terça-feira, 3 de novembro de 2009

CERIMONIA DE POSSE DA ACADEMIA LAVRENSE DE LETRAS EM LAVRAS DA MANGABEIRA



Isabele membro da Academia de Leitura e Escrita do Colégio Maria Ester prestando homenagem ao escritor lavrense - Filgueiras Lima.























Aluno do Colégio Filgueiras Lima homenageando o escritor e a Banda.





Banda de Música Zuza Vasques executando um Dobrado.


















Banda de Música, Maestro Zuza Vasques, sendo homenageada pela Academia.




Acadêmico Jeová Batista.

























Acadêmico Gilson Maciel.




A acadêmica Carmosa Soares sendo conduzida pela sua filha Mary Anne.











Entrada do acadêmico Arruda.








Entrada da acadêmica Luiza Correia.






















O acadêmico Émerson Monteiro apresentando os novos acadêmicos.




Primeiros acadêmicos: Arruda, Marcondes Pinheiro, Luiza Correia, Gilson Maciel, Carmosa Soares e Jeová Batista.

















Padre Evaldo benzendo os medalhões.




Entrada dos novos acadêmicos na Câmara Municipal.

























Fátima Lemos sendo conduzida pelos acadêmicos Jeová Batista e Luiza Correia.




Francisco Ferreira sendo conduzido pelos acadêmicos Gilson Maciel e Arruda.






















Lúcia Macedo sendo conduzida pelos os acadêmicos Marcondes Pinheiro e José Teles.




Fátima Lemos recebendo da sua mãe, Maria Ester, o diploma de acadêmica da ALL.























Fátima Lemos recebeu do seu filho Rudson o medalhão da ALL.


Francisco Ferreira recebendo das mãos do presidente da ALL o diploma de acadêmico.























Lúcia Macedo entregando o melhadão a Francisco Ferreira.


















Lúcia Macedo das mãos do presidente João de Lemos.



Lúcia Macedo recebendo do seu esposo Gilson Maciel o medalhão da Academia.























O acadêmico Francisco Ferreira falando em nome dos novos empossados.



Público que compareceu ao evento.

















Presidente da ALL e os recém empossados.




Acadêmicos recém empossados: Lúcia Macedo, Francisco Ferreira e Fátima Lemos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CONFRATERNIZAÇÃO DE POSSE DOS NOVOS ACADÊMICOS EM LAVRAS DA MANGABEIRA



Foto para posteridade: Zé Teles, Lúcia Macedo, Francisco Ferreira, Jeová Batista, Jeová Batista, João de Lemos, Luiza Correia, Fátima Lemos, Marcondes Pinheiro, Émerson Monteiro, Gilson Maciel e Arruda Neto.

























Cerimonialista Paulo Sérgio e o presidente da ALL João de Lemos.




Jeová Batista, Sônia Sampaio e Marcondes Pinheiro.

























Arruda Neto cumprimenta o novo acadêmico Francisco Ferreira.



Fátima e Hudson Lemos.
























Émerson Monteiro e Cristina Couto.






Lançamento do livro da acadêmica Carmosa Soares autografando para sua confrade Luiza Correia.



















Gilson Maciel, Francisco Ferreira e Arruda.


Família Lemos


















Fátima e João de Lemos, Lúcia Macedo, Émerson Monteiro e Francisco Ferreira.


Ismaria Batista, Émerson Monteiro, Cristina Couto e Jeová Batista.



















Eva, Jeová, Zé Teles, Ana e João de Lemos.


Arruda, Marcondes, Luisa, Gilson, Carmosa, Jeová e Zé Teles.

LAVRAS CANTADA EM VERSO E PROSA


RIO SALGADO
Dimas Macedo




Rio Salgado

chão de liberdade
de onde fluem
com suavidade
levas de saudade,
dando vasão
às tristezas de Lavras.

Correnteza por onde
vão se comprimindo
as ilusões e as mágoas
tão presentes,
nos desespero desse rio ausente
que leva desenganos
e traz esperanças na torrente.

Abertura por onde
aos olhos da infância
e vertem-se os sonhos
dos meninos-poetas lá de Lavras,
nessa Corrente de Sal
que nos abrasa
a emoção secreta dos lavrenses.

Artéria que se abre
e jorra como uma fonte
e escorre lenta
lustrando as margens,
com omdulações sinuosas:
porque o rio encontra a serra
e o Boqueirão angustia as águas.

O CANTAR DO CORAÇÃO - Por Emerson Monteiro



A literatura dos interiores distantes traz em si um charme especial de quem sofre sozinho em meio às coisas que acontecem longe, no dia-a-dia do código interno da vida sob sete chaves, na alma calada, indagadora, febril, viajante nas encostas dos relevos imaginários, em sobrevoos de largas praias, no seio do coração, paixão crua de viver isolado e amar ainda assim sozinho.
E nisso o poeta vira doutor de ciência inatingível pelos dedos da fria realidade. Peregrino de estradas desertas, examina cada urze e cada pedra às margens. Mergulha nos prados da alma, abre portas de castelos infinitos, abraça o próprio peito e consigo as multidões, mártir da mesma ausência que confronta barreiras e o tempo, suas brisas abissais de madrugadas insondáveis.
Criar do nada, sentir o pulsar das veias e decodificar palavras guardadas em gavetas bolorentas, atirar às futuras gerações punhados de sementes douradas. O poeta e o território dos homens, missionário das grandes navegações do furor dos indivíduos tempestuosos, espécie de cobaia no seu estado mais puro de ausências.
Raimundo Elesbão de Oliveira nos conta tudo isso em versos dotados de afirmações interrogativas de momentos agitados do ser. Suas aventuras espirituais as deixou gravadas em forma de notícia-tradução aos pósteros que só hoje revelam passos que deu na memória de uma época que se foi, a outras gerações, em formato de livro.
Artistas sonham. Amam. Artistas nutrem ideias, utopias, realidades tangíveis. Não lhes cabe produzir bombas, metralhadoras, aviões de combate, tanques, fome, divisões.
Hoje, ao seu tempo, a literatura propicia trabalhar a ciência nos seus níveis tantos, rumo ao potencial da infinita criação, transformando-os em seres válidos, amigos, irmãos entre humanos, a fim de construir sociedade nova, sem ganância ou competição exacerbada, livre dos atuais derramamentos inúteis de sangue. Tudo perpassa o senso do estético e disponibiliza constante mudanças de inspiração. E sentar e transferir ao papel valores dignos, naturais, democráticos, das possibilidades em partilhar o amor com as outras criaturas, dando exemplo de clareza no que pese a luta insana cotidiana. A arte qual mágica de sonhos realizáveis pela força vital, a pleno dispor da fértil natureza, meios efetivos, abertos ao público em profusão de cores, distribuições, suportes.
Seus filhos e netos sentem a responsabilidade disso para com alguém inspirado, que foi o avô e pai consciente , a registrar contrito os refolhos grandiosos da paisagem íntima em palavras, gestos de interpretação, testemunhos inalienáveis do que presenciou no dedilhar das eras contínuas. Transferem com isso o compromisso de personalidade eminente para o seu meio, a cidade de Araripe, no Cariri cearense, com atitudes clássicas e visão avançada, chance única dos que viveram naquele contexto e não mais existem a não ser nas descrições esmeradas de Raimundo Elesbão, a deter a escritura de seu posto de observação, a corrosão da imperenidade dos séculos impacientes.
Falassem as pedras e restariam semelhante angústia de autores e suas palavras prenhes de poemas e extrema verdade.
Eis por tudo isso o que este livro (“A vida e o verso”, lançado no dia 24 de outubro de 2009, em Araripe CE) quer guardar, o melhor perfume notado de um senhor a um só tempo mestre, tabelião, conselheiro, filho, esposo, pai, avô, amigo, autor, em comunidade interiorana do sertão do Nordeste, escondida nos socavões da Serra do Araripe, cheia de tipos inesquecíveis, dignidade provinciana e inspiração à flor da pele, nos tantos mistérios de realidade multiforme. Estes versos lhes falarão disso com carinho e continuidade, esperança de que outros reavaliem o penhor do sonho de tempos ricos em paz e solidariedade br

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

RESTOS DE ONTEM - Por Emerson Monteiro

Um grande grupo de artistas invocou nesta quinta-feira a Lei de Liberdade de Informação para exigir do governo norte-americano que revele o nome das gravações que foram utilizadas durante os interrogatórios de suspeitos de terrorismo na prisão de Guantánamo ou em alguma das prisões secretas que a CIA espalhou pelo mundo durante o mandato de George W. Bush. James Taylor, Christina Aguilera, Britney Spears, Neil Diamond, AC/DC, Red Hot Chili Peppers e muitos outros lançaram um protesto contra o uso da música em torturas. (El País, 23/10/09).

