sábado, 3 de julho de 2010

LANÇAMENTO DO LIVRO - ROSÁRIO DE QUITAIÚS - ROSA FIRMO

Fátima e João de Lemos, Jeová Batista, Aury Porto e William Torquato.






















Rosa Firmo autografando o livro para a conterrânea Anita Machado.



Convidadas da autora que abrilhantaram a festa.




Momento de descontração e muita alegria, embalada ao som do órgão e da excelente instrumentista.


Lúcia Maciel, Aury Porto e Antônio Torquato.







Rosa Firmo fazendo seu discurso de agradecimento.


Rosa Firmo apresentando o conterrâneo Aury Porto.


















Aury Porto subindo ao palco para ser apresentado pela autora.




Apresentação do Coral com a participação da poeta e escritora Rosa Firmo.
























Jeová Batista, Aury Porto e William Torquato.

















Apresentação da obra "Rosário de Quitaiús".

Dona Francisquinha aos 90 anos se apresentando para Rosa Firmo.





















O poeta e escritor Dimas Macêdo, a autora do livro e poeta Rosa Firmo e o autor e cineasta Aury Porto.


Jeová Batista abrindo o evento.



sexta-feira, 2 de julho de 2010

UM DIA DE PARTIR - Emerson Monteiro

Em um sonho recente, me vi menino outra vez. Menino bem à época quando parti com minha família do sítio onde nascera, em Lavras da Mangabeira, e viemos viver na cidade, em Crato, na região do Cariri cearense. Sei explicar pouco daquilo tudo, via, no entanto, sacudido de emoções e movimento, a hora da mudança; caminhão, jipe, malas, cacarecos espalhados pela calçada, na casa que meu pai construíra próxima da capelinha do sítio, em colina que divisava lá longe a bagaceira do engenho, a casa grande em que moravam meus avós paternos, uma represa do açude velho e o engenho. Logo embaixo passava, e fazia curva, a estrada principal que levava aos outros sítios mais acima, Grossos, Caraíbas, Santa Catarina, outros mais.
Via-me entre tantas esperas de desconhecido como nunca antes. Eu, menino dos matos, de poucos carros, multidão nenhuma, ignorante de gelo, calçamento. O que sabia de pessoas aglomeradas coubera no terreiro da casa grande na noite em que minha avó promovera uma quermesse de leilão para arrecadar recursos e restaurar a capela. Muitas prendas foram postas numa mesa grande e chegou gente de tudo quanto foi canto, dos lugares em volta. Daí, arriscar sair para mais longe, de onde meu pai voltava todo final de semana e preparara as coisas a fim de irmos morar, seria tarefa das maiores, na cabeça de uma criança de quatro anos.
Mas não me consultaram se queria largar para trás vacas, bezerros, ovelhas, jumentos, galinhas, pássaros, brisa gostosa das paredes de açude, as nuvens, a máquina de costura de minha mãe a cantar que eu observava nas manhãs da varanda, as raposas que meu pai pegava nas armadilhas deixadas no quintal da casa em incursões perversas ao poleiro das galinhas. A casa que só tinha de cimento queimado alguns cômodos, enquanto os demais eram de tijolo rústico, quase chão batido, em que mijávamos na absoluta naturalidade pelo fundo da rede, nas noites frias do sertão.
Fui sendo arrastado naquela voragem esquisita. Minha mãe chorava inconsolavelmente; meu pai preocupado, no meio do povo, a dar ordens na arrumação dos trens; os outros irmãos, Everardo, Lydia, os mais velhos, e Sônia, a mais nova, se perdiam com facilidade em meio àquilo tudo de partida sem esperança de um dia retornar a não nas férias do meio do ano, que aos poucos foram perdendo a graças, na concorrência dos novos apegos da cidade, colégios, amigos, namoradas, filmes, revistas, sorvetes, chocolates, pão do reino, essas bugigangas embusteiras dos mundos industrializados.
Saía de jeito esquizofrênico, forçando a originalidade das coisas no coração da gente, sem ser perguntado se desejava ir, levado para fora do universo inocente onde fora posto também sem ser perguntado. Lembro de poucos detalhes daquela peça rigorosa pregada pelo destino. Uns pedaços de memória afloraram nessa hora de sonho, contudo em algum lugar habita ainda um forte sentimento de saudade particular de mim mesmo, bicho assustado de saudade encolhido no lugar misterioso do qual, vez em quando, resolve sair para pregar das suas e enfiar de com raiva as unhas nos molhes abandonados do tempo, nessas avenidas longas do inconsciente.

terça-feira, 22 de junho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

RIR COM ANIMAÇÃO - Emerson Monteiro

Outro dia, assistindo ao programa Ceará DiVerso, do poeta Vandinho Pereira, na TV Verde Vale, me deparei com o personagem Tranquilino Ripuxado narrando uma de suas histórias engraçadas, que repasso aos leitores do jeito que pude guardar:
Dois compadres que se reencontravam e um deles perguntou ao outro:
- Manoel, você soube da morte de seu Joãozinho do Brejo?
- Soube, sim, compadre. Fui até no enterro dele.
- Pois é, compadre. Eu estava viajando e nem pude comparecer nas despedidas do amigo velho. Mas, compadre, diga como foi lá. Na ocasião, tinha muita gente?
- Ora, compadre, gente, tinha um tanto de gente. Só que nunca vi povo tão sem entusiasmo.
Bom, com esta rápida introdução, quero para falar um pouco da urgência do riso franco, verdadeiro, aberto, nas pessoas dos tempos atuais. Riso mesmo, cheio desse entusiasmo que, por vezes, invade todos os lugares. A história, modelo de irreverência, demonstra que o ato de existir pede alguma participação, vibração, interesse, inclusive na hora das exéquias dos rituais comunitários.
É isso que falta nestes dias de muito compromisso e pouca esportividade, gosto de viver e se animar nas celebrações da existência. Um povo frio, técnico, sisudo, dotado de grandes habilidades no volante dos automóveis, cumpridor das normas e obediências formais, no entanto exausto só de correr atrás da sobrevivência desenfreada.
Numa fase de esforço e preocupação com o dia de amanhã, para si e os seus familiares, patrimônio, fama, trajes e viagens apressadas, festas reservadas, salões atapetados, conjunturas e expectativas, quase nada se nota das cenas de cumplicidade, da leveza de ânimo, do companheirismo...
O riso perdeu aquele elã vital, como que sumiu do rádio, da televisão; os ditos programas humorísticos viraram programas chatos, artificiais, num país de excepcional história de humoristas que marcaram época; em poucas décadas sumiram da cena, e fazer graças virou tarefa, a bem dizer, impossível de voltar a acontecer.
Mais atrás, no calendário, havia os circos nas praças e seus felizes picadeiros, doses cavalares de gargalhas povoadas de palhaços espirituosos, algo típico de um tempo esperançado; linguagem das ruas, dos botequins, alcovas, numa festa inigualável de um Brasil de música inteligente, festas de largo preenchidas de foguetes e felicidade popular.
Quero crer, em face das mudanças climáticas que sacodem o Planeta em bases inesperadas, nisso venha nova safra de animação pelo ar, lembrando os sonhos mágicos da tecnologia nos três séculos transcorridos da Revolução Industrial, que chegou prometendo a democracia dos frutos do trabalho deste mundo.
E para conhecer mesmos os índices de desenvolvimento humano de um povo, observe-se a espontaneidade do riso e das suas comemorações nas conquistas sociais. Pois, no dizer do escritor Oswald de Andrade, a alegria é a prova dos nove.

sábado, 12 de junho de 2010

CONVITE - NOITE DE AUTÓGRAFOS

A escritora e poetisa lavrense, Rosa Firmo, tem a honra de convidar para o lançamento do livro "Rosário de Quitáiús" (Memória sócio-histórica do Distrito), de sua autoria. A obra será apresentada pelo escritor, poeta, crítico literário e intelectual lavrense, Dimas Macedo. O evento acontecerá no dia 01 de julho de 2010, às 19 horas, na Associação dos Fazendários - Rua: 25 de março, 537 - Centro - Fortaleza - CE.

Participem!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

PALAVRAS AO VENTO - Emerson Monteiro

Busco a espontaneidade para chegar aqui na frente desta máquina incandescente e me expressar livre de tensões ou preparações, dizer da apreensão quanto ao meu tempo e seus acontecimentos, qual testemunho do que precisar ser presenciado.
Falar com franqueza a propósito das aberrações que vêm sendo perpetradas pelo próprio homem de cuja humanidade também participo. Erguer a voz de modo objetivo a respeito das fraquezas exploradoras dos países opressores em detrimento dos povos indefesos. Circunscrever as aferições de burrices desencontradas, como a do vazamento esdrúxulo de milhões e milhões de barris de petróleo no Golfo do México, sangria ainda desatada por pura incompetência do capitalismo em desenvolver suas aventuras, detrimento impune da grande natureza, sem que se ergam, nos quadrantes do Planeta ofendido, vozes altivas e eficientes de nações similares, reivindicando a responsabilização dos principais culpados pelos desmandos praticados.
Nas guerras desencontradas dos interesses inconfessáveis da ganância, que possam a delinear os equívocos da destruição em massa de culturas milenares, o que se dá com ênfase no Afeganistão e no Iraque, nesta hora, sem atitude proporcional de repúdio dos bilhões de seres humanos que, apáticos, impotentes, assistem ao genocídio, semelhante ao que outros conquistadores simplesmente consideraram objetivos pessoais dos grupos que representavam, o quanto disseminaram de sangue e miséria Alexandre, César, Napoleão, Hitler, ao bel prazer das circunstâncias maléficas dos tempos, aplaudidas nos bastidores pelos magnatas detentores do dinheiro, dos minérios, das indústrias, mercados, seus financiadores clandestinos insaciáveis.
Agir pelas palavras que os meios permitem, para fincar marcos divisórios entre a consciência e a imbecilidade humanas, deste período, refletindo os valores da minha época, numa função denunciadora dos crimes praticados a céu aberto, à luz do meio-dia, ausentes da penitência daqueles que detêm o lucro, fator da subjugação dos ricos sobre as massas alienadas, relegadas a inúteis planos. Responder, na altura do drama, ao desafio do silêncio cúmplice dos absurdos desmatamentos e tanta destruição dos recursos naturais, a pretexto de produzir armas ou alimentos prejudiciais às espécies, sob os olhares obsessivos da rapinagem detentora do poder no mundo. Enquanto a máquina infernal da propaganda conivente usufrui do repasto oficial, passando caco de vidro por diamante, nas luxuosas feiras internacionais de tecnologia.
Usar a fala numa definição de princípios justos, destacando a honestidade como a melhor política e a dignidade como o único sentido dos sacrifícios coletivos, e fator de sobrevivência social, em um cenário de máscaras e fingimento, quando mentiras proliferam às escondidas e as versões satisfazem ao gosto amargo dos donatários nacionais, na medida em que adotam princípios inconfessáveis para comandar o destino da solitária multidão.
No andamento da escalada histórica de séculos e séculos assim jogados na lama, imprevidentes comandos desfilam, feras indomáveis, nos horários nobres das gerações, e tropas municiadas de sede e esperança gesticulam, nas trincheiras, avisos constantes da natureza seviciada, e sacodem, nos braços doloridos, as marcas dessa cavalgada grosseira. Novos dias, contudo, vêm nas margens do horizonte ao resplendor claro do Sol, exemplo maior de perfeição, num convite aos sonhos de união e paz a velhos corações indiferentes dos autores adormecidos da cena, que somos todos nós.

