção de um enorme reservatório no local. Os estudos foram confiados ao engenheiro inglês Jules J. Revy, que chegou a conclusão da inviabilidade do empreendimento, divido a diversos fatores, constantes do seu relatório, inclusive a fragilidade do rochedo nos encontros do muro e a dificuldade de se fazer um escoamento sobre a rocha sólida.
A respeito do Boqueirão e suas lendas, é muito comum se ouvir estórias a respeito de fenômenos estranhos que ocorriam no local, tanto no fundo do poço, como no interior da gruta, as quais encontram guarida na crendice popular. Salas ricamente atapetadas, mesas e altares com lindíssimas toalhas, baixelas de metal precioso e um carneiro de ouro viam-se, ali, em determinadas circunstâncias, de envolta com os encantamentos próprios das fantasias. Dizia-se, por exemplo, que no fundo do poço, que é extenso e profundo, quando a água serenava, era visto um carneiro de ouro em pé sobre uma pedra, prenunciando ali haver um intenso cabedal subterrâneo. E nos escâncaros da gruta que só se pode chegar lá de balsas pelo poço e subir as escadas até lá, era vista uma mesa atoalhada, com baixelas de ouro e prata. E se alguém conseguisse de fora, alcançar com longas varas a tal mesa e derrubar toda aquela riqueza, atemorizava-se ao ver que em poucos minutos estava novamente composta.
“Até hoje o Boqueirão continua desaproveitado, sem explorar suas potencialidades turísticas. Enquanto isso permanece escondido e perdido, em pleno sertão cearense, o nosso velho e lendário Boqueirão de Lavras da Mangabeira, maravilha rústica, mas soberba e eterna, que, por ignorada, a história não incluiu entre as principais do mundo”.
(Joaryvar Macedo – 1984).

sábado, 27 de dezembro de 2008

Mensagem de Natal.

Aos membros da Diretoria da Acadamia Lavrense de Letras (ALL), a cada acadêmico(a) e a estimada Cristina Maria de Almeida Couto, Assesora da ALL, extensiva aos familiares de cada um, a minha especial Mensagem de Natal e Ano Novo de 2009. Uma palavra simples - SIM - colaborou com o Projeto de Deus, estabelecendo uma Nova Aliança com o seu povo. Pois bem. Como Maria que, com o seu SIM, se deixou guiar pela vontade de Deus, também nós podemos assumir nossa parte nesse Projeto Divino. E, na nossa caminhada humana, penso que, à semelhança do gesto da Mãe de Jesus e da Igreja, dissemos SIM a nossa querida Lavras da Mangabeira, ao instalarmos a ALL ali no Vale do Salgado, também junto ao Boqueirão, simbolo da Academia. Por isso, pela recepitividade esperada daquela boa gente da terra de São Vicennte Ferrer, nosso Patrono, estendo minha Mensagem Natalina a todos que nos pestigiaram e, mais do que isso, compreenderam a importância do novel Sadalício. Viva a ALL e, nesta oportunidade, desejo êxito a todos em seus empreendimentos e felicidade pessoal de cada um.
João (Gonçalves) de Lemos