Essa coisa de escrever impacta semelhante a vícios, mania dos dependentes compulsivos. No ar, um chamado qual das vezes em que chega o desejo de comer um doce de leite caseiro, uma goiabada, pensando no prazer do copo d’ água a lhe sequenciar. Ou mesmo de uma fruta tirada do pé, uma manga jasmim, um caju, cedo, de madrugada. E nisso o ímpeto de transmitir palavras impacientes, às vezes desobedientes, ânsia de lançar esporos ao vento das moções saboreadas e suaves.
Quase um "release" da função da psiquiatria, na vida de quem a pratica como instrumento de libertação, há que se conhecer de tudo, ou fazer espécie de esforço continuado de virar folhas secas das estradas e olhar o que se esconde embaixo, na busca constante dos "porquês" infinitos; há que se...
Nada vejo de oposto ao gesto puro e simples de virar essas páginas dos livros da vida, da história, no dia, a cada novo tempo. A propensão incontrolável de conhecer e apreciar o âmbito multiforme dos caminhos, nessa jornada em linha reta do berço ao túmulo, tantas vezes percorrida quantas necessárias, a formular os conceitos definidos da real libertação aos padrões além da dimensão gelada dos passos conhecidos.
Saber, saber e saber mais um pouco, até entornar o copo da seiva vital dos conexos... A revelação de todos os diademas do mistério e suas esferas longitudinais, ficcionais, imaginárias... Esgotar o possível nas malhas do indizível.
Saber jamais ofenderá. E saber de si próprio, nos divãs ou nos estádios, ou mesas de bar, cheiro a flores metálicas, trilha luminosa das matas do Inconsciente em chamas. O perfume apaixonado da mulher amada e seu hálito silvestre, permissivo, fagueiro..
Existe mais coisa que só se saberá no contato do diálogo. O atrito das humanas relações fala do silêncio que pode sorrir em gesto de matéria prima do definitivo querer. Quer-se, no entanto, extremar quando impõe nas costas de dois ou três pensadores o peso das respostas às perguntas que insistem rasgar a cada momento o tempo e a máscara da dor de toda gente, perante as interrogatórios da vida, nas paixões, nos desenlaces, tragédias, dramas, religiões, hecatombes, transmissões de pensamento, esculturas abandonadas nos campos destruídos pelas guerras sucessivas dessa velha humanidade de boca machucada aos urros da tortura e impulsos de vítimas e convulsões.
O mistério dorme nas teias da noite longa, em forma de espectros e monstros agressivos, nos frutos azedos da aventura inacabada. Caberão sempre outros dramas, no palco sumeriano, remelento, do paleolítico atualizado nas resenhas de hoje. Poucos desvelam suas mesmas faces das próprias limitações, contudo serão esses tais que romperão os laços derradeiros da Eternidade, nas luzes da alvorada festiva do depois.
Quero crer aqui vislumbrarmos as disciplinas válidas de quem pode nutrir de calma o ouvir das estrelas e seus representantes, até quando pacificarem o entendimento das luzes na ciência verdadeira.

domingo, 18 de outubro de 2009

À CONTROLADORIA DO CLIMA, URGENTE - Por Emerson Monteiro

O movimento dos dias enrijece a consciência de quem gosta do prato feito, de preferência cifs e sem ter de lavar depois do uso. O tal “farinha pouca, meu pirão primeiro”, dito baiano dos mais consistentes, a propósito do descaso com que a humanidade conduz só nos beiços do umbigo essa crise monumental sem precedentes do clima do Planeta.
Poucos fenômenos da história conhecida demonstram o tamanho da bronca desse egoísmo galopante que agora parece dominar a mentalidade dos mortais comuns. Iniciaram a longa caminhada futucando beiras de mangue, à busca dos siris abobalhados, catando gravetos para assar javali, no fundo das cavernas escuras, regado a suco de amoras fáceis, nas matas ali por perto, e hoje, graças ao uso desenvolvido de ferro e fogo, arrombam as portas mais intransponíveis do ecossistema, a pretexto de aumentar os ganhos nos produtos internos brutos, para engordar o erário das nações e gerar lucros fantásticos, desaparecidos no ventre promíscuo da besta e nos esgotos das bolsas do mundo, cifras faraônicas transmitidas no cair da tarde pelas telinhas fosforescentes e práticas dos caixões eletrônicos trepidantes.
Enquanto isso, as mãos atadas dos indivíduos apenas perguntam, através das pontas de dedos aos teclados dóceis, onde e quando terminará tanta imbecilidade produzida na farra das autopistas, excrementos de massa informe comandada ao som da voz dos expoentes forjados à custa da ganância e do peso em ouro retirado ou a retirar dos cofres da mesma fornalha coletividade. Líderes artificiais, inautênticos, animais de laboratórios, genéricos, transgênicos.
No outro dia, de narizes entupidos, amarrados nos para-brisas da existência metálica, gargantas doloridas, olhos ansiosos, barrigas obesas, dilatadas ao vento, na força dos momentos incertos das curvas da estrada de Santos, etc.
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(Bom, até aqui era o que vinha escrevendo, nesta manhã bonita de domingo de outubro, quando a máquina travou (das tantas desobediências que comete no transcorrer das produções bissextas).
Nessa hora, enquanto aguardava o retorno das funções, pensei comigo: Também, cara, tu, numa época dessas de calor e sequidão, ondas gigantes, incêndios de matas, desmatamentos galopantes, bombas nucleares acesas em poder de povoados, resolve desancar a civilização para teu puro deleite doméstico de fim de semana, no teu ócio desse quintal solitário, sem quaisquer conseqüências práticas, lógicas e racionais? Quer destoar, com isso e sem condição alguma, o velho coro dos contentes, sem mais nem menos, muito menos autoridade? Baixe a bola, cara, e deixe correr o barco. Logo tu, que vem dos termos memoráveis da estação das flores, The Beatles, Tropicalismo, Cinema Novo, egresso desconfiado sobrevivente da geração perdida dos anos 60, escondido na burocracia dominante, boêmio inveterado, lotado de literatura até dizer chega? E esquecido, nos dias de sol que se apresentam mais constantes e tórridos, das madrugadas esplendorosas e suas alvoradas magistrais? Calma, meu irmão camarada, a toda geração suas contradições e esperanças, e não foste tu quem iniciou o projeto do Universo. Jamais queira tirar a alegria dos que riem nas praças ao som das pagodeiras intensas. Deixe transitar, na tela do infinito os dramas cotidianos, mesclados na dança das horas. Viver a vida, sorrir e sonhar. Faça sua parte. “A cada dia se bastam as preocupações de cada dia”. Cumpra o papel que lhe compete, que assim não atrapalha a performance dos outros, nem esgota suas chances de sucesso).
Deste modo, cumpri a promessa feita a mim mesmo de que, caso recuperasse o documento (qual se verificou) me retrataria perante o leitor, em tempo de reavaliar as ideias que vinham chegando um tanto amargosas quanto à atualidade. Desta vez ninguém fala de guerra ou desassossego. Nada disso, pois “há um tempo para o pássaro, há um tempo para o peixe”, do poema de Vinicius de Morais. Esteja pronto a todo instante. Viva a vida com arte!

domingo, 20 de setembro de 2009

LITERATURA EFÊMERA - Por Emerson Monteiro

Nestes tempos virtuais, algumas conclusões se mostram pulando faceiras na nossa frente, aguardando apenas que alguma criatura disponível pegue das teclas e comece a formar o quebra-cabeça das mensagens para mandá-las adiante através dos tantos meios que a comunicação hoje oferece nas telas de máquinas extraordinárias.

Noutras ocasiões menos dadivosas, escrever impunha riscos incalculáveis até de sobrevivência. Agora, no entanto, nada de queixas quanto ao direito da informação.

Esse engenho aperfeiçoado leva longe o que se pensa ou sente e dispõe das normas de passar à frente em palavras. Os “blogs”, por exemplo, democratizaram a oportunidade da fala a patamares de suprema facilidade no manuseio e transmissão. Num passado recente, isto seria mera coisa de sonho, ficção de ciência.

Perante ditas considerações, resta saber o que dizer. Desocupar os guardas roupas de idéias e criações, formular as propostas e remeter aos prelos imediatos do sacrário de Pandora, o oráculo moderno da “web”.

A única pergunta necessária que persiste vem por conta de saber disso os frutos, quais as conseqüência na qualidade das vidas, no investimento de tempo e saúde nas produções e na interpretação do que mandar aos demais habitantes do mundo virtual, na outra extremidade da linha. O que acrescentar ao pacote das expectativas reinantes no império da dúvida humana existencial.

Vão dias, veem dias, na esperar de melhorar as condições sociais, livrá-las das imposições dos dissabores do ordenamento.