terça-feira, 8 de junho de 2010

QUE É FELICIDADE - Emerson Monteiro

Todos nós possuímos nossas razões de viver na variação dos interesses transitórios deste mundo cheio de elencos infinitos de pretextos para gozar. Torcer por times de futebol. Acompanhar novelas de televisão. Vícios variados; cigarro, droga, bebida. Mania de ler, de falar, comentar a vida alheia. Ganhar dinheiro. Gastar noites de sono precioso em mesas de jogo. Viajar pelo mundo observando outros povos e costumes. Andar de bicicleta. Passear de automóvel, no gosto e poder aquisitivo de quem usa. Criar cavalos de raça, peixes ornamentais, cachorros, coelhos, galinhas, ovelhas, patos, mocós, etc. Colecionar armas brancas, selos, gibis, mandatos, aviões, jóias, moedas, sapatos, livros, escrituras de terra, casas, perfumes, charutos, admiradores, canetas, vinhos, títulos universitários, entradas na polícia, visitas a museus, carimbos e passaportes, telas e desenhos, endereços eletrônicos, etc., etc.
Falar do que seja felicidade, por isso, reclama de observar cada indivíduo e o jeito se apegar a valores, na medida de cada freguês, pela ótica que lhe é própria.
Uns, visualizam apenas os detalhes; outros, o todo; sempre na intenção de si agradar, de achar satisfação nas jornadas desta vida.
Pelo transcorrer da história pessoal, topamo-nos com as oportunidades para construir justificações aos chamamentos, à proporção em que se aproxima o acerto das contas da história toda. Ainda não existe, contudo, um padrão universal que represente a felicidade, que reúna elementos de certeza absoluta, que explique nossa origem, o que estamos fazendo aqui e para onde iremos depois, nos segredos do Universo.
Há, sim, versões mitológicas, filosóficas, religiosas, acadêmicas, porém prova provada, definitiva, aceita sem conflitos por toda gente e em todos os lugares, isso ainda esperam os habitantes desta terra.
No entanto, viver é preciso, e sob o signo da felicidade, livre do que dizem e pensam as ruas, os botecos e clubes. Só avaliar objetos, sentimentos, fenômenos fica devendo para esclarecer o enigma das gerações. A escolha da adoração particular, sem preencher com clareza o espaço da verdadeira expectativa, mostra limitação que resiste à busca, no entanto, demonstra necessidade de ir em frente, firmes, sem desprezar os deveres de filhos, pais, cidadãos e contribuintes.
No frigir dos ovos, resta, então, mergulhar de cabeça dentro de nós próprios, indo às profundidades da alma, escarafunchar as entranhas, experimentar os sabores na relação com o todo, independente dos sentidos animais, e achar o propósito mais íntimo da realidade.
Nisso encontrar-se-á, na essência, sentimento alto que acolhe de braços abertos, o amor, Ser supremo, ente maior das filosofias, natureza fundamental da Criação, algo semelhante à fonte inesgotável jamais imaginada. E descobrirá transformação noutro patamar de circunstâncias que revelará novos sonhos e dimensões nunca presenciadas nas coisas materiais.
A interpretação, portanto, do que seja felicidade ressurge das virtudes adquiridas nesse acontecimento, após o desencanto dos prazeres fáceis.
Com isso, a vida ganhará novas cores e o palco da fantasia revelará outra possibilidade, no sentido pleno da caminhada. Resultado, o conceito de felicidade ampliará o viver da multidão, que nisso experimenta os frutos e as formas da beleza definitiva de uma nova humanidade.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

COMEMORAÇÃO DE 2º ANIVERSÁRIO DA ALL NA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS.

Dr. João de Lemos tomando assento para presidir a sessão.






O jornalista e apresentador Evandro Nogueira, abrindo o evento.


Pe. Amorim, João de Lemos, Linhares Filho e Mariazinha.





















Rosa Firmo, esposo e amiga na posse da Nova Diretoria da ALL.









terça-feira, 1 de junho de 2010

SOMBRAS DA ILUSÃO - Emerson Monteiro

A força de seres humanos justificarem seus desejos beira os limites do infinito. No afã de motivar suas ações, pessoas estabelecem objetivos inalcançáveis e enormes sacrifícios individuais e coletivos, a ponto de ocasionar equívocos, atrasos e destruições, invés do progresso. Nisso, os chefes transferem às massas o peso maior das responsabilidades, rápidos mergulhos nas páginas da história bem demonstram com enorme facilidade.
Não fossem os riscos grosseiros lançados às multidões, caso apenas seus autores respondessem pelas ações irrefletidas na própria pele, e seria a conta pela receita, sem queixumes ou críticas, bater a poeira e começar de novo.
Entretanto, os frutos da fome dos dominadores nunca se restringem apenas aos botões que carregam no âmbito da autoridade. Derramam pelos oceanos, confrangem populações distantes, aquecem temperaturas, danificam a saúde pública, aumentam o desconforto das famílias, invadem a paz, sacrificam até a natureza-mãe e atrasam o desenvolvimento social. Eles ocupam os lugares, erram, ou nada produzem do esperado e necessário.
Nessas experiências inúteis e aventuras vaidosas, líderes ocasionais se aboletam nos tronos e esbanjam os recursos de suor e sustento da grande população, juntados, a duras penas, de impostos e taxas.
O sistema democrático virou moeda de troca do jogo político de séculos, nível mais alto da tradição coletiva de todo mundo. Equivaleria àquela coisa que alguns dizem do casamento: ruim com ele, pior sem ele. Ruim com ela, pior sem ela. A democracia, governo do povo, pelo povo, para o povo, mantém os seus caminhos abertos e livres ao acesso de milhões. Diante de um aparato legal, partidos políticos se organizam e a cidadania prevalece.
Porém o governo ideal insiste habitar a casa do sonho. Enquanto a matéria prima humana precisar de aprimoramento, e a moral insistir morar longe da Ética, a pisada é trocar seis por meia dúzia.
Turnos eleitorais, que significariam festas da democracia, viram palcos de negociações interesseiras entre pessoas e grupos, e custam elevadas somas em termos de propaganda, favores, telhas, tijolos, sacos de cimento, dentaduras, varas de cano, bicadas de cachaça, cervejadas, churrascos, naquele império capenga da torpe demagogia, do aviltamento da dignidade e da ausência do decoro, pois viciaram as massas.
Quando, nessas datas, o drama popular ganha ruas e praças; armam-se picadeiros e palhaços sobem nas pernas de pau do marketing político para gritar frases de efeito, no circo da ilusão. Nada justificaria, contudo, fugir dos princípios democráticos. O ânimo de achar o caminho da transparência reclama, outra vez, eleitores conscientes e sempre escolha de melhores representantes e administradores públicos, em nova e rica oportunidade.

sábado, 29 de maio de 2010

AINDA SEM DESTINO - Emerson Monteiro

Neste sábado, 29 de maio de 2010, circulou pelos jornais a notícia da morte do ator norte-americano Dennis Hopper, diretor e coadjuvante de Peter Fonda e Jack Nicholson, no filme Sem destino (Easy rider), película que marcou os anos 60 e sua geração perdida.
Esse clássico enfoca, sem meias tintas, o drama daqueles finais de século, numa fusão sintomática de drogas, sexo e ânsias existenciais da juventude, busca desesperada de encontrar o promo do crescimento tecnológico impaciente e recheado de fascismo opressor, frieza inútil da macroestrutura capitalista materialista, institucional, avassaladora.
Ao lado deste, um outro filme, o inglês Depois daquele beijo (Blow-up), do diretor Michelangelo Antonioni, também refletiria com vigor o quadro sem saída que se desenhava no horizonte das eras e previa nuvens de impossibilidades reais da política, no futuro das próximas décadas mundiais.
Eram tempos de profundas divisões de águas, auge do movimento contestatório dos hippies, quando jovens de todas as classes sociais do mundo se espalhariam, a circular feitos formigas atônitas, catando possibilidades apenas imaginárias, a fim de tranquilizar a consciência das intuições que prenunciavam geopolítica infame a subjugar o âmbito das pessoas humanas.
No roteiro de Sem destino, dois fiéis representantes da contracultura viajam de motocicleta entre as cidades americanas de Los Angeles e Nova Orleans, cruzando impávidas o território estadunidense.
No longo itinerário, sentem de perto a liberdade do espírito aventureiro a lhes sacudir os longos cabelos, pelas estradas desertas, imprevisíveis, expostos e submissos às circunstâncias do acaso desafiador, porém confrontam os habitantes reacionários das povoações interioranas por demais preconceituosos.
Campo aberto para avaliações do tempo histórico totalitário da época, o filme apresenta com sucesso as marcas frias da mentalidade que dominaria logo mais os quadros planetárias posteriores à Guerra do Vietnam e, um pouco adiante, à queda do Muro de Berlim, portas atuais de outros absurdos totalitários.
Em rápido apanhado de verdadeiro profeta, ao término da narração, Dennis Hopper chocaria seus contemporâneos, que aguardavam final menos infeliz, com a explosão amarga da destruição dos dois personagens, cena de uma tocha de fogo produzida pelo disparo das armas dos seus perseguidores. Algo equivalente à incapacidade reconhecida de mudar o sistema plenipotenciário em que se reverteu o sonho das realizações ilusórias deste chão que foge ao contato dos nossos pés.
Hopper tinha 74 anos e morreu por volta das 8h15 deste dia, cercado por familiares e amigos, disse o seu amigo Alex Hitz.