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Naquela Noite - Rosa Firmo



A vetusta Lavras, Princesa do Salgado com seu charme, posta no alto-jaguaribe, porta de entrada do Cariri. Fica a muitas léguas de sertão neste imenso Ceará adentro, onde tudo seria um sonho se não fossem as distâncias e as dificuldades do povo. Contudo, até esses empecilhos soluciona-se: porque as distâncias não importam a quem não quer sair de onde está; e as dificuldades, o sertanejo acostumou-se conviver com elas. Segundo Guimarães Rosa “o sertão está em toda parte”. Lavras é, pois um oásis cultural no sertão.
Ali, naquela cidade, naquela noite, naquele jantar, celebrou-se o mais inusitado dos acontecimentos histórico-cultural, o grande legado, tudo que Dimas Macedo sonhou e planejou juntamente com outros lavrenses. A noite estava encantadora, a lua postada num ângulo tão próximo, refletida nas águas do Salgado, aventurando-se enfeitiçar os poetas. A Câmara Municipal engalanada de luzes, cores e tenda de livros para receber os acadêmicos, autoridades políticas, estudantes, representantes de diversas escolas entre outros convidados.
Lavras, pois, nesse misto de antiguidade, cultura, beleza, e acirramento político, naquela noite, no seu apogeu foi agraciada com a relevante comenda, para seu engrandecimento, a Academia Lavrense de Letras. Momento ímpar, indescritível, um acontecimento sui generis, portanto o maior de todos os tempos. Um dos objetivos desse projeto: realçar a memória de seus filhos ilustre como, Almir Pinto, Afonso Banhos, Antônio Augusto, Cabral da Catingueira, Francisco Francílio Dourado, Francisco Bezerra Sampaio, Irmã Ferrer, Idelfonso Correia, Filgueiras Lima, João Climaco Bezerra, João Gonçalves, Joaryvar Macedo, Josafá de Lima, Joel de Lima, José Linhares, Padre José Joaquim Xavier Sobreira, Lobo Manso, Julieta Filgueiras, Gustavo Augusto, Gilberto Milfont, Gustavo Augusto Lima, Maria Oliveira Dias, Madre Bezerra, Manoel Gonçalves de Lemos, Moreira Campos, Prisco Bezerra, Tota Bezerra, Pery Augusto, Stela Sampaio, Sinhar D’ Amora, Vicente Augusto, Zito Lobo e José Joaquim Xavier Sobreira.
A equipe do Dimas Macedo foi bastante generosa, não deixou fora da Academia nenhum dos lavrenses que contribuíram e contribuem para seu desenvolvimento cultural; seja erudito ou popular envolvendo as diversas áreas do conhecimento.
E assim Dimas Macedo, homem de grande sensibilidade e espiritualidade instalou a Academia Lavrense de Letras para orgulho da nação Lavras da Mangabeira. Agora nas rochas do Boqueirão não somente escorrem águas do Salgado e sim o líquido transparente da intelectualidade lavrense.
Muito acertada foi a idéia do Dimas Macedo, pois, a repercussão já suscita o interesse do seu povo em querer compreender as funções dos acadêmicos e da própria Academia. Uma pergunta instigante e inteligente da adolescente Rayla Pires Bezerra Morais, durante o jantar. “E agora tia, o que vocês irão fazer com essa Academia?”. Cabe a cada um de nós darmos uma resposta condizente aos anseios da juventude lavrense com ações: profícua, pontual e contínua.


Natal , 16/12/2008





Na noite de Natal

Emerson Monteiro

Às vésperas do Natal, me vem ao pensamento uma história que li certa vez, de autoria do escritor russo Leon Tolstoi, a qual pretendo narrar em seguida.
Próximo de estrada deserta, em região russa com poucos habitantes, morava um solitário casal de anciãos. Era a época natalina. Nesse ano o inverno chegara com intensidade poucas vezes presenciada, de frio excessivo e neve acumulada, isolando ainda mais os moradores daquela área.
Determinada noite, o velhinho sonhou com Jesus a chegar em sua residência e lhe dizer que viria comemorar junto deles o seu aniversário. Podiam aguardar que, de certeza, chegaria para cearem na noite de Natal.
Ao despertar, o homem contou o sonho à mulher, que ficou feliz pela notícia recebida. Nessa hora, trataram de planejar a festa incomparável que se prenunciava. Organizariam as coisas de modo a transformar o pouco de que dispunham num laudo banquete, acrescentado de zelo e amor para com Deus.
Desse jeito se organizaram até que chegou a data prevista. Nesse dia, trabalharam um tanto mais. Casa limpa, tudo brilhando de asseio, lareira esperta e mesa pronta. Transcorreram manhã, tarde, início de noite. Os dois não se cabiam de alegres, vista oportunidade rara com a qual se deparariam.
O tempo lhes aproximava do grande momento, quando ouviram batidas na porta. Rápidos movimentos. Fustigado pela nevasca que cobria a noite de escuridão, humilde viajante, abatido de longa jornada, vinha ali pedir arrancho. Caminhara muito sob difíceis condições. As suas forças exauridas reclamavam urgente repouso.
Os dois velhinhos acolheram de bom grado o visitante. Das mínimas reservas que possuíam ofereceram ao necessitado, servindo, sem outra alternativa, o próprio alimento que haviam preparado à espera do Mestre Divino, motivo principal daquela data.
Nisso as horas se passaram e ninguém mais chegou. Tarde da noite, comeram juntos do que sobrara, indo depois se recolher. No entanto, sensação de surda interrogação permaneceu entre eles: Qual a razão do sonho auspicioso? Deus nunca falta, mas prometera lhes visitar... Ainda assim, deixaram de falar no assunto e seguiram a rotina dos dias.
Menos de uma semana depois, o ancião volta a sonhar. No sonho, de novo se avista com Jesus, vislumbrando boa ocasião de perguntar o que se verificara para não cumprir a promessa do de Natal, ouvindo dele essas afirmações inesquecíveis:
- Lembra do viajante a quem receberam na noite de Natal? - indagou o Mestre, e acrescentou: - Pois sou eu aquela pessoa tão bem recebida pelo carinho dos seus corações. Desse jeito, quando qualquer um fizer o que fizer ao menor dos pequeninos deste mundo, a mim o faz. Saiba disso quem quer crescer no caminho da Eterna Felicidade.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Grande Acontecimento