Nesse passo, as possibilidades criam a perspectiva do fazer intelectual. Ninguém justifica a ausência de vitrine no gesto de mostrar suas peças íntimas de geração, no território livre da palavra em que se transformou a tecnologia de vanguarda. Resta, contudo, reverter o quadro de mediocridade em que se espoja o animal selvagem da sociedade moderna.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

DISCURSO DE SAUDAÇÃO DE NOVOS ACADÊMICOS - Por Emerson Monteiro

SAUDAÇÃO AOS NOVOS MEMBROS DA ACADEMIA LAVRENSE DE LETRAS MARIA DE FÁTIMA LEMOS PEREIRA CÂNDIDO, FRANCISCO FERREIRA LIMA E MARIA LÚCIA DE MACÊDO MACIEL

A Academia Lavrense de Letras, no afã de levar adiante sua missão de congregar em seu corpo acadêmico nomes identificados com os destinos benfazejos das letras no município de Lavras da Mangabeira, Ceará, nesta noite de 21 de agosto de 2009, uma sexta-feira, tem a especial satisfação de receber no seu Egrégio Colegiado a VV. Exas. Senhores Acadêmicos Francisco Ferreira Lima, Maria de Fátima Lemos Pereira Cândido e Maria Lúcia de Macedo Maciel, ocasião em que reaviva sentimentos de alegria e os mesmos ideais que movimentaram a sociedade lavrense a 13 de dezembro de 2008, quando instalava de vez o sonho dourado de todos os que amam esta pátria comum e alimentam os valores inestimáveis de uma herança cultural de largas conquistas e produções consagradas no decorrer de sua rica história beletrista.
Lavras, hoje, consolida tradição de um patrimônio de cultura acima da média dos outros municípios cearenses, conceito que transpõe as fronteiras do Nordeste brasileiro e credencia seus filhos quais personalidades de inteligência privilegiada e inspiração altaneira, sem os favores da lisonja superficial, porquanto respaldada em documentos vivos de trabalhos publicados e divulgados. Vemos essa fama salutar sob a égide do exemplo às gerações futuras, numa época histórica humana de tantas carências e massificação indiferente, na salvaguarda de tudo de bom quanto se venha gerar por quem vive neste mundo de possibilidades ilimitáveis.
Mais existe a se dizer quanto ao atavismo de Lavras da Mangabeira do ponto de vista da cultura de suas gerações, contudo haverá uma vida pela frente a que venhamos a conhecer outros estudos a respeito dessa qualidade estabelecida.
Agora nos detemos a considerar, pessoa a pessoa, cada um dos novos acadêmicos aqui recebidos, nesta noite memorável, e nisto adotaremos a metodologia de focar primeiro o acadêmico por si, para, logo na sequência, em rápidas pinceladas, o perfil do patrono da cadeira que ocupa no nosso sodalício, a saber:

Primeira acadêmica, ora empossada na Cadeira n.º 32, Maria de Fátima Lemos Pereira Cândido, filha de Sebastião Pereira de Sousa e Maria Ester Pereira Lemos, natural de Lavras da Mangabeira Ceará, Distrito Mangabeira. É casada com o Sr. Francisco das Chagas Cândido de Oliveira. Tem quatro filhos e uma neta.
Foi alfabetizada por sua mãe, a professora Ester Lemos, e, também com ela, cursou até a 2ª série primária. Estudou dois anos (3ª e 4ª série) com a professora Socorro Oliveira, em Mangabeira. Iniciou o curso ginasial no colégio da CENEC, em Mangabeira.
Mudou-se para Fortaleza em janeiro de 1970. Concluiu o 1º Grau no Colégio Estadual Marwen. Cursou o Pedagógico (curso Normal) no Instituto de Educação do Ceará. Fez o 4º Pedagógico do Colégio Capristano de Abreu. Na Universidade Estadual do Ceará (UECE) cursou História – Licenciatura Plena, daí ingressando no curso de Pedagogia, também na UECE, com especialização em Administração Escolar. Na Universidade de Fortaleza – UNIFOR, cursou uma Especialização em Família – Uma Abordagem Sistêmica.
Em 1972, iniciou como professora no Colégio Casimiro de Abreu, no Carlito Pamplona, no mesmo ano em que iniciou o curso Normal. Em 1976, foi contratada pelo Governo do Estado para integrar o quadro de professores, por ocasião da fundação do Colégio Estadual Paulo VI, em Mangabeira. Ainda como professora da rede pública, trabalhou no Colégio Dom Quintino, em Crato, e na Escola Normal, em Juazeiro do Norte.
De volta a Fortaleza, em 1980, foi trabalhar na Escola Estadual Maria Gonçalves, no bairro Castelão. Neste mesmo período, assumiu a Coordenação Pedagógica do Colégio Monteiro Lobato, do seu tio, o Professor Paulo Crispim. Em 1984, fundou a sua própria escola, com o nome de Escola Professora Maria Ester, hoje Colégio Maria Ester, com 25 anos de serviços prestados à comunidade da Serrinha, Passaré, Itaperi e outros bairros vizinhos. O Colégio Maria Ester foi ampliado com a sede 2, que tem a Direção Administrativa de seu irmão, o Professor Lemos. O Colégio Maria Ester é referência em Fortaleza e está sob a Direção Pedagógica da Professora Fátima Lemos. Conta com aproximadamente mil e quinhentos alunos, mais de cem funcionários (sede 1) e desenvolve um trabalho educacional de grande relevância na comunidade. O Colégio Maria Ester mantém uma Academia de Letras, a Academia Maria Ester de Leitura e Escrita (AME), formada por crianças e jovens das duas Unidades (Maria Ester 1 e 2), de grande expressividade literária pelos projetos que desenvolve.
A professora Fátima Lemos é uma estudiosa na área de Pedagogia, tendo como teórico principal o grande mestre Paulo Freire. Escreve textos pedagógicos para pais e professores, os quais são divulgados no Jornal Perspectiva, do Colégio Maria Ester, e trabalhados em palestras e cursos por ela ministrados.
Histórias para contar são historietas que escreve sobre personalidades de Lavras da Mangabeira, como: Fideralina Augusto Correa Lima e Fideralina Corrêa Amora Maciel (Sinhá D’Amora), produções que são publicadas nas antologias e revistas da ALMECE. Não se considera poetisa, mas tem algumas poesias de sua autoria, que são publicadas no Jornal ACADEMUS – da Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará – ALMECE, e no Jornal Binóculo, do Professor Dias da Silva e do poeta Batista de Lima. As mais recentes são Professor Educador; Desabafo; Poema para Nina; Filgueiras Lima: o poeta, o educador; O Mar estava lá; dentre outras.
Escreveu também duas histórias infantis de cunho pedagógico: Lili, a boneca de pano e Veloso, o gatinho congelado. Ambas estão na gráfica, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2009. A professora Fátima Lemos tem uma vida intensa no seu colégio, e ainda consegue colaborar com seu município, Lavras da Mangabeira, proferindo palestras para pais e professores, quando solicitada. Integra também uma equipe de voluntários que desenvolve em Fortaleza um trabalho em prol da Igreja de São Sebastião, em Mangabeira. É membro da Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará – ALMECE, ocupante da Cadeira de n.º 48, representando o município de Lavras. Foi convidada para ocupar uma Cadeira na Academia Feminina de Letras do Ceará – AFELCE, que terá como patronesse a ilustre professora Maria Hilma Correia Montenegro. A posse está prevista para setembro de 2009.

Patronesse de sua cadeira na Academia Lavrense de Letras, Maria do Rosário Augusto Mota (Profª Rosária Mota). Professora Rosária Mota (como era conhecida), filha de Antônio Carlos Augusto Sobrinho e Joaquina Bezerra Sampaio, residia em Lavras da Mangabeira, na Rua Ilda Augusto, 156.
Educadora emérita, a quem muito deve a instrução primária de Lavras da Mangabeira, foi professora das redes públicas federal e estadual: Colégio Agrícola Professor Gustavo Augusto Lima (Lavras da Mangabeira), e de outras escolas no mesmo Município. Ministrava aulas na área de linguagem, sendo, portanto, mestra de gramática e literatura. A professora Rosária Mota tinha o domínio absoluto da vida educacional e era destaque cultural de sua época. Participava do sistema de ensino humanista e religioso e era dotada de sólida formação cívico-religiosa, com senso artístico de bom nível. Interessava-se, sobretudo, pela pesquisa da obra teatral do Padre Anchieta e acreditava que a literatura brasileira detinha grande impulso que nascera das mãos e da inteligência desse jesuíta. A literatura jesuítica fora importante na sua formação intelectual.
Rosária Mota conhecia e admirava, também, as obras de José de Alencar, Machado de Assis e Rachel de Queiroz. Enfim, estava muito à frente de seu tempo e de sua região.