domingo, 23 de maio de 2010

GOSTO NÃO SE DISCUTE - Emerson Monteiro

Triste do amarelo se todos gostassem do encarnado, eis frase que ouvia vezes sem conta de minha sábia mãe, contemporizando o atrito entre os filhos, falando essas coisas da sabedoria popular, segundo ela, aprendidas de seu pai, fiel apreciador dos dizeres do povo. E eu guardo com carinho algumas dessas pérolas definitivas que bem representam filosofia natural, transmitida de geração a geração pela oralidade.
Bom, quanto à questão do gosto, aos poucos a humanidade vem descobrindo o valor da diversidade nos assuntos da civilização. Vinícius de Moraes, numa de suas composições, afirma: Se todos fossem iguais a você que maravilha viver. Diz, mas já sabendo que a vida significa a contagem regressiva da morte, daí a beleza hipotética de seus versos. As dez mil coisas formam o teatro do Universo. O que seria da comédia se todos gostassem da tragédia?
Em matéria de literatura, vale lembrar que Franz Kafka em vida não chegou a publicar uma única de suas obras geniais, restando só à posteridade o raro prazer de apreciá-las. E outro expoente das letras, Jean-Paul Sartre, recusou o prêmio Nobel da Literatura vistas suas razões políticas, desmerecendo no gesto a tão ambicionada comenda dos autores mundiais.
No Brasil, quando Euclides da Cunha publicou Os sertões, trabalho de fôlego a retratar, na visão das elites brasileiras, no conflito de Canudos, retirou-se para uma fazenda no interior paulista pressentindo o fracasso da edição, e ele escolhia se distanciar para não presenciar de perto. Contudo, rápido o livro se esgotava e, ainda hoje, é reconhecido e admirado por muitos.
As diferenças formam o grande todo. Existem pessoas que preferem chã de dentro invés de músculo, e nem por essa razão todo dia se deixa de matar boi. Tem quem coma seus tecidos, independente do nome das partes ou da consistência da carne.
Isso porque há gosto para tudo. Caso as pessoas a quem decepcionamos vez em quando, as quais chegam a formar verdadeiras multidões, exigissem mais de nós ao nos conhecer, por certo facilitariam, com isto, nossa caminhada e economizariam fortunas em sofrimento para si e para outros.
Ser exigente nas escolhas, portanto, evita transtornos futuros e suprime a ilusão dos que se imaginam superiores, quando, na verdade, pecados e virtudes acham-se distribuídas em proporções equitativas no espaço da natureza, sem injustiças ou privilégios, vindo daí o segredo valioso da conformação. E maiores são os poderes de Deus.

sábado, 22 de maio de 2010

PROJETO FICHA LIMPA - Emerson Monteiro

Afinal o Congresso aprovou (dia 19 de maio de 2010) o projeto Ficha Limpa, dificultando assim o registro de candidatos às eleições brasileiras que hajam sido condenados por crimes graves após decisão colegiada da Justiça (mais de um juiz). A inelegibilidade do político será de oito anos.
Eis medida das mais prudentes, que de há muito reclamava definição, porquanto lugar de apenado é sob a guante da Lei e não a representar faceiros a coletividade, numa atualização das melhores, pois, com ênfase neste ano eleitoral.
Filtrar ao máximo vira assim palavra de ordem na política brasileira e afasta do cenário graves ameaças que circulam livres nos corredores das urnas, a cada pleito.
Sabe-se, no entanto, que a decisão final da política veem dos eleitores. As práticas carecem de urgentes mudanças no trato com o voto, sobretudo por parte dos responsáveis diretos pelo assunto, no caso os votantes.
Inexistiriam corruptos não houvesse corruptores. No caso da política, o procedimento torna-se de mão dupla. Corruptos e corruptores tendem a se confundir no decorrer da dramatização, palco eivado de vícios crônicos.
Quando candidatos inescrupulosos aliciam batalhões de eleitores para chegar e permanecer nos mandatos agem premidos pela solicitação das benesses fruto da inanição secular do mercado em que se tornou o território das madrugadas eleitoreiras.
O mesmo tanto ocorre no instante em que eleitores estendem as mãos para receber benefícios, inconscientes do poder auspicioso que tem o voto na determinação do futuro da sociedade.
Aspira-se, por isso, diante da recente decisão que os fichas limpas honrem o vigor da nova legislação e que o panorama da política nacional mereça valores proporcionais à grande carência de líderes comprometidos mais com o povo do que consigo próprios e suas camarilhas ambiciosas.

sábado, 15 de maio de 2010

PADARIAS ESPIRITUAIS - Emerson Monteiro

Elmano Pinheiro Rodrigues, cearense de Farias Brito, supervisor editorial da Universidade Nacional de Brasília, desenvolve projeto cultural de semear a boa leitura pelo Brasil. Quando de férias no Cariri, em janeiro deste ano, ele aproveito a ocasião para dar início a mais 40 pontos de bibliotecas nas cidades do Sul do Ceará.
A proposta de Elmano é incentivar a preservação da memória das personalidades locais nas comunidades onde elas viveram e prestaram serviço, as quais, com o passar do tempo, ficariam esquecidas na memória social, adotando seus nomes para as novas bibliotecas fundadas por ele. Um dos exemplos que apresenta: Abelardo Arrais, líder no distrito de Quincuncá, em Farias Brito, o qual, para resgatar memória e obra do líder, realizou na localidade a instalação do que considerar uma “padaria espiritual”, referência ao movimento literário cearense do final do século XIX, em Fortaleza, capitaneado por vários intelectuais, dentre os quais o escritor Antônio Sales. Tinham preocupação idêntica de fomentar o gosto pela leitura no seio da grande população, através de constantes atividades de divulgação das obras literárias.
No seu ofício profissional, Elmano Rodrigues se movimenta com desenvoltura junto às editoras e autoridades, tanto na Capital Federal quanto no Sudeste do Brasil, reunindo por doação livros e conseguindo o transporte destes aos lugares mais distantes que sejam do território brasileiro.
Os livros são adquiridos junto a ministérios, editoras, universidades e secretarias, sobretudo no Distrito Federal.
Para iniciar uma padaria espiritual, ele oferece a primeira cota de 500 livros, aos quais depois virá reunir novas publicações, a depender do interesse de quem se dispuser a levar em frente o trabalho inicial.
Afinal, o livro define bem o que representa um bom amigo. Sempre do nosso lado, observa silencioso nossos passos e traz o apoio nas horas de solidão e dificuldade, além de nos alegras nas horas de lazer. Houve alguém que, com propriedade, afirmou que “uma casa sem livros é uma casa sem alma”.
O livro segue sendo a maior invenção de toda a humanidade, pois se acha na origem das demais iniciativas humanas, somando experiências e transmitindo as novas práticas, de geração a geração.
Quem ainda não despertou para a riqueza da leitura dos livros deve tomar a feliz iniciativa e começar o hábito da leitura o quanto antes, só então irá reconhecer o que tantos vêm dizendo a séculos.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

DIMAS MACEDO RECEBE TÍTULO DE CIDADÃO FORTALEZENSE

Dimas Macedo com o Título de Cidadão de Fortaleza em mãos.

Ontem, 13 de maio, o escritor lavrense, poeta, critico literário, Procurador do Estado do Ceará e membro desta Academia - Cadeira Nº 26, Dimas Macedo, recebeu em Sessão Solene o Título de Cidadão Fortalezense, no Plenário da Câmara Municipal de Fortaleza. Estiveram presentes ao evento autoridades, intelectuais, familiares e conterrâneos lavrenses. Todos orgulhosos e gratificados por tão merecida homenagem.

sábado, 8 de maio de 2010

NO CORAÇÃO DA GENTE - Emerson Monteiro

Passadas se foram situações emocionais e, por vezes, permanecem no âmago do peito, bem no crivo do coração, retardatárias, incoerentes, as mesmas impressões de intenso fervor indefinido nas palavras silenciosas que gritam. Há pouco, impactos vividos no mais profundo da alma pediam gritantes explicações sem resposta, pois dependiam do outros, que duraram dias, meses, existências.
Quais zumbis de qualidade e cores estridentes, tons maiores de ansiedade e desprezo, tais formações nodulosas, invadem a serenidade apenas aparente do cotidiano, filhos diletos das paixões universais, no palco interior desse peito, se arriscam percorrer, por tempo descomunal, os intermináveis corredores dos recônditos lugares do corpo, entra na trilha dos pensamentos através de excursões permanentes de retorno intermitente.
Nisto, bestas solitários portadoras de saudades sombrias, arrastam consigo bolsas pesadas de dúvidas impermeáveis, mágoas fragorosas, culpas sepulcrais, exigências endurecidas, vastas penumbras recorrentes, e, contra a vontade, nos transportam a dimensões reservadas de cavernas escuras, quais guerreiros de dramas ancestrais, postigos de chapéus empoeirados nas jornadas sórdidas da experiência, largados ao abandono diante do monturo supérfluo de horas mortas.
Restos das refeições felizes ali se mexem encarquilhadas, larvas da série da gente nos instantes saboreados quase sempre ao lado de criaturas humanas bonitas, charmosas, fragmentos fantasmas de espelhos desbotados que amareleceram, pétalas secas de livros atirados nas gavetas esquecidas; eles a nos esfregar a cara de palpites pegajosos, reclamos de outras margens impossíveis, erros aflitivos de lances duvidosos, digamos em resumo.
Nalguns momentos, funcionam, sem quaisquer cerimônias, de inimigos da paz interna das tréguas, a chutar contra o patrimônio pessoal. Noutros, agem parecido com micro e dolorosos incidentes suspensos no horizonte do tórax; convergem nuvens de chumbo que teimam em não chover jamais; máscaras de azia, bolos estomacais, cólicas, coceiras...
Só raramente advérbio de modo providencial, menos denso, chega-nos desconfiado em socorro, trazendo notícias de jardins ensolarados, alentos ainda tardios, nervosos, a nutrir de reparo às frustrações lancinantes, marcas vermelhas na vastidão das ilhas abandonadas, testemunhos inconvenientes de perdidos sonhos, amores equivocados, inúteis paisagens das insônias, constelações do universo distante, nos mundos inconscientes; esperanças, talvez, de acasos fortuitos, portais reencarnatórios das soluções futuras, tropel harmonioso dos degraus da verdade eterna.
São os vultos sorrateiros de si próprio, matéria vigorosa da individualidade prepotente, sentimentos, digamos assim, elaborados na ausência da ternura, na busca de termos melhor categorizados.
Bom, nisso de identificar os tais estilhaços flutuantes da corrente sanguínea do ser abstrato e sua dor de existir, império talentoso dos casos clínicos particulares das criaturas atuais, invade-se o tempo da eternidade, nos seis pontos cardeais do intrépido infinito; se chora sozinho, se chora pelos cantos; elaboram-se cantilenas melodiosas, versos quadrados, modernos, perpassados de litanias fragorosas, vendavais insubmissos de súplica que varrem impiedosos as superfícies emolduradas nos eufemismos culturais de letras maiúsculas, decentes, dos valores imortais. Elaborações filosóficas exemplares trabalham as lufadas de tempestade, transformando-as em brisas suaves de manhãs inesquecíveis, conceito civilizado da persistência, feras descomunais extintas se nos mudam mais mansos animais de estimação; quadros fortes de museus; livros encadernados e suas lombadas brilhantes, dose certa depositada nas prateleiras das academias públicas, pedaços conservados nos sarcófagos das gerações futuras; fogueiras apagadas viram rescaldos mornos, a encher de lágrimas doces olhos ardentes...
E cada um rompe o hímen da cena seguinte, com as faces das corujas atormentadas, porém calmas no esquecimento de quem vive com pressão cardíaca nas raias da normalidade, medidas ideais do expediente, destemor na ponta da língua afiada, épicos do espetáculo revivido, máquinas da permanência, seres eficientes do inesgotável destino, altivos palatinos da utopia, páginas de velhos almanaques, último lançamento de grife, etc. Sentimento, generosidade, coração. Expressão, animação, vida. A alma perpétua deste mundo. Veemência de sentimento; entusiasmo, arrebatamento. Pessoa, indivíduo... Arre, quanta letra em espaço tão pequeno só para dizer que dói viver, e angustia sentir paixão não correspondida...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