Dia 13 de dezembro foi um dia de festa e de orgulho para a cidade de Lavras da Mangabeira. Exatamente, às 19h30min, a Câmara Municipal de Lavras da Mangabeira recebe seus filhos mais ilustres para a solenidade de posse da Academia Lavrense de Letras. Nunca na história da cidade se conseguiu reuniu tantos intelectuias lavrenses. E para surpresa e alegria de todos a Casa estava superlotada, os lavrenses que ali residem vieram prestigiar e assistir tão importante acontecimento. A Banda de Música "Zuza Vaques" deu sua colaboração executando o Hino Nacional Brasileiro e o Hino do Município de Lavras da Mangabeira. A bandeira do Município foi conduzida pelo acadêmico Emerson Monteiro e a bandeira da Academia Lavrense de Letras foi conduzida pela acadêmica Rosa Firmo. Aberta a solenidade foi feita a composição da mesa: Linhares Filho (presedente de honra da Academia); Dimas Macedo (presidente da Academia); Edenilda Oliveira (prefeita Municipal); João Ricarte (presidente da Câmara Municipal); João de Lemos (vice-presidente da Academia); Jeová Batista (secretário geral da Academia) e os Padres Evaldo Alves (vigário da Paróquia de São Vicente Ferrer) e Manoel Amorim (vigário em Fortaleza) ambos acadêmicos. Dimas Macedo fez uso da palavra e emocionado deixou transbordar todo seu carinho e todo seu grande amor por Lavras da Mangabeira, expressando sua ligação carmal pela terra, comparando-a com a mulher amada. Em seguida, o presidente de honra da Academia, Linhares Filho, saudou seus conterrâneos com um belo e apaixonante discurso, deixando aflorar seu imenso amor pela terra natal. O poeta Zé Teles falou em nom,e dos acadêmicos e recitou uma bela poesia de amor a Lavras. Falou ainda a prefeita municipal, Edenilda Lopes de Oliveira e o presidente da Câmara, João Ricarte. Ambos expressaram orgulho e contentamento pela a instalação da Academia Lavrense de Letras.





Acadêmica Rosa Firmo com a bandeira da Academia Lavrense de Letras.













Émerson Monteiro com a bandeira do município de Lavras da Mangabeira.























Linhares Filho recebendo o diploma das mãos da secretária de educação do Município Inez Eduardo.


Jeová Batista recendo o diploma das mãos da sua irmã Ismária Batista.
















Platéia no momento do evento




Dimas Macedo, presidente da Academia, Edenilda Lopes, prefeita de Lavras e João Ricarte, presidente da Câmara.















Dimas Macedo discursando.

Acadêmicos: Gilson Maciel, Marcondes Pinheiro, Émerson Monteiro, Rejane Augusto, Itamar Filgueiras, Batista de Lima, Dias da Silva, Egídio Barreto.














Zé Teles falando em nome dos acadêmicos.


Linhares Filho falando em nome da Academia.