Francisco Ferreira Lima, para a Cadeira n.º 33, nascido em Lavras da Mangabeira, Ceará, filho de Vicente Leandro da Silva e Maria Francisca de Jesus. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal da Paraíba. Ingressou na magistratura em 1989, na Comarca de Solonópole, breve promovido para a Comarca de São Benedito e, por remoção, para a Comarca de Missão Velha. Posteriormente, promovido para Nova Russas, depois para Icó, e, no ano de 2001, promovido, para Fortaleza, comarca de entrância especial, onde teve assento na 2ª. Vara de Tóxicos e outras da Capital e, em maio de 2005, chegou à 12ª. Unidade do Juizado Especial e, em seguida, à 14ª. Vara Criminal.
No período que trabalhou no interior do Estado, exerceu a judicatura nas comarcas de Lavras da Mangabeira, Ipaumirim, Cedro, Orós, Jaguaribe, Pereiro, Iracema, Acopiara, Mombaça, Jaguaretama, Viçosa, Tianguá, Ubajara, Ibiapina,Guaraciaba do Norte, Reriutaba, Saboeiro, Comarca Vinculada de Umari e foi
Suplente da Turma Recursal de Iguatu, recebendo, na cidade de Icó, o título de cidadão icoense. Na Comarca de Fortaleza, trabalhou em diversas varas criminais e juizados, demonstração cabal de versatilidade e competência, além de cumprir funções junto ao Projeto Justiça Já e coordenar varas da Infância e Juventude.
Recebeu vários elogios da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, congratulando-se pelos trabalhos realizados na condução dos pleitos municipais. Recebeu certificado concedido pela Associação dos Advogados Criminalistas de Fortaleza como personalidade jurídica com destaque na advocacia criminal.Palestras proferidas sobre execução penal: a) no I Fórum Criminal, em Fortaleza, promovido pela Fundação Escola Superior de Advocacia do Ceará; b) na FIC – Faculdade Integrada do Ceará; c) Faculdade Lourenço Filho; e d) Seminário realizado no Centro de Convenções da cidade de Sobral. Curso de Aperfeiçoamento de Magistrado, com monografia sobre o Direito de Propriedade, realizado no período de 13.03.98 a 05.02.99. Curso Preparatório de Magistrado, de 14.08.89 a 01.09.89. Homenageado pela direção, servidores e presidiários do Instituto Penal Paulo Sarasate, com o seu nome dado ao Núcleo de Ressocialização dos Presos.
Antes de assumir a magistratura, foi servidor e professor do Colégio Agrícola de Lavras da Mangabeira e Escola Agrotécnica Federal de Sousa, Paraíba, e Diretor da Escola Agrícola Guilherme Gouveia de Granja. Cursos como servidor e professor: aperfeiçoamento em administração escolar, pela Universidade Federal da Paraíba,orientação pedagógica, pela Universidade Federal da Paraíba, dois cursos de formação de professor na área de ensino técnico, pelo Ministério de Educação e Cultura, administração financeira e contábil, pelo Tribunal de Contas da União, em Brasília, Distrito Federal, Didática de Ensino, pela Universidade Federal de Pernambuco eformação de professor na área de ensino técnico profissionalizante, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Trabalhos literários: a) publicação de dois livros de Direito Penal, a 1ª. edição, em 2005, intitulado Execução Penal, e a 2ª. edição, intitulada Execução Penal e Reflexão sobre Direito e Justiça, b) vários artigos publicados nas revistas e boletins informativos do Fórum Clovis Bevilácqua, referentes ao sistema de funcionamento da justiça, notadamente, com vistas a dosimetria da pena e sua execução com igualdade de tratamento perante a lei e problemática do sistema
penal brasileiro.

Patrono da Cadeira que ora recebe, Vicente Férrer Correia Lima, filho de Luiza de Moraes Lima e do Cel. Francisco Augusto Correia Lima, nasceu em Lavras da Mangabeira aos 13 de janeiro de 1915. Fez os estudos primários no Grupo Escolar de sua terra natal, de 1922 a 1927, e o Curso Ginasial realizou-o no Colégio Cearense Sagrada Família de Fortaleza, no período de 1930 a 1934. Técnico Agrícola pela Escola de Agricultura de Viçosa, Minas Gerais, e Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1953, tendo desempenhado junto ao Governo Federal os mais destacados encargos funcionais. Assistente Jurídico do Serviço Jurídico da União, lotado na Consultoria do Ministério da Agricultura. Aposentou-se nesta função em agosto de 1968, tendo ali ocupado o cargo de Assistente do Diretor da Divisão de Orçamento e Relator de Orçamento do Ministério.
No DASP, desempenhou as funções de Técnico de Administração, Assistente de Seleção e Assistente de Orçamento, sendo, no Instituto Nacional de Imigração e Colonização, Chefe da Divisão de Orçamento e Receita e no Ministério da Educação e Cultura, Assistente Jurídico da Campanha de Educação Rural, na Gestão do Ministro Antônio Balbino.
Junto à Câmara dos Deputados, funcionou como Assessor do Relator de Projetos de Leis e de Orçamentos relativos ao Ministério da Agricultura, e no Ministério das Minas e Energias foi Chefe da Secretaria do Gabinete do Ministro, se desincumbindo, no Ministério da Fazenda, da missão de Assistente de Orçamento da Comissão de Orçamento, bem como da função de Assistente de Gabinete do Ministro Souza Costa.
Por algum tempo exerceu a chefia do Serviço de Administração dos Serviços Administrativos do Ex-Instituto Agronômico do Norte, sediado em Belém, Pará, e presidiu a Comissão de Revenda do Material Agropecuário do Ministério da Agricultura, sendo ainda representante desse órgão ministerial junto ao Ex-Serviço Social Rural. Ademais, foi Coordenador Geral da SUDEMINAS e representante do governo de Minas Gerais junto ao Conselho Deliberativo da Sudene. Chefe de Gabinete da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Diretor Geral do Departamento de Agricultura da Prefeitura de Brasília; Chefe de Gabinete do Ministério das Minas e Energias, na gestão do Ministro João Agripino Filho, e representante do Ministério da Agricultura na Assessoria Parlamentar do Palácio do Catete. Sobressaiu-se ainda o Dr. Vicente Férrer Correia Lima como Conselheiro e Assessor da Presidência da Associação dos Servidores Civis do Brasil e Chefe de Gabinete da Presidência do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária.
Na Sociedade Cooperativa de Serviços Médicos e Hospitalares do Rio de Janeiro, serviu como assessor da presidência da entidade nos setores de organização e métodos, financeiro e jurídico, tendo sido Diretor Administrativo do Montepio dos Servidores Civis do Brasil e Coordenador de Auditoria do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária.
Na Companhia de Urbanização da Nova Capital do Brasil, entre outros cometimentos, foi assessor da presidência da entidade, Chefe do seu Departamento de Compras, Chefe da Campanha de Arborização das Áreas de Brasília e Coordenador dos Serviços Agrícolas do novo Distrito Federal.
É detentor da Medalha do Centenário de Clóvis Bevilácqua, conferida pelo Ministério da Educação e Cultura, bem como da medalha outorgada pela Associação dos Servidores do Ministério da Agricultura, pela eficiência das funções e comissões desempenhadas naquele ministério. Pela Presidência da República, foi ainda agraciado por seus trabalhos considerados relevantes durante a construção da nova Capital do Brasil.
De 1953 a 1958, militou na advocacia no foro do ex-Distrito Federal, atividade da qual se afastou para ocupar cargos de direção em Brasília. De regresso ao Rio, em 1962, retornou às lides forenses, em 1965, vindo a aposentar-se como advogado em 1979.
Jurista e ensaísta de renome, é autor das monografias Julgamento do Processo Administrativo e Administração: Generalidades e Seus Instrumentos. A Auditoria na Administração Pública Federal, ambas premiadas e publicadas pelo DASP, através do seu Centro de Documentação e Informática, a primeira em 1970 e a segunda em 1971, integrando ainda sua bibliografia os seguintes trabalhos: Ensaio Jurídico Sobre o Processo ou Inquérito Administrativo, Rio, Serviço de Documentação do Dasp, 1969; O Congresso Nacional nos Períodos Presidenciais da República Brasileira, Brasília Gráfica Itamarati, 1984; e Filosofia da História do Pará e sua Exegese Jurídica, Rio, Livraria Editora Cátedra, 1985. Para a Revista do Serviço Público, do DASP, escreveu os ensaios: O Princípio da Isonomia do Direito no Regime das Constituições de 1946 e 1967, A Nova Capital do Brasil: Sua Localização e suas Conseqüências no Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil e A Redação das Leis e o Contencioso Administrativo.

E terceira acadêmica recebida nesta agradável noite pela Academia Lavrense de Letras, na Cadeira n.º 34, é Maria Lúcia de Macêdo Maciel, natural de Lavras da Mangabeira. Em 1970, mudou seu domicílio para Fortaleza.
É Graduada em Pedagogia com habilitação em Administração Escolar, Orientação Educacional, Supervisão de Ensino, Inspeção Escolar e pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior. Exerceu algumas funções e cargos na sua área de formação: professora do Colégio Pio X, em Crato, período de 1968 a 1969. Em Fortaleza: professora adjunta da Universidade Estadual do Ceará, chefe do Departamento de Fundamentos da Educação, diretora do Departamento de Programas Especiais da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, e assumiu, na ausência de seus titulares, as Pró-Reitorias de Graduação e de Pós-Graduação. Professora dos Cursos de Formação de Professores, no Colégio Agapito dos Santos e Instituto de Educação do Ceará. Supervisora Pedagógica da Televisão Educativa do Ceará. Orientadora Educacional e Inspetora de Ensino na Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Chefe da Seção Técnica de Orientação Educacional da Secretaria de Educação do Ceará. Diretora do Núcleo de Auxilio Institucional e do Programa de Bolsas de Transferência de Tecnologia na Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Ceará – FUNCAP – de 1996 a 2004. Exerceu o cargo de Chefe de Gabinete da Reitoria da Universidade Estadual do Ceará, de 2004 a 2008. É Membro do Rotary Club Fortaleza – Praia. Na gestão 2009/2010, exerce as funções de Presidente da Comissão de Relações Públicas e integra a Comissão de Administração do clube.