CONVITE

O Presidente da Câmara Municipal de Fortaleza,
Vereador Salmito Filho.
Convida para Sessão Solene de entrega do
Título de Cidadão de Fortaleza
ao escritor Dimas Macedo.
Projeto de Decreto Legislativo de autoria do
Vereador Paulo Facó.
A realiza-se às 19h30min
do dia 13 de maio de 2010,
No Plenário Fausto Aguiar Arruda.
Traje: Passeio Completo
Endereço: Rua Thompson Bulcão, 830 - Luciano Cavalcante.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O RISCO DAS GENERALIZAÇÕES - Emerson Monteiro

Onda recente de notícias trouxe aos meios de comunicação ocorrências de pedofilia no seio da Igreja Católica, revelando as marcas humanas no seio da milenar instituição e sua longa história. Pessoas, sobre as quais pesavam responsabilidades extremas para o encaminhamento moral das novas gerações, no momento seguinte se veem no foco de acontecimentos ilícitos, a permitir o crivo da civilização que explora ao máximo o sensacionalismo e tende a precipitar conclusões, numa época fértil em denominações religiosas.
Defronte do quadro das mazelas verificadas no interior da maior e mais tradicional condutora de fiéis do Ocidente cabem algumas interpretações que signifiquem algo complementar aos libelos acusatórios impiedosos levantados.
A boa ciência reclama serenidade, invés de precipitação, nos sérios julgamentos. Porquanto há caldo volumoso, ainda a ser considerado, de serviços validos creditados aos quantos conduzem a Barca de São Pedro, como se costuma chamar a Igreja.
E no andar dos conceitos, desponta na memória o trecho da vida de Jesus quando lhe foi trazida ao exame uma mulher adúltera, que entre os judeus sofreria execução pública por causa do crime praticado, no império da lei vigente.
Perguntado qual sua posição ante a sentença, o Divino Mestre devolveu aos maiorais daquele povo, prontos exercer a pena e matar a mulher, as célebres palavras evangélicas: “Quem estiver sem pecados, atire a primeira pedra” (João 8, 1-11).
É isso que vem ao pensamento, na sede justicialista dos que reclamam justiça fria e cruenta aos delitos identificados nos grupamentos católicos, de algumas localidades do mundo, a esquecer aspectos valiosos de sensatez do conjunto católico, nas eras da sua história, evidenciando a exclusiva falibilidade humana dos níveis individuais de cada crime, o outro nome da generalização preconceituosa.
Igualmente, quase sempre os autores das severas condenações esquecem dos débitos da humanidade para com os sucessos multiformes da Igreja Católica em lances benfazejos. Apontar, de modo único e fatal, ordenar a pronta lapidação da instituição como responsável exclusiva pelos defeitos da raça composta de muitos indivíduos, que deve também ao espírito da justiça cristã sua vasta formação de mentalidade civilizadora, sujeita impor aos bons dores fruto de pecados particulares de uma parte desse todo, a denotar parcialidade e ingratidão.
Nisso a História prescreve um exame consciencioso dos casos indesejáveis e suas imediatas reparações, rumo aonde o joio nunca seja o trigo, sem pretender generalizar motivos parciais, coerência esta que ensina a Verdade, nas promessas do eterno Amor.

domingo, 25 de abril de 2010

AS CIDADES ATUAIS - Emerson Monteiro

Nas suas origens, a cidade surgia como solução dos problemas de uma humanidade solitária, assuntada em face das intempéries naturais. Quando os seres humanos notaram que a ordem individual das pessoas precisava encontrar alternativas comuns para seus problemas, naquele momento decidiram abrir mão dos valores da paz pessoal em nome da formação dos aglomerados coletivos e seguros.
E agora, transcorridos milênios de experiências, o que vemos são essas cidades lotadas de interrogações quanto a um futuro melhor, onde os dramas de que as pessoas fugiram ao deixar a selva apresentam face talvez tão pavorosa quanto no início da grande aventura social.
Às portas das residências urbanas batem hoje demandas de tão difíceis respostas que agoniam o espírito moderno como garras afiadas a pescoços descobertos. Em velocidade estúpida, o crescimento desordenado das populações já invade áreas de risco inadequadas e inóspitas; a construção de moradias anda a passos lentos em relação ao número de habitantes; as distâncias impõem milhões de transportes que abarrotam vias de circulação e tornam lentos os percursos entre a casa e o trabalho; a sobrevivência reduz conceitos morais em níveis jamais suportados de perversão, ocasionando guerra de classes e desconfiança mútua entre as pessoas, num somatório desordenado de vícios e violência, na coletivização da insegurança e da promiscuidade, tudo levando de roldão o sonho dourado da paz às raias de pesadelos e desencantos avassaladores.
Diante disso, os caminhos da política, velha reserva das respostas negociadas na praça pública, tornam-se tortuosos e ineficazes para oferecer frutos doces de honestidade a que se propunham nos primórdios.
As cidades, em consequência disso, acordam, dia após dia, na longa fila de espera dos novos meios promissores, e a natureza humana apenas amargura pela vida o descumprindo de seu papel de aprimoramento em grupo na força da paciência e da esperança.
Sob este impacto de mais desafios do que de satisfação segue o barco da história, a repassar às outras gerações aquilo que caberia aos contemporâneos resolver com habilidade, concluímos a título de um diagnóstico antes das soluções urgentes necessárias.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

PROGRAMAÇÃO DA FESTA DE SÃO VICENTE FERRER - 08 A 18 DE ABRIL






SEMANA DO PADROEIRO - SÃO VICENTE FERRER

5 DE ABRIL - Dia de São Vicente Ferrer

"Cultivai o santo temor de Deus e só a ele dai louvor e glória"

São Vicente Ferrer

R

terça-feira, 6 de abril de 2010

TEMPO, O SENHOR DA RAZÃO - Emerson Monteiro

Tantas vezes quantas necessárias, haveremos de recorrer às ideias na intenção de esclarecer, ou mesmo refutar, contradições do cotidiano. Parar e pensar, por menor proveito que represente do imenso cabedal dos acontecimentos, deixam aflorar revelações fundamentais, novas e outras revelações, sentido único de superar as fronteiras rijas do instante.
Pensar representaria, portanto, a mais extensa faixa do caminho, na revelação individual da consciência. Novas chances de esperar movimentações da mente imporiam a alternativa às longas ou breves excursões pelos mares do desconhecido, nas camadas possíveis do instante, com estação final num dia a todos assinalado.
Conquanto o fluir das horas marquem pulsar da finalidade útil de contemplar e interpretar motivos, andar aqui, na face deste chão lotado de questões fundamentais, a todo segundo configura o adiamento do ato final do drama diário.
Ninguém percorre seus passos isento de responsabilidades perante a longa humanidade, independente das opções particulares de quem se pretenda possuir talentos superiores, porquanto um determinismo cósmico, ou destino, avalia e conduz o presente definitivo, nas telas do agora aqui, cinema perpétuo. Força coercitiva, constante, raiz dos mínimos fenômenos, converge fatal, para produzir resultados constelados de séculos e milênios.
A própria razão da civilização dos homens se submete ao tal processo intermitente das horas que correm ao ritmo de corações imaginários. Pela hierarquia dos poderes universais, o Tempo fixa padrões de circunstâncias, enquanto pessoas borbulham pensamentos nascidos nas ocorrências históricas.
O poder que em si contém o fluir de todo momento resume a potência dos seres limitados da Natureza e governa acima de tudo, dotado de tentáculos enérgicos a ponto de suplantar as liberdades humanas e a ânsia de superioridade, quadro geral da expectativa existencial.
Ainda que usufruamos dos pensamentos e elaboremos conceitos racionais sob o manto da mesma racionalidade, sua interpretação defronta barreira inesgotável de normas e resultados quiçá contraditórios, a cobrir nossos pés, na força das oportunidades.
Diante disso, quer-se crer em níveis superiores de uma outra razão acima da razão vulgar das criaturas humanas, domínio que abrange o vasto Universo e elabora causas originais, além de manifestar a forma do Tempo na face do Nada absoluto; um senhor da razão apenas relativa, Ser dos seres.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

MERCADORES DE ILUSÕES - Emerson Monteiro

A política acontece para suprir as carências da sociedade naquilo que diz respeito à administração dos bens coletivos, buscando o equilíbrio das desigualdades sociais e limitações individuais. No entanto, pouco acontece de tais previsões. Trabalhar, os políticos trabalham, uns, a grande maioria, em favor deles próprios, de seus grupos, corporações, familiares. Outros, número bem mais reduzido, esticam o pescoço na ânsia de cumprir os mandamentos dos ideais, alimentados anos a fio, sem, contudo, realizar o que desejam, por conta das restrições do quadro histórico e suas instituições carcomidas.
Quando se aproximam os turnos eleitorais, o formigueiro se assanha, viajam que uma beleza as vedetes políticas, na procura desenfreada de reeleições, preservação de mandatos, garantia de sinecuras, um deus nos acuda.
O povo, que preserva a sabedoria fruto da experiência, afirma que gato escaldado tem medo de água fria, acredita descrendo, alimenta garantindo o seu, e exige contrapartida perante os discursos apresentados. O panorama do voto, portanto, torna-se negócio esquisito, sujos falando de mal-lavados, raposa cuidando de galinheiro, enquanto o sonho dos dias melhores fervilha no seio das gerações em largos pedidos de ética e esforços de modificação dessa roda pensa.
Este ano de 2010 abre suas portas aos mercadores de ilusões da política nacional cheio de festa, em ano de Copa do Mundo. Ninguém traz estrela na testa, mas a responsabilidade cada dia aumenta mais diante das escolhas e das crises, sobretudo da moralidade pública. Caprichemos, pois, na mira ao selecionar os candidatos para sufragar, que tempo haverá para isto. Exercitemos a consciência dos tempos de transformação há tanto esperado por todos.

quarta-feira, 31 de março de 2010

sábado, 20 de março de 2010

A LONGA ESPERA DE UM NÁUFRAGO - Emerson Monteiro

Que inigualável o pensamento!... De um momento a outro, formam-se nuvens de imagens e apontam no horizonte as palavras, quadro nítido a contar o que isso quer dizer, no trânsito filosófico de conceitos, à pulsação de significados. Existência quer falar, neste mar sem fim. Os endereços das mensagens abrem portas, pedindo clemência, num fervilhar de ancas, dançarinas fogosas de lábios convidativos, e descem pelas veias do instante a seiva de persistir, diferente de quando o barco afundou, largou tripulantes no alto mar, ou em meio aos rochedos afiados de continentes escuros, ou areias escaldantes de ilhas desertas, indiferentes projetos ilusórios que antes alimentavam sonhos fantasmagóricos, perdas largadas nas ondas por náufrago agarrado a vida incógnita qual derradeira esperança irresponsável.
Vem o Sol, vem a Lua, as Estrelas, dias e noites pontuais... Popas distantes de outros barcos passam ao largo inalcançáveis... Chuva... Vento... Uma lâmina impaciente de vagas brilhantes cobre de espumas cinzentas narinas ofegantes.
Boiar sobre escombros, agarrado aos laços de cordas rotas, língua seca e lábios tostados, marcas purulentas de esverdeadas escamas lhe cobrem a pele. Nisso, luz intensa perfura-lhe os olhos, enquanto a pulsação das águas fustiga o flanco do destino à deriva, ritmo de canção entranhada na memória sem qualquer sentido, que persiste no oceano de inconsciente sonâmbulo, vadio marulhar forte na caverna dos ouvidos.
Lento esperar por quem nunca avisou que chegaria aos comboios próximos das circunstâncias possíveis... Porém mandara subscrito inevitável demonstrando a obrigação de viver enquanto no peito sacudir o tambor do coração...
Ao apagar das luzes do verão absurdo, fogo-fátuo indiferente crepita o infinito da planura e saltam mechas derradeiras de poente, cenário próprio ao delírio da sede que lhe corrói as entranhas, aviso pegajoso do trilho comum a todos os seres vivos.
Retornam, através da sensação, espasmos frios de gotas saltitantes, desejo apreensivo de rever a família reunida em torno do pão, à mesa do jantar, quando filhos se divertem com menores assuntos. Ouvir o futuro, abandonar asas ao crepitar sereno das tardes simples, solenes, espaço das certezas que fogem, fagulhas amolecendo na brisa de ausências que apenas aguardam outras combinações de letras e argumentos, exemplos eternos da cena seguir em frente, maior do que meros organismos que se dissolvam.
Essa espera também domina o Universo; aves resvalam terras douradas, às vezes bem aqui, outras distantes, reforços do instinto de sobreviver, contenção da indesejável solidão do cérebro tostado no calor das tempestades da alma. Dormir bem que acalmaria por algum tempo o impulso de levar aos outros aquela aventura vivida, e ver outra vez nascer o dia.

sábado, 13 de março de 2010

EITA MUNDÃO SEM CANCELA! - Emerson Monteiro

Por vezes o atendi na Carteira Agrícola, proprietário e ativo agropecurista era sempre alegre e conversador, buscava seus empréstimos ou acertava suas contas no Banco do Brasil. José Inácio de Lucena, conhecido por Zequinha Chicote, guardava a fama de homem disposto, membro de família tradicional de Brejo Santo, lugar de histórias aguerridas de um passado conhecido pela saga dos seus primeiros habitantes. Dele uma frase característica definia bem o jeito de ser:
- Eita mundão sem cancela! – de longe sabíamos quem chegava, no chiste acompanhado da mais sonora gargalhada que preenchia o recinto, introdução para início de conversa seguida dos assuntos diários, bancários, negociais, técnicos...
Todo colega gostava dele. Ouvíamos tantas vezes narrativas de sua liderança, o respeito que lhe tinham seus pares, as proezas pelas quais houvera de passar nos confrontos dessa vida. Dado ao que desse e viesse, jamais se dobrava às contingências.
Quase todo final de semana me deslocava ao Crato, para a casa de meus pais. Organizava o passeio saudosista preso às amizades que deixara, o gosto por literatura, bebida, rádio, namorada, saídas aos pés de serra, um apego exacerbado à vida adolescente em diminuição. Livrarias, cinemas, bares. Em poucas oportunidades ficava no Brejo, onde tomara posse no banco em junho de 1967. Raras ocasiões permaneci, apenas em dias de festa, de acontecimentos marcantes, ou movido pelo coração, nalguns momentos especiais.
Retornava nas segundas de madrugada, em uma rural azul pertencente a Tércio Siebra, colega que fretava o veículo à turma do Crato, Zé Vicente, Bartolomeu, Seu Zé Siebra, Zé Oton, que ficava em Barbalha, e eu. Certas viagens ocorriam ainda no domingo à noite. Outras, a maioria, nas madrugadas da segunda, ressacados, saudosos, sonolentos, apressados, a fim de chegar no tempo do expediente rigoroso.
Num desses fins de semana, lembro bem, retornei ainda no domingo de tarde. Na véspera, no Bar Alvorada, centro da cidade, bem na frente da praça principal, enquanto bebia com amigos, Zequinha Chicote morrera alvejado com disparos de arma de fogo.
Algo tocara meu sentimento ao saber da notícia. Era dia nublado, desses quase escuros que prenunciam chuvas no sertão, e saí pelas ruas desertas da tarde, a rever na lembrança a figura daquele personagem do nosso cotidiano, um mutuário da Carteira. Alguma coisa restaria a menos diante do universo de funcionários procedentes das variadas origens que ali se encontravam tangidos para o trabalho. Levávamos existência burocrática, meio estrangeira, sobretudo, daí uníamos nossas histórias às dos moradores do lugar.
Com a perda de Zequinha Chicote, dia anterior, se fechara cancela de alegria daquele mundão primoroso, o que cheguei mesmo a pensar alguma cancela houvesse, face ao grito recorrente quantas vezes escutado:
- Eita mundão sem cancela!...

quinta-feira, 11 de março de 2010

RELATÓRIO ANUAL DE ATIVIDADES

Academia Lavrense de Letras – ALL
RELATÓRIO E PRESTAÇÃO DE CONTAS EXERCICIO 2009
Caros (as) colegas acadêmicos (as)
Apresentamos o Relatório e a Prestação de Contas do Exercício de 2009 da ALL, com desculpas pelo atraso, pois o correto teria sido apresentá-lo nos primeiros dias do mês de janeiro do corrente ano de 2010.
Seguem o Relatório e Prestação de Contas, em resumo, pois a transcrição na integra ficaria muito denso... Contudo o Relatório e a Prestação de Constas na integra, inclusive documentos comprobatórios, acham-se a disposição dos interessados na Sala da ALL, em Fortaleza, devendo a visita ser combinada com o Secretário Geral, Jeová Batista de Moura (fones 3226.4173 e 9916.3537); ou, numa próxima reunião da Diretoria, que será divulgada oportunamente entre a comunidade acadêmica.
Resumos:
01 - Seis acadêmicos (as) tomaram posse: Maria Carmosa Soares, Maria Iria Zogob Pereira, Maria de Fátima Lemos Pereira Cândido, Francisco Ferreira Lima, Maria Lúcia de Macedo Maciel e Madre Marieta Moura, Cadeiras 23, 24, 32, 33, 34 e 35, sendo patronos: Maria Oliveira Dias, Antônio Bezerra da Silva (Tota Bezerra), Maria do Rosário Augusto Mota (Rosária Mota), Vicente Ferrer Correia Lima (Correinha), Maria Augusta Ferrer Lima (Moreninha) e Cônego Honório Joaquim de Moura, respectivamente.
02 - Oito Sessões realizadas: 18 de janeiro, 07 de fevereiro, 06 de março, 25 de abril, 01 de junho, 19 de junho, 21 de agosto e 26 de agosto. Na sessão de março comemoração do aniversario do nosso Presidente de Honra da ALL, poeta Linhares Filho; na sessão de junho (dia 1º), palestra no Seminário da Prainha, proferida pelo Padre Clairton Alexandrino de Oliveira sobre o centenário de nascimento de Dom Helder Câmara; na sessão de junho (dia 19), palestra no Colégio Lourenço Filho, proferida pelo Presidente de Honra da ALL, poeta Linhares Filho, sobre centenário de nascimento do educador e poeta lavrense Antônio Filgueiras Lima. Nas demais sessões ocorreram posses de novos acadêmicos.
03 - Oito reuniões da Diretoria: (Notas 06, 07, 08, 09, 10, 11,12 e 13) para tratar de diversos assuntos, principalmente administrativos, sendo destaques a manutenção da documentação, abertura de conta bancária, arrecadação da contribuição social dos (as) acadêmicos (as), manutenção da página eletrônica, elaboração de perfis dos patronos e dos acadêmicos e outros assuntos pertinentes.
04 - Destacamos, ainda, a Confraternização Natalina, realizada no dia 05 de dezembro, o lançamento do livro da acadêmica Maria Carmosa Soares em Lavras da Mangabeira, condecoração da banda de Musica “Maestro Zuza Vasques” de Lavras da Mangabeira
05 - Aspectos Financeiros da Entidade:
- Recitas...................................................................R$ 2.412,45
- Despesas................................................................R$ 2.139,37
- Saldo em 31.12.2009...........................................R$ 273,08

06 – Dividas:
- Ao colega acadêmico Jeová Batista de Moura....R$ 442,45
- Ao colega acadêmico Gilson Batista Maciel.........R$ 420,00
- Total.........................................................................R$ 862,45

07 – Inadimplência...................................................R$ 4.410,00
Observação: Corresponde a 14 acadêmicos que não pagaram, ainda, os medalhões e a 07 acadêmicos que não pagaram anuidades (2008 e 2009).
08 – Conclusão
É muito importante que os(as) acadêmicos(as) procurem saldar suas dividas junto à Entidade, comunicando-se com o nosso colega Mário Bezerra Fernandes, Diretor Financeiro e de Eventos, – Fones 3219.6988 ou 9903.0140. A Academia precisa, também, da colaboração de seus sócios acadêmicos sob outro modo de colaborar como, por exemplo, falar sobre os patronos e, assim, estabelecer debate útil sobre a vida e obra de cada patrono. ALL só se consolidará mediante a participação de todos, cada um participando naquilo que sabe e pode.
Atenciosamente, a Diretora: João Gonçalves de Lemos (Presidente), Jeová batista de Moura (Secretário Geral), Mário Bezerra Fernandes (Diretor Financeiro e de Eventos) e Gilson Batista Maciel (Diretor Executivo).