Patronesse de sua cadeira na Acedemia Lavrense de Letras, Maria Augusto Férrer Lima, ou Moreninha Augusto, como era conhecida, que nasceu na Fazenda São Domingos, Lavras da Mangabeira, aos 07 de maio de 1910, filha do Coronel Raimundo Augusto Lima e Maria Cira Férrer Lima.
Aprendeu as primeiras letras no Grupo Escolar da sua terra natal, então dirigida pela professora Amélia Braga de Morais. Posteriormente, freqüentou o Colégio das Irmãs de Santa Dorotéia, em Cajazeiras, Paraíba, e em Fortaleza, e concluiu os seus estudos secundários no Colégio Santa Teresa de Jesus, do Crato, onde se diplomou professora aos 27 de novembro de 1932.
No ano imediatamente posterior, ingressou no magistério público estadual, mediante ato do então Interventor do Governo do Ceará, Cel. Roberto Carneiro de Mendonça, que a nomeou para exercer o cargo de professora do Grupo Escolar de Lavras da Mangabeira.
Pouco tempo depois, foi investida na função de Diretora do mesmo estabelecimento de ensino, em cujo desempenho permaneceu até 1947, quando, por designação do Governo do Estado, viajou para o Rio de Janeiro, para ali realizar cursos de especialização no Ministério da Educação e Cultura.
Na Capital da República, depois de realizar diversos estágios de aperfeiçoamento, ingressou na Escola de Serviço Social do Instituto Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, por onde se diplomou em Serviço Social, em dezembro de 1952, obtendo o Grau de Assistente Social, mediante tese intitulada Uma Experiência de Serviço Social de Grupo, dissertação constante de livro impresso pela Gráfica Olímpica Editora, Rio de Janeiro, 1952.
Foi uma das primeiras mulheres a se graduar em Serviço Social no Brasil, e talvez a primeira cearense a se diplomar nesta profissão em curso de nível superior.
Formada, regressou ao Ceará, onde, por alguns anos, desenvolveu atividades profissionais como Assistente Social do Conselho de Contas dos Municípios, anteriormente denominado Conselho de Assistência Técnica aos Municípios.
Entretanto, o que realmente marcou-lhe a vida profissional foi sua brilhante atuação, no decurso de vários anos, como Assistente Social do Serviço Social da Indústria, no Rio de Janeiro, onde, entre outras atribuições, exerceu as elevadas funções de Chefe do Setor Social do Departamento Nacional do SESI.
A doutora Moreninha Augusto faleceu no Rio de Janeiro aos 22 de novembro de 1981, sendo sepultada no Cemitério de sua terra de berço, como bem relata notícia veiculada no jornal O Povo, de Fortaleza, edição de 29 de novembro daquele ano.
O seu livro Manual da Mulher, cujos originais, ao morrer, deixara encaminhados ao prelo, foi publicado em 1982. Trata-se de trabalho todo ele resultado de profundas reflexões em torno da participação da mulher no processo de construção do edifício familiar. É o testemunho maior da sua experiência profissional e da sua atividade de escritora e humanista.
Dra. Moreninha Augusto, sendo inteligente e perspicaz, destacou-se sempre pelo admirável descortino demonstrado no desempenho de suas atividades, imprimindo cunho eminentemente humano à solução dos problemas submetidos ao seu exame, preocupada sobretudo em conciliar a rigidez fria da lei com a realidade palpitante da vida. É o que sobre ela sentencia o seu irmão Dr. Vicente Férrer Augusto Lima no prefácio que escreveu para o seu póstumo Manual da Mulher.

Até aqui, portanto, tecemos o breve resumo das personalidades dos novos acadêmicos e seus patronos das cadeiras que veem a ocupar na Academia Lavrense de Letras desde a presente data, ao ingressar em nosso Egrégio Colegiado.
Abreviamos a dizer que feliz é um povo que possui a cultura entre seus pontos de convergência. Só nos resta, por isso, renovar as saudações iniciais e afirmar que a Academia Lavrense de letras conta com a colaboração dos novos confrades nesta data recebidos, bem como estes e Lavras da Mangabeira poderão contar com esta Academia.
Grato. Boa Noite.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

INFINITAS DIMENSÕES DA SAUDADE - Por Emerson Monteiro

Nisso desaparece aquela coisa de juízo de valor, ou de meros impulsos ardilosos dos caçadores de pecado detrás das portas, nas adolescências seculares que precederam a luz elétrica, cenas que nutriam ausências apressadas de consciência em pânico, nisso de viver os sentimentos avassaladores da alma, que nos espreitavam os primeiros amores, nas dobras inevitáveis da estrada...
E quando menos se esperava, fenômenos meteorológicos de forte sofreguidão arregaçavam janelas e invadiam a sala da frente da calma e lá nos víamos escolhidos pelos cantos, em trajes menores, fastio a dominar o sentimento, frio esquisito na boca do estômago ao menor sinal da presença do invasor matreiro, atualidade e voz embargadas, quando ouvia um som tremendo dentro, nagente, sede e fome devorando as próprias entranhas, isso de assistir filmes de amor, ler romances largos, de aventuras secretas, marcas feridas no seio em brasa do coração irresponsável...
Vendaval infinito de possibilidades desses que sacolejam as bases da realidade, ritmo febricitante desnorteando passos do por si só já vacilante, redemoinhos varrendo terreiros, arrancando árvores e roupas de varais coloridos, nas telas do Cine Moderno às 4h da tarde, em sábados divinais... Claros movimentos semelhantes a tumultos planetárias de finais de era, conseqüências inimagináveis das histórias guardadas no íntimo, suadas, escondidas na inocência original.
Bom, esses espasmos imprevisíveis do misterioso sentimento sujeitam pessoas e coisas, livres das previsões, a consultar peregrinos do motivos que provocam-lhes tamanhas alterações de pulsações em tão diminutos territórios, sob o impacto ambiental de inúmeras envergaduras, a permitir perguntas insistentes, libertas e escravas e avassaladoras de circunstâncias, na audácia que se estabelecem nas praças de guerras bem defronte da porta principal – comandantes em chefe do regimentos a indicar dedo acusadores de encontro a peitos doloridos de prisioneiros, quais inquisidores nas salas de tortura, com a frases recorrentes na ponta da língua, no velho remorso embalsamado em forma de ameaça:
- Até onde chega o direito humano de amar e, em conseqüência, viver todas as contradições da paixão, contudo evitando pagar os tributos além da sobrevivência do ser na saudade?
Em poucas e noutras palavras, quais as fronteiras da emoção? Em que estação fatal depositaram os humanóides seus trastes guardados no baú das boas lembranças e que não pretendem sofrem com isso as sobretaxas do desespero, nas barreiras alfandegárias do percurso vida? Quantos laços de amabilidade caberão em um único tórax?
Resumindo, caro leitor, e, por favor, me espere só mais um pouco, responda comigo: É possível amar sem limite, ainda que se acha o benefício da dúvida, eximindo-se da culpa atroz de seguir adiante com a trilha rumo à eternidade?
Quantas normas imperam fatídicas no arcabouço dos tempos que, em certas horas, apresentam nítida confusão entre querer e poder, dentro do berro cardíaco das animosidades em luta ciumentas?... Amar com gesto simples, palavra doce e versos acetinados, gritados aos quatro ventos nas amplificadoras da mágoa dorida nos murmúrios de antigamente, inconsolados murmúrios de Maysa em letras de Dolores Duran? Quantas, meu amigo e minha amiga?... Quantas?...

sábado, 5 de setembro de 2009

AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS - Por Emerson Monteiro

Perante a atual política norte-americana de trazer à América Latina seus efetivos militares para resolver problemas nacionais da Colômbia, ressurgem lembranças preocupantes do tempo em que havia os conselheiros militares no Vietnam do Sul, no Camboja, Laos, Brasil, Chile, com resultados pecaminosos. Medidas que dizem respeito à violação da livre iniciativa dos Estados nacionais implicam na redução da soberania, impondo política externa fracionada ao sabor de nações mais poderosas, o que resulta em retrocesso nas conquistas de séculos de lutas e sofrimento, no binômio do fraco contra o forte, no direito da força bruta em detrimento dos avanços igualitários posteriores à Revolução Francesa.
Ainda que situações conjunturais imponham atitudes de força, isso compete aos líderes e às instituições dos povos livres e suas organizações políticas individuais.
A concepção de uma nova ordem produzida nos transes posteriores da Segunda Grande Guerra reeditou a Doutrina Monroe, que antes implicara na invasão orquestrada das nações americanas, pretexto da salvaguarda democrática do continente, segundo definia.Em mensagem ao Congresso americano, o presidente James Monroe considerara serem os Estados Unidos contrários ao colonialismo europeu, com base no pensamento isolacionista de George Washington, de que "a Europa tinha um conjunto de interesses elementares sem relação com os nossos ou senão muito remotamente" (Discurso de despedida do Presidente George Washington, em 17 de setembro de 1706), e ampliava o pensamento de Thomas Jefferson segundo o qual "a América tem um Hemisfério para si mesma", jeito de estabelecer o conceito de um continente americano como o seu próprio país.
No entanto mudaram os tempos. Experiências múltiplas concederam o mérito de cada nação independente fustigar os seus próprios impérios da lei, aspecto dos novos tempos de graves decisões.
Por isso, as providências estadunidenses ora adotadas de avançarem nas fronteiras externas à sua federação reduzem as margens de autonomia dos povos latinos, o que lhes reedita triste e ilegítimo papel de fiscal dos demais povos das Américas, motivo de apreensão e escrúpulo, visto o preço pago nas ações anteriores de épocas recentes, já na segunda metade do século XX.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

POEMAS DA VISÃO - Por Emerson Monteiro

As oceânicas vastidões destes olhares escorrem suaves por sobre rochas adormecidas de mundos siderais em longos vôos, histórias abissais e plumas de nuvens brancas, mistérios quiçá intransponíveis na vida de todos os lugares. Belas frações de um tempo depositado no bloco de tantas agonias e incontáveis eras, cores que se revestem de cobre, na sombra granítica dos Andes altaneiros, sinal de um vigor que fala no Poder sem limites. Exatos traços de solitários pousos. Despenhadeiros. Fronteiras. Luzes. Muralhas. E, lá adiante, a Luz esplendorosa, nas asas incomuns de pássaros avermelhados em volteios constantes no espelho das águas no rumo do Sol. Figuras que falam, desenhos que silenciam, nas formas retorcidas da Terra na superfície. Em meio aos fiapos de nuvens tênues, os reflexos de uma cidade recolhida, jeito manso de ruínas, dentro de entranhas e montes. Povos e campanhas de instantes reais. Pequenos seres, criativas visões imaginárias, fiéis e laboriosas, no passo ritmado da pulsação dos corações. Terraços, vestes, tons festivos e rugas, alma de raça sobranceira. Gravação doce de luz na fotografia e nos disparos certeiros do artista, contornos resistentes de espécies a passear no jardim da transcendência – flagrante das bênçãos definitivas.
Além, bem perto, na lente, os desenhos magnânimos da civilização no traçado das ruas de cidade iluminada, pastar indiferente de exóticos animais e as pedras do reino antigo, que apenas repousa de glorioso fausto, passado distante de sorrisos infantis.
São os recortes humanos que permanecem através desse fluir de calendário, lendas e rituais, soma total de chão, homens e marcas, na busca da Infinitude. Olho que se alonga, pois, nos rios horizontais da vista. Lagos. Mares. Pedras. Muralhas. Vastidões. A Lua sempre bela. Tempo depositado nos vôos linheiros da câmera e dos pousos solitários, no instante ausente e presente dos poemas da visão. Figuras que dizem o que a alma silencia. Fiapos de nuvens. Cordilheiras. Frio intenso. Povos e campanhas. Terraços. Vestes coloridas. A doce gravação dos sentimentos no plasma fotográfico, milagre da invenção, e alternâncias, caminhos e solo dadivoso, transformações que acontecem no colo materno da santa Natureza.

sábado, 15 de agosto de 2009

TRABALHO BEM REALIZADO - Por Emerson Monteiro

Considerações a propósito do álbum “A Busca da Perfeição”, de Dihelson Mendonça.

Dizer que a vida se mostra na arte representa contar da força do artista a movimentar lá fora a paixão que lhe corre nas veias e sai intensa pelas estradas dos lugares, no prumo dos outros seres, ânsia infinita de realizar o poder esplendoroso do mais perfeito de dentro de si nas praças. Expandir o senso da luz nos outros corações. Partilhar as maravilhas do instante em gestos circunstanciosos, magnânimos. Lembrar aos demais que há vertentes puras ainda inexploradas no mistério do existir da alma de cada gente.
Vem nestas expressões o gosto da fala no trabalho posto a lume pelo artista caririense Dihelson Mendonça, seteinstrumentista que, assim, lavra mais um tento da história regional de trabalhos esmerados, nos moldes da contemporânea tecnologia de som e imagem, edição correta da Expressão Gráfica, de Fortaleza, em alto padrão, reunindo nomes festejados das comunicações, letras e artes visuais deste tempo de agora.
Trata-se de bloco de poesias declamadas por vozes conhecidas, próprias, coloquiais, seguidas ao piano por Dihelson e outros músicos, num livro ilustrado com belas fotografias e letras intercaladas, poemas de cunho intimista, de autores inspirados na propulsão dos acordes.
Qual espetáculo que agrega, em amostra saborosa, o universo dos artistas numa proposta efetiva, na boa hora de suas caminhadas em demanda do endereço da eterna Perfeição, o Santo Graal do absoluto desejo, acercando-se do trato de amigos e peças, colhidos ao sabor das situações de procura, brotadas no enorme quebra-cabeça da existência pelos páramos da invenção de letras e acordes de natureza especial.
Nisso, Dihelson contou de perto com os préstimos bem sucedidos de Reginaldo Farias, no projeto gráfico, e Pachelly Jamacaru, na elaboração fotográfica. Na trilha sonora, os instrumentistas somam talentos e estabelecem as linhas infinitas da busca, caravana que se desloca ao ritmo dessa viagem através do território mágico da criação, de cores e tons, nave a fluir na brisa dos espaços do sonho. Espécie de novidade que alegra ao chegar em cada porto.
A qualidade do produto merece destaque, vista a clareza visual, musical e literária.
Nosso mundo interiorano do sertão guarda, por tudo isso, patrimônio inestimável de cultura digno de abordagem mais justa, considerada nos trabalhos do campo acadêmico, enfoque de nomes e ocasiões que aqui nascem, crescem, manifestam seus atributos, marcando o definitivo do manancial de vitalidade que alimenta o panorama do global patrimônio comum da espécie humana. Eis disso um novo exemplo neste livro musical poético.
O patrocínio da obra coube ao Centro Cultural Banco do Nordeste, dentro de sua política de valorizar a cultura e desvendar possibilidades.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

DE LUA DE MEL COM A ILUSÃO - Por Emerson Monteiro

Os ditos populares economizam um tanto de fosfato às cabeças pensantes, no correr das literaturas, trazendo em linha reta o que, por vezes, acostaria largas demandas ao querer expressar a sabedoria das palavras. Lembra a propósito o brocardo de que “depois das tempestades vem a bonança”. Tempestades que também dão-se longas, em alto mar, de sete, nove dias; de anos secos; anos de guerras, angústia; ditaduras, exceção, qual no caso brasileiro dos anos de chumbo, duas décadas e meia de astenia e nevoeiro, de onde saíram os líderes atuais, ferrenhos defensores dos seus feudos e donatários ambiciosos dos parlamentos e palácios, ilegítimos dominadores do peso do ouro e da impunidade nacional.
Em épocas escuras da história, momentos de lapsos cruéis, guerras mundiais, depressões, desastres, estados de sítio, guerras civis, idade média, revoluções, êxodos, guerras frias, exílios, imperou o ânimo de que tudo passaria num piscar de olhos, e dias melhores se instalariam, para nunca mais retornar o tempo do negrume, tangido pelos clarões de novos sonhos.
Isso marcou sobremaneira o século XX. Exemplos clássicos são enumerados com fartura, uns maiores, outros menores, que sobejam nos compêndios. Grandes guerras mundiais. Depressão de 29. Guerra Civil Espanhola. Guerra da Coréia. Do Vietnam. Seis Dias. Golfo. Afeganistão. Iraque. Etc. Cicatrizes vincam fundo a geopolítica, no tropel da civilização, desde os remotos antecedentes das cavernas, dose certa de interpretar o organismo afetado na mesma proporção dos haustos de progressos e conquistas das oportunidades sociais da raça lutadora.
Quando se afigurou que o pêndulo permaneceria sem grandes balanços após a queda do Muro de Berlim, no julgar do Ocidente vitorioso, o povo árabe chegava trazendo a conta do desconforto imposto na divisão da Palestina perante o retorno do povo judeu, dali ausente desde a última diáspora.
Tais movimentos de tropas, canhões, navios, aviões, sacudiriam Europa, Ásia, Oceania, deixando de fora pontos particulares de outras áreas, nesses cem anos de aventura. O continente africano, saco de pancadas dos brancos, quase nunca escapou dos desmandos tempestuosos e seus imperialismos sucessivos. As Américas ensaiaram os episódios armados de Cuba, Granada, Panamá, Malvinas, Nicarágua, Haiti e Colômbia, além de algumas escaramuças entre Peru e Equador e os focos revolucionários na Bolívia, e a Guerrilha do Araguaia, no Brasil, anos 70. Já em dias atuais, nota-se o agravamento de ações táticas na Colômbia, repudiadas pelos países vizinhos, o que põe nos lábios travos de apreensão, conquanto relativa calma ainda existe nesse mundo de cá, mantido abaixo da linha do subdesenvolvimento emergencial, próximo dos Estados Unidos, ricos e poderosos.
Houve, por isso, um tempo em que se pensou andar livre das outras indagações ácidas do restante do universo mundial, onde o fator da guerra restringir-se-ia ao quadro asséptico televisivo e que a paz reinaria altaneira nessa zona de puder, fruto da bonança que viera. Há que trabalhar, entretanto, os homens antes de julgar-se isento de risco, invés de adormecer bem cedo nos cálidos braços da ilusão.