terça-feira, 9 de março de 2010

DA. SARAH CABRAL - Emerson Monteiro

O Ceará perdeu, neste início de março de 2010, uma das principais responsáveis pelo crescimento da educação universitária em nossa região do Cariri, a professora Sarah Esmeraldo Cabral. Lutadora incansável e líder emérita, que movimentou céus e terra no objetivo de reivindicar a Universidade Regional do Cariri, isto já proveniente das batalhas iniciais pelas faculdades antes existentes em Crato, Filosofia, Ciências Econômicas e Direito, nas quais também pontificou.
Sarah Cabral teve atuação marcante na instalação e no prosseguimento por décadas da Fundação Padre Ibiapina, da Diocese do Crato, com o seu espírito precursor e seu conhecimento. Uma referência indispensável quanto ao sucesso da administração do bispo diocesano Dom Vicente de Paula Araújo Matos, que exerceu importante papel na consolidação dos alicerces do que hoje o Cariri dispõe no âmbito universitário.
Em testemunho de justiça, registro com emoção a chance de haver trabalhado na URCA na ocasião do seu mandato à frente da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico do Cariri – Fundetec, cujo desempenho impecável assegurou as bases do sucesso da professora Violeta Arraes em seu mandato de Reitora daquela instituição.
Falar em Sarah Cabral é patentear, pois, a objetividade e o zelo de alguém para com os negócios da educação e o seu acendrado amor pelo Crato, sobretudo, expoente de família tradicional do lugar, impondo qualidade e eficiência na organização técnica de todas as ações de ordem administrativa nos pleitos conduzidos junto a órgãos oficiais, inclusive nos setores mais sofisticados da Capital Federal.
Por tudo isso e muito mais, além da saudade que deixa em seus contemporâneos, a partida a outros planos dessa distinta educadora abre lacuna impreenchível no mundo intelectual das terras caririenses.

sábado, 6 de março de 2010

LEITURAS - Emerson Monteiro

Houve um tempo quando coisas inesperadas complicavam o meio do campo da impaciência angustiosa que instinto selvagem parecia querer jogar fora a canga e destruir de qualquer jeito os quebra-mares estabelecidos nos sistemas de defesa. Comodidades vaidosas atiravam tudo para o ar, e acendia dentro de mim fome cruel de romper o ferro dos laços da organização pessoal, no sabor dos caprichos que aparecessem à porta principal. Com isso, contrariava fácil o ditame das regularidades, invadia outras praias, feria suscetibilidades, a começar pela saúde interna do respeito aos prospectos guardados meses a fio, na malha do esforço consistente.
Não queria aceitar que mesmo no calor dos testes necessários habitasse o mistério do drama secular das permanências e conquistas cotidianas. Perdia, a bem dizer, o senso do tanto das melhores partes, porque desistia de pagar o preço de acumular a poupança da paz, naqueles momentos de chegar aos limites e merecer resultados produtivos, lições que a vida traz aos seres sobreviventes, livres da discriminação de raça, credo, cor, sexo, idade, partido, time, filosofia, indo, nesse prumo, justificar lá adiante o querer sem a comprovação da resistência, azeite doce da hora de receber o que se ganha com esmero e qualidade.
Já hoje, talvez isso o que denominam experiência, descubro faceiro que inexiste vitória sem a luta correspondente. Noites insones, dúvidas, opiniões, renúncia. Bajulação perde a força no que tange ao valor real das sementes verdadeiras. Ninguém, de insana consciência, que aguarde pacote pronto dos reservos do destino, usufrui da mera credulidade indecorosa, insuficiente, que alimentou. Pode até, nas horas vagas, parece que ganhou qualquer lance, porém o custo da incúria corre solto atrás dos presságios alvissareiros da inércia.
Apresentou-se o desafio, logo em seguida, fruto daquela árvore imensa, cresce, no lodo e no tempo, as perguntas da justiça do merecimento. A cada um conforme seu mérito, porquanto a Natureza trabalha à base de leis matemáticas, soberanas, longe de peixadas sociais dos mundos tortos.
Quase uma mensagem cifrada indica: ou plantou ontem ou haverá de plantar agora, caso pretenda dispor de resultados sonhados para o futuro. Há normas equitativas, independente de que funcione ao passo da individualidade pretensiosa, luxenta, da própria barriga.
Depois de muito forcejar as barras da inconsequência, nenhum vento leve conduz aos segredos universais só por conta dos belos olhos.
Há batalhas pela frente antes da vitória. Luzes das doutrinas humanas caem aos primeiros acordes do dia, residência fiel da balança que estabelece princípios firmes.
O acaso de dados ao vento passa longe do Santo Graal, no passo dos peregrinos. E suportar espinhos permite a maciez da rosa mais perfeita.

quarta-feira, 3 de março de 2010

CONVITE

Amados Lavrenses
Sexta-feira, dia 5 de março, às 18:00 horas, nos Jardins da Reitoria da Universidade Federal do Ceará - UFC, (13 de Maio com Av. da Universidade), será prestada uma homenagem ao Cientista (lavrense) Melquiades Pinto Paiva, pela passagem dos seus 80 anos; como o idealizador e fundador do LABOMAR, autor vários livros e trabalhos científicos, reconhecido em todo o mundo pelos conhecimentos em oceanografia. Na ocasião será distribuído o livro de memórias do homenageado,como historiador e um dos maiores estudiosos sobre a cultura nordestina. Seus conhecimentos sobre o cangaço e livros publicados o credencia como autoridade no assunto.
Convidamos aos filhos, amigos e familiares lavrenses para prestigiar esse grande conterrâneo.
A sua presença faz uma grande diferença.
Atenciosamente
João Gonçalves de Lemos
Presidente

sábado, 27 de fevereiro de 2010

sábado, 20 de fevereiro de 2010

HISTÓRIA DE LAVRAS A MANGABEIRA


LOCALIZAÇÃO:
Lavras da Mangabeira é um município do Estado do Ceará, Brasil. Localiza-se na microrregião de Lavras da Mangabeira, mesorregião do Centro-Sul Cearense. O município tem cerca de 31 mil habitantes e 993 km². Foi criado em 1816.
Data da Criação: 20 de Maio de 1816.
DA COLONIZAÇÃO AO POVOADO
No século XVIII (1757), no mês de março, eram encontradas as lavras situadas nos Altos do Garrote, localizadas entre as fazendas Boqueirão de Afonso de Albuquerque, comandante da Muribeca, e a Mangabeira, do Padre Antônio Gonçalves Sobreira, morador em Paratibe. Depois de quase cinco anos de iniciadas as explorações das Minas de São José dos Cariris, foi que teve lugar o descobrimento das Lavras de São Gonçalo, das chamadas Mangabeira, provavelmente, do nome da fazenda pertencente ao Padre Sobreira, e que seus exploradores vieram atraídos pela notícia de que lá havia muito ouro. Em 1758, foi proibida a mineração na capitania, o povoado ficou em absoluta miséria com o seu desaparecimento e seus habitantes que ali permaneceram passaram a recorrer da agricultura e pecuária para se manterem.
Seu nome surgiu da mineração: Lavras; no local: Mangabeira.
Lavras da Mangabeira teve sua origem sócio-religiosa diferente de quase todas as outras. Em geral, as cidades evoluíram de aglomerados humanos, surgidos ao pé de capelas ou casas-de-oração. No caso de Lavras, houve o aglomerado humano, decorrente das Lavras ou da mineração, depois veio à ermida, como conseqüência natural.
Conta à lenda que foi encontrada uma imagem de São Vicente Férrer sob um Juazeiro, no local da atual matriz, por um vaqueiro de Xavier Ângelo (Capitão-Mor da Vila de São Vicente das Lavras e fundador do povoado). A imagem era conduzida para a casa, mas lá retornava, como a indicar que ali deveria ser construído um templo. A data de sua construção é desconhecida. Sabe-se que em 1768, a Capela de São Vicente Férrer, construída ao tempo do Padre Joaquim de Figueiredo Arnaud.
A partir 1758, do Livro III de Registros Eclesiásticos da Freguesia do Icó constam as denominações: “Sítio das Lavras da Mangabeira do Rio Salgado” e “Sítio da Mangabeira das Lavras”. Posteriormente, o lugarejo, já como povoado, foi registrado com variadas designações: Povoação das Lavras da Mangabeira, Povoação da Mangabeira, Povoação de São Vicente Férrer ou Ferreira, Povoação de São Vicente Férrer ou Ferreira das Lavras, Povoação de São Vicente Férrer ou Ferreira das Lavras da Mangabeira, Povoação das Lavras.(Extraído do Livro “Lavras da mangabeira – Um Marco Histórico” de Rejane Monteiro Augusto Gonçalves; e do Livro “São Vicente das Lavras”de Joaryvar Macedo).

HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE SÃO VICENTE FÉRRER


A criação da Freguesia de São Vicente Férrer de Lavras, foi no dia 30 de agosto de 1813, desmembrada do Icó. Era filial da Freguesia de Nossa Senhora da Expectação. O patrimônio da Freguesia é de meia légua de terra do lado do Rio Salgado, em que fica situada a Matriz, pertencendo-lhe desde o Riacho da Pendência até a Caiçara. Desmembram-se dela a Freguesia de São Raimundo Nonato de Várzea Alegre, de acordo com a Lei nº1.076, de 30 de novembro de 1863; parte da Freguesia de São Pedro do Crato, de acordo com a Lei nº 1.362, de 9 de novembro de 1870; a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Umari, conforme a Lei nº 1.686, de 2 de setembro de 1875, que somente a 18 de agosto de 1882 foi executada canonicamente. Por fim, desmembrou-se grande parte da freguesia do Menino Jesus de Aurora, instituída por Ato do Bispo D. Joaquim José Vieira, de 27 de junho de 1893. As vilas de Quitaiús e Mangabeira que pertencem ao município de Lavras constituem cada uma, paróquia independente. A primeira de Nossa Senhora do Rosário e a segunda de São Sebastião.A Freguesia teve como primeiro vigário o reverendo Padre José Joaquim Xavier Sobreira, lavrense, filho do Capitão-Mor e Comandante Geral da Vila de São Vicente Férrer das Lavras, Francisco Xavier Ângelo e sua primeira mulher, Ana Rita de São José, irmão de pai e mãe do vigário coadjutor em Lavras, Padre Cosme Francisco Xavier Sobreira e Padre Francisco Xavier Gonçalves Sobreira. De 1814 a 1823, foi vigário Colado, ajudado pelos pró-párocos Padre João Correia da Costa Sobreira, José Felipe da Cunha e Cosme Francisco Xavier Sobreira e Joaquim de Figueiredo Arnaud.De 1824 a 1830, fica a frente da Freguesia de São Vicente Férrer, o Vigário encomendado, Padre Antônio José Ribeiro.De 1830 a 1831, Padre Alexandre Francisco Cerbelon Verdeixa, Vigário encomendado (Batizou Fideralina Augusto Lima).De 1831 a 1832, Padre Manoel Joaquim Aires do Nascimento, Vigário encomendado.1832 a 1833, Padre André Joaquim Aires do Nascimento, Vigário encomendado.De 1833 a 1834, Padre Manoel da Silva e Souza, Vigário encomendado.De 1834 a 1846, Padre Antônio Marques de Castilho, Vigário Colado e Padre Bernardino Pereira da Silva Lima, pró-pároco.Em 1846, Padre Ricardo Francisco de Lemos, Vigário encomendado.De 1846 a 1863, Padre Luiz Antônio Marques da Silva Guimarães, Vigário Colado.Em 1863, Padre José Maria Freire de Brito, Vigário encomendado.De 1863 a 1871, Padre Antônio Pereira de Oliveira Alencar, Vigário Colado.Em 1872, Padre Antônio Alexandrino de Alencar, pró-pároco, no exercício do vicariato.De 1872 a 1875, Padre Vicente Férrer de Pontes Pereira.Quando Lavras passou a cidade, em 20 de agosto de 1884, era vigário Padre Meceno Clodoaldo Linhares, natural do Icó, tomou posse em 24 de janeiro de 1875 até o dia 2 de janeiro de 1924, quando faleceu.Janeiro de 1924 a 13 de agosto de 1935, Padre Raimundo Augusto Bezerra.Fevereiro de 1935 a 31 de janeiro de 1936, Padre José Fernandes Medeiros.Fevereiro a dezembro de 1936, Padre Francisco de Assis Pita.Janeiro de 1937 a abril de 1938, Padre Osvaldo Rocha, interino.Maio de 1938 a setembro 1971, Padre Alzir Sampaio.Agosto de 1971 a janeiro de 1972, Padre José Alves de Oliveira, substituto.Fevereiro de 1972, Padre José Mota Mendes, substituto.Fevereiro de 1972 a janeiro de 1975, Padre José Adauto de Alencar.Janeiro a fevereiro de 1975, Padre José Francisco de Salatiel, substituto.Agosto de 1975 a agosto de 1980, Padre Manoel Alves Feitosa.24 de agosto de 1980 a maio de 1992, Padre José Pereira de Lima.05 de junho a julho de 1992, Padre José Coringa.19 de julho de 1992 a 28 de fevereiro de 1993, Padre Clairton Alexandrino de Oliveira.21 de março de 1993 a 24 de junho de 2001, Padre Afonso Alves.25 de junho de 2001 até hoje, Padre Benedito Evaldo Alves.O dia do Padroeiro, São Vicente Férrer, é 5 de abril. A paróquia pertence a diocese do Crato.CARACTERISTICAS DA IGREJA DE SAO VICENTE FERRERFachada:Estilo Neo-clássico.- frontispício reto. (1º e 2º período)- simália reta (1º e 2º período)- elementos decorativos em toda a fachada.Torres:- duas torres- cobertas por folhas de alumínio.Altares:- presença de folhas e frutos nos entalhes.- ninchos (2º e 3º período)- presença de colunas e voluptas- elementos decorativos grandes- 3 imagens maiores, a de São Vicente Férrer, Santana e São José.- presença das cores azul, branco e dourado (pequenos detalhes).Altares Laterais:- 2 paralelo ao Altar principal, cada um, possui 3 imagens.- 2 paralelos a porta principal, possuindo uma imagem cada.- Todas as imagens são datadas do Século XIX, em papel machê.Teto:- uma pintura simples, sem técnicas, mas que expressava a inocência do povo daquela época.- no teto são pintadas nuvens e o fundo de cor clara.Piso:- mosaico (substituído por cerâmica).
VIDA DE SAO VICENTE FERRERSão Vicente Férrer nasceu em Valência, na Espanha, em 1350. Abria seus olhos para um mundo marcado por múltiplas dificuldades. A "peste negra" havia assolado a Europa e, aos 13 anos de idade, ele já assistia a morte de várias pessoas com este mal.A Espanha era habitada por judeus e muçulmanos e, entre estes, os intelectuais e nobres da época, assim como povo e escritores havia grandes diferenças de classes, de deveres, de direitos.O ambiente religioso reinante ao longo de toda a vida de São Vicente Férrer foi cheio de conflitos. Basta dizer que havia um grande Cisma na Igreja, o Papa residia fora de Roma, em Avignon (França), por mais de 40 anos. Aos olhos dos cristãos, o pontificado havia perdido a unidade, a universalidade. Um agravante desta situação foram os impostos colocados ao povo pelo pontificado. Os italianos clamavam contra a "Ímpia Babilônia" (Avignon) e a desobediência aos papas da sede romana, alegando horrores feitos em nome da Igreja. Heresias surgiam no meio do povo e entre o próprio clero, que chegava a desconfiar da verdadeira autoridade papal. Neste clima social e religioso, enegrecido pelo Cisma da Igreja desenvolveu-se a vida e pregação de São Vicente Férrer.Seu pai era Guilhermo Férrer e sua mãe se chamava Constanza Miquel. Eram ao todo 8 filhos: 3 homens e 5 mulheres. Os nomes conhecidos de seus irmãos são: Constanza, Francisca, Inês, Pedro e Bonifácio.De família tradicionalmente católica, Vicente e Bonifácio muito cedo tornaram-se sacerdotes, mais precisamente freis dominicanos. Vicente Férrer estudou em Barcelona (Espanha) e Toulouse (França), onde se especializou no conhecimento das línguas orientais e na Sagrada Escritura. Nosso dominicano pregava pelo menos 3 sermões diários. Pregou na Espanha, Itália, França e Inglaterra, andando sempre a pé e acompanhado de grande multidão. Faziam parte de suas caminhadas, homens letrados, confessores, mendigos, escritores que anotavam seus sermões. Mais tarde, Vicente Férrer teve uma perna machucada que lhe causou certas dificuldades em seu trabalho missionário; passou a viajar em um burrinho e levava um pequeno órgão, com o qual compunha suas músicas.Apesar de sua aparência simples, Vicente Férrer foi um dominicano muito culto e sua cidade natal o agracia, até hoje, com muitos títulos: "O Apóstolo da Paz", "O Patrono de Valência", "Apóstolo da Europa" e "Doutor da Igreja". Todos esses honrosos títulos originaram-se não só de suas pregações, conversões, milagres, mas também de seu trabalho político social que teve a oportunidade de desenvolver em toda sua vida, especialmente para pôr um fim no Grande Cisma da Igreja Ocidental.Foi chamado pelos seus conterrâneos do "Santo mais valenciano e do valenciano mais santo".Pregou o Evangelho como o "Embaixador de Cristo"; foi um grande defensor da verdadeira fé e da unidade da Igreja, um batalhador pela paz entre os povos e defensor da reforma dos costumes.MILAGRES ATRIBUIDOS A SAO VICENTE FERRERA Igreja romana, no processo de canonização de nosso padroeiro, constatou 873 milagres. Dizia Frei Luiz de Granada que São Vicente fazia milagres com a mesma facilidade com que nós levantamos o dedo. Santo Antonino atribuiu-lhe 25 ressurreições de mortos, milhares de conversões, curas de enfermos, reconciliação de inimigos, dom das línguas...Vejamos alguns milagres de nosso Santo padroeiro:Pregando sempre em seu dialeto valenciano, entendiam-no, não só os seus compatriotas, assim como os franceses, ingleses, alemães e outros povos com dialetos diferentes. Somente quem possui um dom sobrenatural conseguiria, todas às vezes, ser compreendido por estrangeiros, como foi São Vicente Férrer.Outro milagre relaciona-se com sua pregação ouvida à distância. Era feita ao ar livre, em praças imensas, em campo aberto, e ouvidas perfeitamente, por milhares de espectadores, sem contar com nenhum recurso de comunicação que temos em nossos dias. Em 1408, um monge que morava a uma distância de dez léguas do local de pregação de São Vicente conseguiu ouvi-lo e até anotar sua pregação.Foram devidamente comprovadas muitas profecias que realmente se cumpriram, pronunciadas por São Vicente.Muitos milagres relacionam-se com sua vida peregrina, inclusive uma multiplicação de víveres para sustentar uma numerosa multidão que o acompanhava.Uma passagem interessante é de uma mulher em desavenças com seu marido. São Vicente foi procurado por ela e aconselhou-a a encher sua boca de água do poço, enquanto seu marido discutia. Com o passar do tempo, o marido mudou totalmente de comportamento. Quando foi procurado sobre o valor da água do poço, São Vicente explicou: "Não é a água deste poço, nem sequer outra água qualquer; a virtude é escutar com paciência o marido irado; é o único modo de desarmá-lo e voltar a paz conjugal".São Vicente Férrer faleceu no dia 05 de abril de 1419, na cidade de Vanes (França), onde se conservam suas relíquias. Foi canonizado pelo Papa Valenciano Calixto III, Alfonso de Borja, em 1455.Bibliografia: "S. V. Férrer, Apóstolo da Paz - de Vicente Genovés - Dir. Centro de Cultura Valenciana - "Estudos sobre São Vicente Férrer - Caballeros Jurados de São Vicente Férrer - Academia de Cultura Valenciana.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

LANÇAMENTO

Livro “A mulher sem túmulo”
Autora: Nilze Costa e Silva
A escritora cearense Nilze Costa e Silva lança no próximo dia 26, às 19h30min, no Espaço Multicultural Armazém da Cultura, o livro "A mulher sem túmulo", vida romanceada da beata Maria de Araújo, protagonista dos chamados milagres de Juazeiro do Norte, no Ceará, em 1889. Em comunhões ministradas pelo Padre Cícero, a hóstia teria virado sangue na boca da beata.O livro tem orelhas assinadas pela escritora Ana Miranda, que encarnou o papel de Maria de Araújo no filme "Padre Cícero: Os milagres de Juazeiro" (1975), de Helder Martins, e a apresentação da obra será feita pelo escritor e cineasta Rosemberg Cariry.O Espaço Multicultural Armazém da Cultura fica na Rua Jorge da Rocha, 154 – Aldeota, entre as ruas José Vilar e Silva Paulet.Mais informações: Nilze Costa e Silva, escritora - (fone: 85 8643 8887 85 8643 8887 / 3241 0201)
Fonte: Agência da Boa Notícia

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

PROGRAMAÇÃO CULTURAL DA
BIBLIOTECA PÚBLICA GOVERNADOR MENEZES PIMENTEL


24/02/10- Quarta-Feira
14h às 17h - Contação de Histórias, a grande aventura do Livro no Setor Infantil (agendamento com a Márcia pelo telefone 3101.2549)
14h às 17h - Oficina de Papel Machê (Setor Infantil – inscrição e agendamento com Márcia pelo telefone 3101.2549)
14h às 15h: Visitação guiada com o grupo Dona Zefinha ( Agendamento com Simone Freire pelo telefone 3101-2548)
15h30m: Lanche ( Salão de Eventos)
16h: Palestra: Laços afetivos de leitura ( Grupo Famílias Leitoras)

25/02/10- Quinta- Feira
14h às 17h - Teatro Mágico Para Crianças no Setor Infantil (agendamento com a Márcia pelo telefone 3101.2549)
14h: Oficina de Confecção de Livros Infantis ( Agendamento com Simone Freire pelo telefone 3101-2548)
15h: Palestra: “Degradação do Papel: causas e soluções” com Márcia Lessa Historiadora e restauradora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)(agendamentos com Juliana pelo telefone 3101.2545)
15h: Exposição dos equipamentos do Laboratório de Restauração da BPGMP- Setor de Restauração.