domingo, 26 de julho de 2009

INDAGAÇÕES PERTINENTES´- Por Emerson Monteiro

Neste mundo cheio de desencontros, trastes, ranhuras, desacertos e acertos mil, defronte, agora, desta tela de computador, essa máquina bem forjada, sabida, elaborada no planeta dos seres inteligentes, fosforescentes, animados, obedientes, charmosos, sonoros, eficazes, existem lugares de resposta para quase tudo, para as mais inesperadas perguntas, exatas, aritméticas, matemáticas, filosóficas, psicológicas, históricas, futuristas, abrangentes, onipresentes, oniscientes; confesso, no entanto, algumas fraquezas das suas limitações às reações espontâneas, vindas de dentro da dimensão insondável do existir, que, às vezes, produzem a vontade mental poderosa de perguntar, querer saber de mim, por mim, não desse eu que já conheço, cheio de oscilações temporárias, às brisas cotidianas contraditórias, mas do eu de verdade, a essência do si, o cá interno, habitante dos grotões da alma, vivente nos segredos fechados a sete chaves, o chip do mistério de tudo, que repousa e movimenta a história, sozinho ou em blocos empedernidos, o dna do ser, a marca registrada do Criador primeiro, que avançou, se embutiu na criatura e ainda não veio à tona da consciência do múltiplo particular, nesta realidade de mundo de relações cá fora, da ponta dos dedos, na flor da água dos olhos, no gosto da boca de manhã, ao canto dos pássaros deste sol perto da gente, banhado na brisa fria de fim de julho, no cenário das encostas da chapada; e ouvir resultados de pesquisa junto a algum site desse planisfério on-line, que guarde nas suas páginas, em seus arquivos, os refolhos das maiores bibliotecas do universo insondável das causas primeiras, alimentados pelas melhores cabeças tecnológicas do Vale do Silício, autores circunstanciais maravilhosos; o verbete frontal do mim mesmo, a tônica que nos conduz além de todo dia, impulso voraz de sobreviver a qualquer custo diante do desafio recôndito das impossibilidades, a propulsão cibernética de marcar presença positiva junto ao trilho dourado da mídia momentânea, olho do sucesso, eu do cálice, o Graal, a chama violeta da existência, o foco definitivo do drama, na festa de moléculas das pessoas bonitas, que acham, com enorme facilidade, a ordem alfanumérica sacudida nas praias dos números das areias do Mar dos Sargaços, sem querer, com isso, usar o ponto de terminar frases ou parágrafos, a pretexto de não largar o osso e manter a interrogação expandida, permanente, no âmbito do que satisfaria todos os internautas e destinos, houvesse tamanha possibilidade para recorrer a tal programa de busca à resposta campeã, no corredor da fama, da salvação, derradeiro lance dessa partida final do torneio cotidiano, perecido quando, nos filmes de ficção, os robocops se auto consertam em pleno combate, e prosseguem a epopéia das máquinas persistirem eternas, protótipos miraculosos em formato de elementos perpétuos geniais, leves ponteiros nervosos, largados ao horizonte infinito das horas, perenes círculos sem estática, motos perpétuos, traços espiralados em fios condutores da matéria ao espírito, uma resposta que supere a dor da solidão das multidões, neutralize a melancolia do desamor, nas camas intactas na madrugada fria dos abandonados, a cólica dos corações endurecidos na saudade sem jeito, as individualidades fincadas no lixo das periferias dos eleitores enganados, andarilhos, vagabundos, mendigos de amor, eus indagadores da luz da sabedoria, vagos projetos estirados na lama dos vícios, feridas abertas em peitos de dramas familiares; e essa máquina tão perfeita ainda não sabe responder a isso, enquanto apura as peças infinitas, processa, e eu quero aprender como saber a resposta nos campos disponíveis para digitar a pesquisa.

sábado, 25 de julho de 2009

Estilhaços - Por Emerson Monteiro

Lembro como se fosse ontem meu primeiro dia no Banco do Brasil, na agência de Brejo Santo, Ceará. Era 27 de junho de 1967, uma terça-feira. Chegara no dia anterior para a posse. Meu pai fora de tarde me levar, na mesma pick-up Chevrolet em que eu depois aprenderia a dirigir. Morávamos em Crato. Cobríramos a distância em torno de 90km por caminhos de terra, inclusive na BR-116, porquanto naquele tempo havia asfalto só até Barbalha. José Ferreira, cunhado de minha mãe, casado com tia Nailée, me receberia em sua casa, defronte do Brejo Santo União Clube, e me hospedaria durante os quatro anos em que ali permaneceria.
O expediente começava às 13h. Sob uma árvore da longa praça principal da cidade, enquanto aguardava abrirem as portas da agência, conheci João Batista Carvalho, um outro do mesmo concurso e que se apresentaria como eu, para naquele dia também iniciar sua jornada profissional. Ambos trajávamos camisa branca de manga longa e gravata no pescoço. Dois precários (bancários novos, assim denominados pelos colegas veteranos).
Desde então testemunharia aquele período cheio de contradições, no mundo contemporâneo em convulsão, do trecho entre Brejo Santo e Crato; apenas em raros fins de semana aquietava canto no lugar do trabalho. Nas sextas-feiras de tarde, ou começo de noite, arrumava numa pequena bolsa alguns pertences e seguia para a estrada em busca de transporte. Deixara em Crato história rica de sonhos e relacionamentos. Gostava de cinema, bares, festas, passeios ao pé da serra e dos meus familiares, namoradas, etc.
Brejo Santo possuía seus atrativos, porém o peso dos sentimentos telúricos cratenses me arrastava de volta ao meu segundo berço, aonde chegara com quatro anos, em 1953. Sempre nutri pelo Crato uma quase paixão, fascinado por sua moldura de serras, as encostas do Lameiro em longas caminhadas a pé, o barro branco a colar na pele, bananeiras, pássaros, frutas doces, belas morenas; suas praças, sua gente, a água saborosa, a efervescência cultural, a política estudantil, informação vinda de fora pelas livrarias e bancas de revistas; o Jornal A Ação, que produzia com Vicelmo, Pedro Antônio, Armando Rafael, Huberto Cabral e Padre Honor, por mais de ano, com boa repercussão na comunidade; o Jogral Pasárgada, que fundara com outros seis jovens, no Colégio Diocesano, e sua larga demanda de apresentações.
Lembro, no entanto, de entrosamentos valiosos que estabeleci em Brejo Santo, tanto junto aos colegas do Banco, na maioria de outras localidades, quanto junto aos naturais do município, gente de reconhecida hospitalidade, laboriosa e de senso de realização, haja vista o progresso que, nos dias atuais, lhe movimenta e destaca no elenco das comunas interioranas, naquela fase só de modestas proporções.
Nessas pessoas especiais de quem preservo lembranças benfazejas, José Lirismar Macedo ocupa espaço próprio. Dada sua formação de radialista que vivera em centros maiores e trabalhara em importantes emissoras, Lirismar guardou consigo vivências que bem nutriram a nossa aproximação. Por seu intermédio, conheci e passei a admirar autores exponenciais da música brasileira e da literatura universal.
Ele despertou meu gosto por figuras inigualáveis tipo João Gilberto, Carlos Lira, Dorival Caymmi, Tom Jobim e outros, sobretudo da bossa nova, no âmbito musical; na literatura, dada influência sua conheci importantes obras, quais Os velhos marinheiros, de Jorge Amado; e Narciso e Goldmund, de Hermann Hesse, peças chave de minha formação, no meio de outras mais; e autores como o mineiro Fernando Sabino, para citar alguns poucos e trazer à tona poucos dos detalhes de nossas agradáveis conversações.
Nos finais explosivos dos anos 60, época demolidora e definidora dos rumos da história recente, ao meu lado, para compartilhar das minhas apreensões de resto de adolescência, havia a personalidade marcante deste amigo, o qual permanece no crivo fiel do meu reconhecimento em preito de notável consideração.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Anotações Sobre José Teles

A poesia popular, em Lavras da Mangabeira, constitui um dos mais expressivos atributos daquele município. Ainda no final do século dezenove, Fausto Correia de Araújo Lima tornou-se alí uma voz altissonante. Cantou com o célebre Romano do Teixeira, na Paraíba, e se fez emissário do Padre Cícero Romão de Juazeiro, de quem era cumprade, em vários lugares do Nordeste, sendo arrolado por Leonardo Mota no livro que intitulou Os Cantadores (Rio, Editora Castilho, 1921).
Antônio Lobo de Macedo (Lobo Manso), natural do Sítio Calabaço, ergueu também a sua voz para além do município de Lavras e a fez extensiva a toda a região do Cariri. Trocou farpas e duelos em versos com o seu conterrâneo Cabral da Catingueira (Antônio Cabral de Alencar) e liderou uma plêiade de poetas da boemia lavrense de outrora, composta por nomes como Antônio Aranha (o grande poeta fescenino do Vale do Salgado), Elisa Correia Lima (filha de Fausto Correia), Otávio Aires de Menezes, Raimundo Moreira de Macedo (Nonô), João Favela de Macedo, Tota Bezerra (presença lavrense em grandes festivais de cantadores), Jesus Ramalho e Mundoca de Barba (um dos aboiadores de peso do sul do Ceará).
No tempo em que funcionou em Lavras o Botequim da Velha Chica, na praça da estação ferroviária, para ali convergiram os bardos lavrenses de então, pois tratava-se, no caso,“do maior centro de poetas populares de todo o interior nordestino”, como registra, aliás, F. Monteiro Lima, em O Botequim da Velha Chica (Maceió, Imprensa Oficial de Alagoas, 1976). E menciona o autor os seus mais ilustres componentes: Napoleão Menezes, Ugolino do Sabugy, Sinfrônio Martins Pedro, Luiz Dantas Quezado, João Martins de Oliveira e Aderaldo Ferreira de Araújo (o famoso Cego Aderaldo).
Resta-nos agora trazer à discussão a figura singular do Cego Mangabeira, fundador do Instituto dos Cegos e orgulho máximo do seu município de origem. Em Poetas Populares e Cantadores do Ceará (Brasília, Editora Horiozonte, 1978), Alberto Porfírio o eleva à condição de mestre e nos chama a tenção para a sua poesia muito original.
Assim como o Cego Mangabeira, Ernandes Pereira é outro poeta lavrense de estolfo, nos domínios da métrica e do repente que louvam a grandeza do sertão. Natural da fazenda Cachoeira, fez-se adolescente na cidade de Lavras e radicou-se depois em Camocim, de onde difundiu o seu nome para o Ceará, transferindo-se em seguida para Tianguá, onde exerce as funções de radialista e jornalista. Sonetista, poeta e cordelista, é autor de poemas e folhetos de cordel, e de ações culturais que o elevam no campo da poesia popular.
Chiquinho Bezerra Sampaio, como poucos, afinou a lira em Quitaiús, ao lado de Quinco Limeira e Mundinho do Banco; e, em Mangabeira, para não ir longe, eu cito os nomes de Franço Lemos,Vicente de Paulo Lemos, Mundoca do Sapé e toda a pletora de poetas mapeados por Dias da Silva, em Voz Verso e Viola em Mangabeira (Fortaleza, RDS Editora, 2003).
Francisco de Mauro, Bernardino Ribeiro Campos e Mundoca de Barba Neto são expoentes da poesia popular lavrense. Mas Vicente Correia, muito antes desses timoneiros da poesia, já tinha o estatuto que lhe deu merecido destaque em todo município, fincando, no bairro do Além-Rio, a sua residência acolhedora.
Ali recita de cór os versos sociais de Lobo Manso, o seu mestre mais do que confesso e, bem assim, as trovas e poemas populares do seu colega de ofício, Zito Lobo de Macedo, invocando, com freqüência, o nome de José Lobo de Macedo (Joary), que patrocinou, em Lavras, durante toda a sua vida, a verve sertaneja de muitos poetas do Nordeste.
Manoel Mendes Ferreira (Manuel Duda), natural de Belo Jardim, Pernambuco, fixou-se em fazendas ao oeste da cidade de Lavras e propagou o seu estro até o limite com a Paraíba e Ipaumirim. Trata-se de aedo de fala requintada, cuja arte borbulha qual um sopro, fazendo-se ouvir o seu gorjeio como se fosse um instrumento de rara percussão.
O autor deste livro, José Teles da Silva, o considera um dos maiores poetas do sul do Ceará. E Pereira de Albuquerque, em O Ridículo das Coisas (Fortaleza, Edição do Autor, 2005), o tem na conta de poeta muito original.
Ficam aqui registrados, também, os poetas populares esquecidos, os autores de folhetos de cordel, os chamados poetas de bancada e os cantadores de viola, porque os eruditos e os outros tantos escritores do Salgado já foram relembrados e estudados até a exaustão.
José Teles da Silva ou Zé Teles, como é largamente conhecido, tornou-se, com o tempo, o Príncipe dos Poetas Lavrenses, e não somente o príncipe dos poetas populares da cidade de Lavras. Trata-se de escultor do verso dos mais qualificados. É escritor que se louva e se lavra na caneta, mas em tudo o que faz ou realiza é poeta popular de grande inspiração.
Nasceu na Fazenda Várzea Redonda, na margem direita do Salgado, a 20 de outubro de 1938, em terras que já foram de Senhor Pereira e de José Aleixo de Aquino, sendo filho de pais agricultores, aferrados ao cultivo da terra, conhecidos por Silvério Teles da Silva e Maria Geraldina da Silva.
Foi marcado, desde cedo, pela sinfonia dos bichos e das plantas e por tudo que ia se fazendo poesia ao seu redor. Compreendeu, assim, o seu destino de poeta e os apelos, também, da sua grande vocação.
Quando tinha cinco anos apenas, a família transferiu-se para o Sítio Carnaúba, onde viveu os foguedos da infância e tomou contato com as primeiras letras, na escola de José Maria Marinheiro, terminando aí o seu segundo ano primário. O terceiro ano ele o fez com a Professora Dasdores, encerrando, assim, o seu aprendizado oficial, diplomando-se tão-somente na arte de escrever e contar.
Trabalhando na agricultura, mas sentindo a pulsação da verve de artista, se deixou levar pelo engenho da imaginação e da inteligência, logrando, muito cedo, o reconhecimento das suas qualidades no trato com a vida, por parte de Raimundo Augusto Lima, o maior político lavrense de então, que o convidou para o serviço burocrático das suas fazendas de criar. E com zelo e dedicação sempre redobrados, conquistou do coronel a confiança e admiração, tornando-se os dois muito próximos com o passar do tempo, a ponto de tecerem o equilíbrio de uma grande amizade.
Em 1960, casou-se com Maria Nunes da Silva e desse enlace nasceram os seguintes rebentos: Maria Gorete Teles, Eva Maria Teles e Adão Teles (gêmeos, mas falecido este último), José Teles da Silva Filho, Maria do Socorro Teles, Ivo Teles da Silva e Euclides Teles Nunes, todos admiradores do seu grande talento de poeta.
Amante carinhoso da sua terra de berço, despejou-se o poeta José Teles pelas entranhas da cidade de Lavras. Contou a história do seu povo e a memória da velha Princesa do Salgado, acompanhou a sua evolução e a sua decadência e cantou com afã a rebeldia e a poluição do Rio que banha sua terra, tornando-se assim o Fernando Pessoa da sua região.
Definir um marco para sua obra de poeta é algo que já não se pode fazer com segurança, pois frutifica e aflora dos seus lábios (e da sua pena) uma poesia que já nasce feita, porém pura, bela e espontânea como todas as coisas sublimes do sertão.
Confessa, orgulhoso, que não aprendeu a técnica da poesia erudita, nem a sua métrica, nem a sua erudição. São fluentes e jorram como fontes as visões profundas da sua solução poemática, porque os versos, em José Teles, se fazem repentinos e agudos e se vão, em dilúvio, transformando em cordas musicais.
Gosta de cultivar a arte da paródia, de improvisar o sopro do repente e sabe compor hinos e canções, ora de linguagem mística, ora de apelo político e social.
Esse augusto menestrel do Vale do Salgado é, em sua terra, a expressão mais viva da cultura popular. Inúmeros são os folhetos de cordel que publicou e desde o ano de 2008 se tornou um dos poucos imortais da Academia Lavrense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 27, que tem como patrono Cabral da Catingueira.
É devoto fervoroso de Jesus e do padroeiro da Igreja de Lavras, São Vicente Ferrer. Gosta também de conversar e as suas histórias fabulosas são elaboradas com o tecido dos causos que se contam.
Ir a Lavras e não conhecer José Teles é como ir a Roma e não visitar o Vaticano. Não é apenas o Príncipe dos Poetas Lavrenses: é o papa da cultura popular em sua terra e o seu mais respeitado corifeu.
Dele guardo a amizade e a atenção com que sempre me distingue. Sou admirador da sua musa e amigo da sua família, por igual.
Quando vou a Lavras, é uma das primeiras pessoas que procuro. E sempre encontro José Teles com uma boa história pra contar. Alegro-me com seu jeito de ser. Para mim, o poeta José Teles é um mestre na arte de dizer, pois é doutor em tudo o que produz.
Sonhos de um Poeta (Lavras da Mangabeira, 2009), o seu livro de estréia, reúne o essencial da sua produção. Tive o prazer de trabalhar no projeto da sua poesia reunida, ao lado de Eva Teles, a filha que talvez mais o admira. E constitui uma honra para mim poder assinar este prefácio, feito assim em profusão de falas que não querem parar.
Viva, pois, a Capital do Vale do Salgado! Viva o Poeta José Teles! E vivas sejam dadas, por igual, às remansosas águas do Salgado e ao Padroeiro da Cidade de Lavras, São Vicente Ferrer.

Fortaleza, inverno de 2009


Dimas Macedo