26/02/10- Sexta- Feira
14h às 17h - Contação de Histórias, a grande aventura do Livro no Setor Infantil (agendamentos com a Márcia pelo telefone 3101.2549)
14h às 17h - Oficina de Papel Machê (Setor Infantil – inscrição e agendamento com Márcia pelo telefone 3101.2549)
14h: Oficina de Confecção de livros Infantis ( Agendamento com Simone Freire pelo telefone 3101-2548)
09h às 17h – Campeonato de Dominó em Braille no Setor Braille ( agendamento com Veleda pelo telefone 3101-2553)

Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel
Av. Presidente Castelo Branco, 255, Centro
Fone: (85) 3101.2548 (Raquel Lima)
Informações e sugestões: bibliotecacultural@secult.ce.gov.br

DIÁRIO DO NORDESTE

COLUNA (26/1/2010)
Batista de Lima


Glória de vida longa. Uma pessoa com cento e dois anos é uma pepita que se encontra no meio desse garimpo humano padronizado e sarado em academias. No meu caso, no entanto, não foi preciso ir muito longe para encontrar essa raridade, tendo em vista que ela era familiar e com a qual mantive contato desde a minha mais tenra idade. Trata-se de Glória Pereira de Lima, ou Glorinha. (...) Mulher com esse nome é fadada à vida longa. É como se "ficasse para semente".Uma estatística do IBGE, divulgada há pouco, apontava para pouco mais de quinze mil pessoas, em todo o Brasil, com mais de cem anos. Esse número despencava pela metade ou mais, quando se tratava daquelas com mais de cento e um, e muito mais diminuía, quando se referia às pessoas com mais de cento e dois anos. Segundo se afirma, menos de cinco mil estão com essa idade. Cada uma dessas pessoas é uma joia rara que se encontra no meio de um mundo hoje todo de jovens, onde toda a indústria cultural, todos os holofotes da mídia estão voltados para a juventude.Uma pessoa com cento e dois anos é uma pepita que se encontra no meio desse garimpo humano padronizado e sarado em academias. No meu caso, no entanto, não foi preciso ir muito longe para encontrar essa raridade, tendo em vista que ela era familiar e com a qual mantive contato desde a minha mais tenra idade. Trata-se de Glória Pereira de Lima, ou Glorinha. Daí se concretiza a pregação, também do clã, de que nome ideal para se colocar numa criança do sexo feminino é de Glória ou Vitória. Mulher com esse nome é fadada à vida longa. É como se "ficasse para semente".O caso de Glorinha é curioso. Nasceu a 17 de dezembro de 1907, em um sítio chamado Baixio Verde, em Lavras da Mangabeira. Ainda garota mudou-se para outro sítio próximo, chamado Bom Lugar, e quando casou-se em 1929 foi morar em outro sítio chamado Barra. Esteve grávida 18 vezes e hoje há dez de seus filhos vivos, tendo o mais velho já a idade de 80 anos. Passou 73 anos casada com Raimundo Nonato Costa, e é porque Nonato é do Latim "nonatus", não nascido. Imagine-se se fosse apenas Raimundo Nato da Costa.Descendente de cristãos novos, o casal sempre manteve uma prática religiosa devotada a São Sebastião, padroeiro do distrito de Mangabeira, São Raimundo Nonato, padroeiro de Várzea Alegre e São Vicente Ferrer, padroeiro de Lavras. É tanto que ao se falar em sua biografia, os familiares retornam no tempo para dizer que o casal quando nasceu, numa diferença de alguns dias, o papa era Pio X, o bispo do Ceará era Dom José Joaquim Vieira, o vigário de Lavras era Monsenhor Miceno Clodoaldo Linhares.O mundo político da época se apresentava com Afonso Pena como Presidente da República, Nogueira Acióli como Governador do Ceará e Gustavo Augusto de Lima como Prefeito de Lavras da Mangabeira. Essa situação histórica é para esclarecer que Glorinha nasceu na República Velha, passou pelo Estado Novo, entrou na República Nova, cruzou a ditadura e chegou à era Lula. Testemunhou o sofrimento dos nordestinos em secas como as de 1915, 1919, 1932, 1942 e 1958. Mas também assistiu a grandes enchentes, como a de 1916, quando uma verdadeira tromba d´água despencou sobre o sítio Baixio Verde, arrombou o grande açude que seus ancestrais construíram e que mesmo arrombado, ainda sangrou três dias, como reza a lenda.Esses fatos narrados demonstraram que uma pessoa que passou por todos esses momentos é um monumento da memória oral. Sua vivência no tempo do cangaço, do fanatismo de Juazeiro, com sua crença no Padre Cícero, esteve viva na lembrança. Todo esse patrimônio adquirido é um livro aberto para a memória.Essa longevidade de Glorinha é algo contagiante e hereditário. Outra Glória sua prima também passou dos cem anos. Uma outra contraparente sua e que ajudou na criação de seus filhos, e que tem por nome Raimunda Oliveira, hoje reside em Santa Helena, Goiás, e já ultrapassou os 104 anos. Todas essas senhoras fazem parte de uma estirpe de mulheres determinadas, vocacionadas para matriarcas, fortes diante das intempéries do meio em que vivem. Conviveram com um mundo de penitentes, profetas, miçangueiros, violeiros, rabequeiros, curadores e vaqueiros.Toda a região onde nasceu ainda guarda recordações dos grupos de penitentes de Joaquim Mergulhão, Arlindo Geraldo e de Chiquinho de Manu, e parece ainda ouvirem o tilintar das disciplinas e o canto lamurioso nas noites da Semana Santa. Os vendedores que se hospedavam em sua casa eram seu Rufino, Manuel das cordas, Zé Alves e Seu Zacarias. Eram ambulantes que traziam mercadorias de Juazeiro e vendiam pelas ribeiras. Eram andarilhos que traziam também notícias frescas e às vezes até pediam paga por alvíssaras.Essa longevidade desperta a curiosidade de quem a conheceu. Por isso vem logo a pergunta: qual a receita para se viver tanto? Entre as suas muitas práticas estão: a alegria constante, a hospitalidade, o amor às plantas e às flores, a decoração, a vivacidade e a arte de conversar. Conversar muito com muitas pessoas, bem à vontade. Tornar o ambiente em que vive muito alegre e descontraído, e principalmente ter esperança. Depois crer em Deus, em Nossa Senhora e em todos os santos. Participar de novenas, leilões, quermeces, renovações, coroações, desobrigas, casamentos, batizados, crismas e festas juninas.Personagens como Glorinha escrevem nossa história sem assinar embaixo. Constroem casas viradas para o nascente, produzem filhos, que produzem netos, que produzem... Votam, rezam, sonham, cantam, choram quando é preciso, suam, sangram, creem em Deus e nos homens, amam a pátria, lavram a terra, cultivam a honestidade e vão passando sem registro na história oficial, que só tem olhos para aqueles que tudo fazem para tirar algum proveito de tudo isso.No último dia 17, com cento e dois anos e um mês de vida, Glorinha foi convocada para outra dimensão, para, com sua experiência de vida, contribuir na proteção desse mundo tão conturbado, e em especial por nós nordestinos, filhos deste Brasil de caboclo, de mãe Chica e pai João.

Blog do Márcio Santiago: Lançamento de livro

Blog do Márcio Santiago: Lançamento de livro

http://www.academia.org.br/

Feliz pelo teu sucesso. Parabéns pela participação do livro

Rosa Firmo

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

AS PORTAS DO DIA - Por Emerson Monteiro

Às notas suaves de uma canção francesa que invadem o espectro grandioso da manhã seguem-se-lhes cantos de pássaros nas mais altas árvores próximas, enquanto os primeiros caminhantes deslizam a sonolência da véspera na faixa estreita que habita o trecho entre a imaginação e o colostro do alvorecer. Orvalho tímido reflete nos seus espelhos côncavos os primeiros raios do sol em forma de arvoredo, nas bordas laterais dos caminhos. Cedo rangem as tábuas das largas portas do dia. Quais pensamentos irrequietos, as borboletas brincam no rendado verde das encostas, quais lampejos experimentais de um pintor imaginário a sacudir de seus pincéis embebidos na tinta o azul bem terno do céu.
Nuvens em fiapos escorregam junto dos bichos que apeiam das árvores para somar no meio das coisas do chão
Uma história que preenche o vazio de tudo escrito nas folhas da mata, no trinado de insetos e latidos de enlanguescidos cães.
Os detalhes sincopados aos poucos surgem dos sonhos e formam a cena. A saudade das estrelas que dormiram há instantes, os retalhos do escuro que esclareceu de ruídos acordados a fimbria avermelhada do horizonte, animais friorentos, umedecidos nas gotas de chuva da véspera, flores minúsculas, filão adocicado nos lábios de amores enigmáticos, quase feitiço de casebres distantes, de cujas chaminés escapam os algodões das mesmas nuvens esfiapadas nos arames das cercas aveludadas de melão de são caetano.
Interrogações aprofundadas na pele dos gibões de couro no lombo dos velhos burros de carga em rumo das ruas da feira. Trilhas corridas, marcas de cicatrizes na melodia dos boleros guardados no coração dos personagens, no drama da vida.
Quadro pousado no resumo da paisagem durante o intervalo das cartas atiradas ao vento, realejo sofisticado, turmas barulhentas de pequenos exemplares de novas espécies inexistentes, ondas turvas e filamentos de nervos rasgados no róseo nascente aparecido de surpresa.
Nisso, lembrança forte do encontro guardado de corpos nas águas do riacho risonho no declive erótico da serra. Lábios carnívoros ferozes e cristalinos a saborearem os nacos apetitosos do prazer maravilhoso de melhores espetáculos possíveis entre dois seres.
Quantas impressões da viagem resistiram ao tempo do sobrevôo ao silêncio do coração de cada um, dosagens inesperadas no encaminhamento das páginas; lua transparente no rabisco da colina, calma estonteante das pautas musicais que escalonam o espaço e invadem a ramagem em volta.
Ímpeto de querer achar o ritmo da sinfonia das horas ao abrir intenso das folhas do palácio da natureza, de manhã cedo, saltos de pulsares e murmúrios de vontade no fio que tece a história de todos nos bilros do mistério persistente.